Justiça de SP solta suspeito de participar de roubo à biblioteca Mário de Andrade
Segundo o TJSP, denúncia foi insuficiente para afirmar que houve “efetiva participação” do suspeito no crime, ocorrido em dezembro de 2025
atualizado
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Um dos suspeitos de participar no roubo à Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista, em dezembro de 2025, teve sua soltura ordenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) no final da tarde desta segunda-feira (6/4).
Luís Carlos Nascimento, conhecido como Magrão, havia sido acusado de dar “apoio logístico” aos outros suspeitos envolvidos no crime, que terminou com o roubo de 13 obras da maior biblioteca pública de São Paulo.
Ele havia sido detido após ser identificado em imagens do sistema Smart Sampa caminhando ao lado de um dos outros envolvidos no crime, que segurava as obras roubadas.
Conforme a liminar do TJSP, no entanto, a denúncia é insuficiente para afirmar que houve “efetiva participação” de Magrão na ação, tornando injustificada a prisão preventiva. Com isso, a prisão foi substituída por medidas cautelares alternativas, como a proibição de se ausentar da comarca e o comparecimento periódico em juízo.
O pedido de habeas corpus foi impetrado pelos advogados de Magrão, Marcos Sá e Fábio Abyazar. Ao Metrópoles, a defesa elogiou a decisão do Tribunal e afirmou que a inocência de Marcão será “plenamente comprovada no decorrer da instrução processual”.
Relembre o caso
Gabriel Pereira de Mello, conhecido como Gargamel, e Felipe dos Santos Fernandes, vulgo Sujinho, roubaram 13 obras da Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, na manhã do dia 7 de dezembro de 2025. Ao todo foram, oito gravuras da série “Jazz” de Henri Matisse e cinco gravuras de Cândido Portinari.
O roubo dos itens causou um prejuízo de pelo menos R$ 1,325 milhão. O valor foi estipulado pelos responsáveis da biblioteca e aparece nos registros oficiais da investigação sobre o caso. Veja as obras:
Até a publicação desta reportagem, nenhuma das obras havia sido recuperada. A Polícia Civil acredita que o acervo está com Gabriel, que segue foragido. A Justiça também determinou o bloqueio desse valor na conta dos suspeitos. Felipe dos Santos, por sua vez, segue preso desde dezembro.
Dia do crime
No dia do furto, Felipe foi encontrar Gabriel na casa dele, na Rua Conde de Sarzedas. De lá a dupla parte para a biblioteca, chegando por volta das 10h20.
Na ação um segurança e um casal foram rendidos por Gabriel, que usava uma arma de fogo. Em pouco mais de 20 minutos, os assaltantes deixam a biblioteca pela porta da frente, carregando as 13 obras roubadas.
A polícia acredita que Gabriel planejou o crime cerca de um mês antes de colocá-lo em prática.
Problema na fuga
O veículo usado na fuga apresentou uma pane elétrica na Rua João Adolfo, a dois quilômetros da Biblioteca Mário de Andrade. Os suspeitos continuaram a fuga a pé. Em dado momento, Felipe paga R$ 30 a um usuário de drogas para ajudá-lo a a carregar as obras.
Em seguida, às 11h, Gabriel chega no prédio em que mora carregando a primeira leva das obras roubadas. Antes disso ele é flagrado quebrando as molduras do acervo subtraído.
Posteriormente, Magrão, que havia sido acusado de ajudar Felipe e Gabriel a transportar o restante das obras, também aparece.
Na parte da noite, a esposa de Gabriel, Cícera de Oliveira Santos, é vista chegando no prédio do companheiro. Ela deixa o edifício às 19h38 com duas sacolas contendo as obras e as entrega para o marido, que naquele momento já não se encontrava no local. Cícera foi presa no dia 19 de dezembro.
Por volta das 20h30, Gabriel foi visto na estação de metrô Parque Dom Pedro. Ele desembarca na estação Itaquera, onde é flagrado pela última vez.





















