Homofobia: processo de global contra Emílio Surita é arquivado
Emílio Surita estava sendo investigado por suposta prática de homofobia contra o jornalista Marcelo Cosme após comentário feito em 2024

A Justiça Federal arquivou o inquérito policial que investiga o apresentador Emílio Surita por suposta prática de homofobia contra o jornalista Marcelo Cosme por comentários feitos no programa Pânico, exibido em 23 de julho de 2024.
O arquivamento se deu no âmbito da 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo, após pedido do Ministério Público Federal. A juíza Natalia Luchini concluiu que o comentário não apresentou o dolo específico exigido pelo tipo penal.
“Com efeito, para configuração do tipo penal descrito no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/1989, é necessária a incondicional presença do elemento subjetivo: o dolo específico, o qual consiste na específica finalidade de atingir a honra subjetiva do ofendido em razão de raça, ou, no caso dos autos, orientação sexual”, afirmou a decisão.
Na ocasião, o apresentador da Jovem Pan disse: “Eu vou assim bem gostosamente, no passo assim, bem Caetano Veloso, bem GloboNews. ‘Olá, estamos aqui na GloboNews’. Como é que chama aquele cara que faz o programa à noite? O simpático lá. ‘Estamos aqui com um programa maravilhoso, pessoas fantásticas’. É um maestro apresentando: ‘Bote no telão aqui as informações do governo’. Bem solto… muito solto”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP
Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasEm seu depoimento às autoridades, Emílio alegou que estava fazendo uma sátira com a forma que a emissora faz seu jornalismo. “[Uma] maneira totalmente diferente da nossa, sempre de ‘terno e gravata’, com uma conhecida formalidade”, disse. Surita também ressaltou que, durante o programa que foi ao ar em julho, nem chegou a falar o nome do jornalista.
“Naquele momento, falei Marcelo como Tarcísio (apenas repetindo qualquer nome). Também falaram: ‘Marcelo Costa, Cosme, Madureira… Em nenhum momento eu verbalizei o nome ‘Marcelo Cosme’ e, em nenhum momento, confirmei que seria dele que havia perguntado, até porque, nunca me referi a este apresentador ou a outro, pois estava me referindo à emissora concorrente e seus apresentadores todos em geral”, explicou o apresentador no depoimento.
Emílio também afirmou que, na data em que o programa foi gravado, nem sabia quem era Marcelo Cosme e desconhecia por completo sua orientação sexual.
Por meio de nota, o advogado do apresentador, Dr. Luiz Augusto D’Urso, disse que “o desfecho confirma aquilo que sempre sustentamos: não havia ocorrido qualquer prática ilícita, não havia qualquer vontade ou intenção de discriminação ou preconceito, tampouco elementos mínimos capazes de justificar a continuidade da persecução”.
O Metrópoles procurou a defesa de Marcelo Cosme para um posicionamento sobre o arquivamento do processo, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.



