INSS: ex-ministro e sócio liberaram entidades que arrecadaram R$ 2 bilhões

Alvo de busca da PF, José Carlos Oliveira é sócio de Edson Yamada. Juntos, eles assinaram 10 acordos com associações da farra do INSS

atualizado

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Edson Akio Yamada e José Carlos Oliveira
1 de 1 Edson Akio Yamada e José Carlos Oliveira - Foto: Reprodução

O ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira (à direita na foto em destaque) e seu sócio Edson Yamada (à esquerda), que foi dirigente do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), assinaram acordos com 10 associações investigadas no esquema bilionário de fraudes contra aposentados que arrecadaram R$ 1,9 bilhão com descontos indevidos.

Ambos foram alvo de busca e apreensão na última fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal (PF) e que prendeu três ex-dirigentes do INSS, incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanutto. Por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Oliveira passou a usar tornozeleira eletrônica.

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Ex-executivo do INSS Edson Akio Yamada é sócio de uma consultoria com José Carlos Oliveira — ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Bolsonaro
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Ex-ministro da Previdência Social do governo Bolsonaro na CPMI do INSS
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O ministro  do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira
Ex-ministro da Previdência Sicial do govero Bolsonaro na CPMI do INSS
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Ex-ministro da Previdência Sicial do govero Bolsonaro na CPMI do INSS

FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiaFoto
Ex-executivo do INSS Edson Akio Yamada é sócio de uma consultoria com José Carlos Oliveira — ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Bolsonaro
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Ex-executivo do INSS Edson Akio Yamada é sócio de uma consultoria com José Carlos Oliveira — ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Bolsonaro

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Ex-ministro da Previdência Social do governo Bolsonaro na CPMI do INSS

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O ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira

Valter Campanato/Agência Brasil
Ex-diretor do INSS André Fidelis e ex-ministro da Previdência José Carlos de Oliveira - Metrópoles
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Ex-diretor do INSS André Fidelis e ex-ministro da Previdência José Carlos de Oliveira - Metrópoles

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O ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, ao lado do ex-presidente da República Jair Bolsonaro
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O ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, ao lado do ex-presidente da República Jair Bolsonaro

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Ex-ministro da Previdência Sicial do govero Bolsonaro na CPMI do INSS
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Ex-ministro da Previdência Sicial do govero Bolsonaro na CPMI do INSS

FOTO: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiaFoto

 

Dos 10 Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com entidades suspeitas, três foram assinados por Oliveira quando ele era diretor de Benefícios do INSS, departamento responsável por firmar as autorizações para as associações realizarem descontos.

Outras 7 entidades foram autorizadas a fazer descontos por Yamada, que ascendeu ao cargo quando Oliveira foi presidente do INSS e se manteve à época que o aliado foi ministro da Previdência de Jair Bolsonaro (PL) e até mesmo após seu mandato, durante os primeiros meses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Oliveira e Yamada são sócios na empresa de consultoria Oriente, que também conta com a filha do ex-ministro, Yasmin Ahmed Oliveira, no quadro societário. Yamada ainda doou R$ 15 mil para Oliveira quando ele tentou ser vereador de São Paulo pelo PSD, nas eleições de 2024.

Ajuda para liberar R$ 15 milhões

Em investigação sobre a Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), associação que desviou mais de R$ 640 milhões do INSS, a PF identificou atuações de Oliveira para a entidade e indícios de repasses recebidos por meio de pessoas interpostas.

Em julho de 2021, o órgão exigiu da Conafer documentos comprobatórios de filiações necessários ao acordo de cooperação técnica da entidade com o INSS. Oliveira era diretor de Benefícios à época e permitiu a liberação de R$ 15,3 milhões à entidade, sem a apresentação das comprovações exigidas.

O movimento, diz a PF, permitiu a inserção indevida de descontos nos contracheques de mais 650 mil benefícios previdenciários.

A PF encontrou planilhas do “núcleo financeiro” da Conafer. Em fevereiro de 2023, foi encontrado pagamento de R$ 100 mil vinculado ao codinome “São Paulo Yasser”. Os investigadores atribuem os apelidos a Oliveira, que é da capital paulista e convertido ao islamismo —  recentemente, ele mudou de nome para Ahmed Mohamad.

No período do repasse, Oliveira não era mais ministro, mas Yamada ainda estava à frente da diretoria de Benefícios. Segundo a PF, Oliveira ainda agradeceu a Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como “operador financeiro” da Conafer, em uma mensagem do WhatsApp interceptada. O agradecimento, segundo a investigação, ocorreu após Oliveira receber um pagamento indevido. Em troca, ele teria ajudado a evitar a suspensão do acordo que permitiu a Conafer a fazer descontos de aposentados.

40 anos de carreira no INSS

Oliveira é servidor do INSS desde 1985, à época o órgão se chamava INPS. Ao longo da carreira foi acumulando poder no órgão, em especial no estado de São Paulo, onde foi gerente-executivo e superintendente. Depois, ele se tornou diretor de Benefícios. Na sequência, foi presidente do INSS e chegou a comandar o Ministério da Previdência, cargo que ocupou até o fim do mandato de Jair Bolsonaro (PL).

Na semana passada, mesmo sob investigação, Oliveira foi aposentado do INSS. A aposentadoria levantou suspeitas entre servidores que desconfiavam da aposentadoria como uma forma de ele se livrar das consequências do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que estava em andamento na Controladoria-Geral da União (CGU). O INSS diz que não tinha conhecimento da aposentadoria de Oliveira.

Por meio de nota, a defesa de Oliveira disse que não teve acesso ao teor da decisão que determina o uso de tornozeleira, mas que ele tem residência fixa e “sempre colaborou de forma espontânea com as investigações e já prestou todos os esclarecimentos à CPMI como convidado e de forma espontânea”. Afirmou, ainda, que “permanece à disposição das autoridades para quaisquer novos esclarecimentos”.

O Metrópoles também tentou falar com Edson Yamada, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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