Justiça emite aviso para evitar venda de iate, jato e hotel de Vorcaro

Decisão da Vara de Falências de SP emitiu ordem de protesto para bens supostamente desviados do Master por Vorcaro

atualizado

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Reprodução/Banco Master
Consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira pediu ao Banco Central para comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, S.A Metrópoles 10
1 de 1 Consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira pediu ao Banco Central para comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, S.A Metrópoles 10 - Foto: Reprodução/Banco Master

A Justiça de São Paulo concedeu, nesta sexta-feira (20/3), liminar para impedir a venda de hotel de luxo, jatinho e iate supostamente ligados a Daniel Vorcaro. A ação, que inclui a ordem de protesto, foi movida pelo liquidante do Banco Master, com objetivo de restituir bens aos credores.

Nomeado pelo Banco Central (BC), o liquidante é um escritório especializado nesse tipo de trabalho, designado para realizar o encerramento de uma empresa, sendo responsável por vender ativos, quitar dívidas e concluir as operações, geralmente em casos de falência ou liquidação.

Na prática, a decisão do juiz da Vara de Falências serve para dar publicidade ao patrimônio envolvido na liquidação do Master e alertar terceiros de que eventual aquisição de tais bens pode ser considerada ineficaz.

Conforme revelado pelo Metrópoles, o liquidante do Banco Master mira ao menos R$ 4,8 bilhões em bens e fundos de investimentos ligados a Daniel Vorcaro que podem ter sido desviados pelo banqueiro antes da liquidação da instituição financeira pelo BC, em novembro do ano passado.

De acordo com a petição, um jato Gulfstream G700, o iate Monde Bleu e o Botanique Hotel & Spa, em São José dos Campos (SP), teriam sido comprados com dinheiro em tese passado por uma rede de fundos interligados, tais como o Astralo 95, o FIDC Rio Vermelho e o FIP Lunar para ocultar patrimônio de uso pessoal de Vorcaro.

A Justiça determinou o registro do protesto em diversos órgãos e ativos ligados ao caso: a aeronave deverá ser anotada no Registro Aeronáutico Brasileiro, vinculado à Agência Nacional de Aviação Civil; o iate, junto às autoridades marítimas; participações societárias, nas juntas comerciais de São Paulo e Minas Gerais; e imóveis, em cartórios de registro.

Também foi determinada a comunicação à Comissão de Valores Mobiliários para dar publicidade à restrição sobre fundos envolvidos, além da notificação formal das administradoras responsáveis, garantindo ciência da medida e ampliando sua eficácia perante terceiros.

Desvio de quase meio bilhão

Outra ação do liquidante do Banco Master descreve supostos desvios de R$ 494 milhões, entre 2023 e 2025, do Master diretamente para um fundo chamado Dublin.

Segundo a petição, os repasses “integravam uma estrutura transnacional deliberadamente montada — na qual o fundo Jaguar Cayman detém integralmente a Jaguar Horizon, que por sua vez é dona do fundo Dublin — para esvaziar o patrimônio do banco em troca de direitos creditórios de baixa qualidade, transferindo os recursos para jurisdições estrangeiras em benefício do ex-controlador”.

Nesse caso, a Vara de Falências também determinou a notificação da administradora do fundo Dublin para que registre o protesto sobre cotas e ativos sob sua gestão.

Na quinta-feira (19/3), a reportagem procurou a assessoria do Vorcaro sobre as ações do liquidante contra o banqueiro. A defesa afirmou que não se posicionaria sobre o tema.

Conforme revelado pelo Metrópoles, no dia 17 de março, o juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da Vara de Falências, apontou indícios de desvio bilionário do patrimônio do Master antes da liquidação e deferiu o pedido de protesto contra alienações de 19 imóveis, 13 empresas e três fundos de investimentos no dia 17/3.

As ações sobre diversos bens têm corrido separadamente, como uma medida para dar agilidade ao processo e impedir que os bens do Master evaporem.

Liquidação do Master e prisões de Vorcaro

  • O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, em meio a uma crise de liquidez e ao escândalo de fraude envolvendo a compra da instituição de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB).
  • Estima-se que o rombo deixado pelo Banco Master a investidores seja superior a R$ 50 bilhões. Parte dessa conta recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que pagou investidores que tinham até R$ 250 mil aplicados no Master.
  • Com a liquidação do Master, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, por suspeita de crimes financeiros.
  • Vorcaro ficou 11 dias preso em São Paulo e foi libertado pela Justiça mediante uso de tornozeleira eletrônica.
  • Em março deste ano, Vorcaro foi preso preventivamente de novo, na terceira fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

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