Justiça nega pedido de indenização por calúnia difamação a Padre Júlio
Padre Júlio Lacellotti perdeu um processo movido contra a vereadora de Praia Grande, Janaina Ballaris (União). Decisão cabe recurso
atualizado
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A Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização por calúnia e difamação feito pelo padre Júlio Lancellotti (foto em destaque) contra a vereadora de Praia Grande, no litoral de São Paulo, Janaina Ballaris (União). Ainda é possível recorrer da decisão.
A ação, extinta pelo juiz Gustavo Coube de Carvalho, diz respeito a declarações feitas pela vereadora durante um programa de rádio em Santos em dezembro do ano passado, no qual Janaina afirmou que o trabalho do padre com pessoas em situação de rua era “assistencialista”.
A defesa do padre Júlio havia entendido que as falas não se limitavam a críticas, “mas escalam para ataques diretos à honra e à dignidade” do religioso. Segundo a petição inicial, a vereadora “desmerece anos de atuação séria e comprometida com a população em situação de vulnerabilidade” e insinua que o padre “age com vaidade e sem genuíno interesse em ajudar”. Lancellotti pediu indenização de R$ 30 mil pela fala.
“As pessoas vão lá dar comida para as pessoas que estão morando na rua. Muitas vezes você vai ficar bem com Deus. (…) A pessoa vai lá e dá seu prato de comida como se estivesse dando para um cachorro. Nem sequer olha no olho da pessoa e fala assim: ‘Por que você está aqui?’”, disse Janaina na entrevista.
A defesa da vereadora argumentou dizendo que o padre é um homem público e que as falas “ocorreram em contexto de debate com conotação política, promovido pelo próprio autor nas redes sociais”.
Para o juiz, a manifestação de Janaina se insere “em debate de interesse público”, e a condição de Lancellotti como pessoa pública “lhe impõe tolerância a críticas”. Além de negar o pedido de indenização, o juiz determinou que o padre pague os custos do processo e os honorários advocatícios da parlamentar.
Ao Metrópoles a defesa de Janaina, representada pelo advogado Fábio Menezes Ziliotti, manifestou-se dizendo que “o magistrado, sensível aos fatos e com olhar sereno, prolatou decisão reconhecendo a inexistência de qualquer ofensa, ou mácula contra o religioso, na entrevista concedida por um política, com atuação contundente em prol da sociedade, cuja fala jamais teve o condão de causar qualquer ilícito”.
A reportagem também procurou o padre Júlio Lancellotti, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto.
