Discurso de Lima Duarte sobre prostitutas pretas gera polêmica

Lima Duarte disse em premiação que se negou a ir a zona de prostituição com mulheres negras. Ator explicou fala como “forma de protesto”

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra Lima Duarte. Metrópoles - Foto: Reprodução/OFF Portal de Cultura

O ator Lima Duarte, 96 anos, gerou polêmica durante discurso na premiação da Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA) na noite de segunda-feira (4/5). Grande homenageado na cerimônia, o artista contou sobre uma situação em que se negou a ir a uma zona de prostituição com mulheres negras. A fala foi interpretada como racista.

No palco, o artista relembrou o período em que morou na rua em São Paulo após deixar sua cidade natal em Minas Gerais. “Um dia, um daqueles moleques de rua chegou pra mim e falou: ‘Vamos na zona?’ Eu perguntei o que era zona e ele falou: ‘Mulher'”, disse Lima Duarte.

“São Paulo tinha duas ruas [de prostituição]: Aimorés e Itaboca, no Bom Retiro. Ele falou que na Aimorés a mulher era cinco merréis [mil réis], na Itaboca custava três merréis. Eu falei para irmos na Itaboca e ele respondeu: ‘Só tem preta’. Não fui. Moleque de rua, dormia embaixo do caminhão. Não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisas eu fui percebendo ao longo dessa vida”, afirmou o ator.

A fala gerou constrangimento entre os presentes e críticas nas redes sociais. Outros premiados também aproveitaram os discursos para se posicionar contra o comentário. Premiada com o projeto “Minas de Ouro”, a artista Carmen de Luz afirmou que a obra “é uma obra de vingar, mas também de vingança”. “É uma obra que invadiu a cidade de Campinas para reverenciar o samba. O samba das mulheres pretas, que não estão no mundo para serem recusadas”, disse.

Posteriormente, a atriz Shirley Cruz, vencedora do prêmio de Melhor Atriz de Cinema pelo filme “A Melhor Mãe do Mundo”, acrescentou: “Vejam só, de rejeitados a premiados”, enquanto agradecia Carmen pelo posicionamento. Diretora da ópera “Porgy and Bess”, do Theatro Municipal de São Paulo, Grace Passô também celebrou a fala da colega. “O que seria dessa noite sem o discurso da Carmen Luz, quem seríamos nós? Como a gente sairia daqui? Essa artista, que lembrou que nós mulheres negras não nascemos para ser negadas.”

“Retrato de um tempo”

Após a repercussão negativa, Lima Duarte explicou o discurso. O ator afirmou que contou uma memória da infância, quando ele era um menino sem formação, vivendo na rua durante um período em que o Brasil era um país muito duro. “Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos”, reagiu.

O ator também foi defendido nas redes sociais. “Ele está fazendo uma autocrítica”, comentou a cantora Amanda Maria. “Ele deixou claro que, ao longo do tempo, percebeu seu erro. Estava narrando uma passagem da adolescência. Ele narra uma atitude racista, mas já com o reconhecimento do erro”, escreveu a internauta Denise Azanha.

Na cerimônia, Lima Duarte recebeu o Troféu Especial 75 anos da TV brasileira.

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