Justiça decide se prende motorista que matou cicloativista Marina Harkot

Cicloativista foi atropelada em 2020 por motorista que estava embriagado. Justiça também vai definir se aumentar a pena dO motorista

atualizado

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1 de 1 justiça decide condena motorista cicloativista sp - Foto: Arquivo Pessoal

A Justiça de São Paulo decide, na manhã desta quarta-feira (22/10), se decreta a prisão imediata e o aumento da pena do motorista José Maria da Costa Junior, que dirigia embriagado quando atropelou e matou a cicloativista Marina Harkot em 2020 na zona oeste da capital.

Os pedidos de prisão e aumento da pena foram feitos pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Em janeiro de 2025, o motorista já havia sido condenado em primeira instância a 12 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio doloso por dolo eventual, embriaguez ao volante e omissão de socorro, podendo recorrer em liberdade.

Por conta da gravidade dos fatos, o MP solicita uma pena maior. José Maria também teve sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa e foi proibido de obter permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor pelo prazo de cinco anos.

O crime aconteceu na noite de 7 de novembro de 2020 na Avenida Paulo VI no Sumaré, zona oeste da capital. Marina Harkot trafegava em sua bicicleta quando foi violentamente atingida pelo carro de José Maria. Ele fugiu sem prestar socorro e a cicloativista morreu no local. A reportagem não localizou a defesa do motorista. O espaço permanece aberto para manifestações.


O que se sabe sobre o caso

  • Marina voltava para casa em sua bicicleta quando foi atropelada pelo réu, que, além de estar embriagado, trafegava em alta velocidade e não prestou socorro.
  • Câmeras de segurança flagraram o réu chegando em sua residência após o acidente visivelmente alterado pela bebida e gargalhando.
  • As imagens foram feitas na hora em que José Maria supostamente estava reunindo itens pessoais para fugir e destruindo provas do acontecimento.
  • No início das investigações, o réu ficou foragido. Ele apareceu após advertência do delegado sobre expedição de mandado de prisão.
  • José Maria da Costa Júnior respondeu por homicídio doloso qualificado por ter causado perigo comum com sua conduta.
  • O julgamento do motorista havia sido marcado para junho de 2024, mas foi adiado após a defesa do réu apresentar um atestado médico de dengue.
  • A doença não foi comprovada e o Ministério Público de São Paulo requereu instauração de procedimento para investigar a médica responsável pelo atestado.
  • O motorista foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio e a mais um ano de detenção por omissão de socorro e condução de veículo automotor com capacidade psicomotora alterada.
  • Ele pode recorrer em liberdade.

Motorista fugiu

José Maria fugiu sem prestar socorro. Ele estava dirigindo embriagado e em alta velocidade no momento em que atingiu a cicloativista. Segundo o promotor Rogério Leão Zagallo, José Maria “realmente assumiu o risco de causar a morte da vítima, sobretudo porque conduzia embriagado um veículo automotor, além de fazê-lo em velocidade absolutamente incompatível com a avenida”.

A investigação da Polícia Civil concluiu que o motorista havia consumido bebidas alcoólicas momentos antes de dirigir. Vídeos de câmeras de segurança de um bar mostraram que ele estava bebendo no dia, e a comanda do estabelecimento registrou que José Maria consumiu um uísque com energético.

Quem era a cicloativista

Marina Harkot tinha 28 anos quando foi morta. Ela era ativista feminista e de movimentos que defendem políticas públicas de mobilidade urbana, especialmente de ciclismo. Formada em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), Marina cursava programa de doutorado e atuava como pesquisadora no Laboratório Espaço Público e Direito (LabCidade) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Fau) da USP.

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Marina Kohler Harkot
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O empresário José Maria da Costa Júnior, acusado pela morte de Marina Kohler Harkot
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O empresário José Maria da Costa Júnior, acusado pela morte de Marina Kohler Harkot

Reprodução/Câmeras de segurança

Sua dissertação de mestrado, “A bicicleta e as mulheres: mobilidade ativa, gênero e desigualdades socioterritoriais em São Paulo”, é  considerada referência acadêmica sobre o tema no Brasil e internacionalmente.

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