Imagens de esvaziamento da Cracolândia foram apagadas, diz Prefeitura
Prefeitura de São Paulo informou que o próprio sistema do Smart Sampa deleta automaticamente imagens geradas há 30 dias
atualizado
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As imagens do Smart Sampa que filmaram a Rua dos Protestantes, na região central de São Paulo, nas noites anteriores ao esvaziamento do fluxo da Cracolândia, ocorrido na madrugada de 12 de maio, foram apagadas. A informação foi confirmada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (18/6). Nunes e o secretario municipal da Segurança Pública, Orlando Morando, atribuíram o procedimento à dinâmica do próprio sistema, que deleta automaticamente imagens geradas há 30 dias.
Segundo o prefeito, estão preservadas as imagens da Cracolândia a partir de 14 de maio, relativas aos 30 dias anteriores à determinação da Justiça que solicitou que as filmagens não fossem apagadas após uma ação da Defensoria Pública do Estado em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
“[O pedido de imagens] Chegou no dia 13. A gente preservou do dia 14 do mês anterior [14 de maio]. Então, a gente não tem dos últimos 30 dias. Até por uma questão de LGPD, essas imagens não ficam armazenadas”, disse Nunes.
Antes da judicialização da questão, o MPSP havia enviado um ofício, no dia 6 de junho, com prazo de cinco dias para que Prefeitura de São Paulo encaminhasse as filmagens e esclarecesse as movimentações na região. O autor do pedido, o promotor de Justiça Arthur Pinto Filho, disse ao Metrópoles que as imagens não foram enviadas no prazo e que a gestão municipal optou por não colaborar de forma amigável.
Do lado da Prefeitura, o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, Alcides Fagotti Junior, argumentou que a solicitação do MPSP foi repassada à Secretaria Municipal de Administração, que não tem acesso ao Smart Sampa.
Além do MPSP, a Defensoria Pública também havia feito solicitação semelhante, mas teve seu pedido negado pela pasta de segurança que alegou a ausência de justificativa. Fagotti explicou que, nesse caso, o Smart Sampa não poderia ter enviado as imagens porque a Defensoria não obedeceu ao procedimento padrão, e isso seria uma violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Relembre o “esvaziamento” da Cracolândia
- No dia 12 de maio de 2025, o fluxo de dependentes químicos que costuma ficar na Rua dos Protestantes desapareceu.
- Antes do esvaziamento, o lugar, que costumava ser ocupado por centenas de pessoas nas ruas, vinha passando por uma desocupação progressiva.
- Segundo a ONG Craco Resiste, que atua na região, os usuários desapareceram de fato após uma ação da GCM, que teria empregado violência para fazer esse deslocamento.
- A Prefeitura, contudo, negou as acusações e afirmou que não tinha conhecimento sobre o que tinha acontecido com aquelas pessoas.
- Apuração do Metrópoles identificou que o fluxo, que costumava lotar diferentes vias da Santa Ifigênia, se espalhou pela cidade — como já ocorreu em outros momentos nos mais de 30 anos de existência da Cracolândia.
O que diz a Prefeitura
Em nota ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana disse que recebeu o pedido da Justiça para a preservação de imagens entre os dias 1 e 14 de maio “apenas no dia 13 de junho, às 16h57”. A pasta ainda afirmou que “armazena as imagens do Smart Sampa por, no máximo, 30 dias, conforme previsto em contrato público assinado em agosto de 2023 com a empresa prestadora de serviço” e que esse prazo, “respeita as boas práticas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”.














