Laranja no Carnaval de SP: permanência de secretário é “insustentável”
Secretário-adjunto do Turismo, que foi sócio de dona de empresa investigada, já tinha atuação criticada nos bastidores da gestão Nunes
atualizado
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A situação do secretário-adjunto de Turismo da cidade de São Paulo, Rodolfo Marinho, é vista como “insustentável” nos bastidores da Prefeitura após revelações do Metrópoles sobre contratos milionários em nome de uma empresa cuja única sócia é uma moradora de um cortiço na zona norte da capital (relembre no vídeo abaixo).
O secretário-adjunto se viu envolto na crise após serem reveladas conexões com a mulher que aparece como sócia da empresa MM Quarter, que atuou como terceirizada na organização do Carnaval de São Paulo e outros eventos.
O Metrópoles apurou que a atuação do secretário-adjunto já vinha sendo vista como “problemática”. Segundo relatos ouvidos pela reportagem, supostas atitudes como tomar decisões sem aviso e tentativas de influenciar em assuntos fora de sua alçada geravam incômodo na gestão.
No entanto, nos bastidores, agora a avaliação é a de que há algo concreto que torna a permanência dele considerada muito difícil. “Não tem como esse cara ficar”, disse uma fonte à reportagem.
O próprio prefeito Ricardo Nunes mandou a Controladoria Geral do Município (CGM) abrir processo investigatório para apurar eventuais irregularidades reveladas em reportagens publicadas pela coluna Demétrio Vecchioli, no Metrópoles.
Apesar do descontentamento nos bastidores, a Prefeitura afirmou à reportagem na última semana que Marinho não mantém qualquer vínculo ou relação com a empresa Quarter. “A SPTuris atua com autonomia administrativa e decisória, não havendo qualquer tipo de ingerência ou influência da SMTur em seus processos de contratação”, destacou.
Entenda o caso
- Conforme a série de reportagens, toda a organização do Carnaval de Rua de São Paulo foi terceirizada pela prefeitura à MM Quarter, que tem mais de R$ 183 milhões em acordos vigentes só com a Secretaria Municipal de Turismo (SMTur) e a empresa municipal São Paulo Turismo (SPTuris), quase todos contratados sem concorrência.
- No papel, a Agência Quarter pertence a Nathália Carolina de Souza Silva, que a fundou em abril de 2022, enquanto era sócia minoritária de Rodolfo Marinho em uma empresa de comunicação política ligada ao vereador Gilberto Nascimento (PL). No mesmo mês, Marinho foi nomeado secretário de Turismo por Ricardo Nunes (MDB) e a Quarter passou a conquistar espaço na gestão municipal.
- A reportagem não localizou Marinho, que fechou o Instagram depois que o Metrópoles fez os primeiros questionamentos à prefeitura sobre a Quarter, para comentar o assunto.
As conexões da MM Quarter
Nathália (a dona formal da MM Quarter) e Rodolfo Marinho (hoje secretário adjunto de Turismo) trabalharam no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) em 2017. Ela, por menos de um mês, em outubro. Ele, de maio a agosto. Em 2018, ela entrou como sócia minoritária de Rodolfo na empresa de comunicação. Ela, com uma cota de R$ 1 mil. Ele, de R$ 99 mil.
Rodolfo foi formalmente nomeado secretário de Turismo por Nunes em 20 de abril de 2022. Sete dias antes, sua então sócia “fundou” a MM Quarter. Na verdade, adquiriu uma empresa de prateleira, como são conhecidas firmas que só existem no papel e podem ser compradas por quem tem pressa para ter uma CNPJ apto a ser contratado pelo poder público.
De cara, o capital foi integralizado para R$ 1,2 milhão, tendo Nathália – que já informava à Junta Comercial morar um cortiço na zona norte – como única sócia. No mesmo mês de maio em que Nathália deixou a sociedade com o secretário de Turismo da prefeitura, a Quarter já fechava seus primeiros contratos com a SPTuris, comandada por Gustavo Pires, que era do grupo político de Bruno Covas. Até o fim daquele ano de 2022, já tinha recebido R$ 1,8 milhão da gestão Nunes.
Marinho foi rebaixado a adjunto em 2025, quando o deputado estadual Rui Alves (Republicanos) foi nomeado secretário para que seu suplente, amigo do governador Tarcísio de Freitas, virasse deputado.
Marinho é apadrinhado do deputado Gilberto Nascimento (PSD), de quem foi assessor na Câmara dos Deputados, e do vereador Gilberto Nascimento Jr (PL). A empresa de comunicação política que teve Nathália como sócia e hoje ele mantém em sociedade com a esposa recebeu R$ 565 mil das campanhas de pai e filho nas eleições de 2018 a 2024. Também recebeu R$ 150 mil de candidatos do PSC, então partido deles.
