Grupo do ramo de ar-condicionado é alvo de força-tarefa contra fraudes
Operação cumpre 12 mandados de busca e apreensão para desarticular esquema de fraudes fiscais e blindagem patrimonial em três estados
atualizado
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Um grupo empresarial do ramo de aparelhos de ar-condicionado é alvo de uma operação feita na manhã desta quinta-feira (30/10) por uma força-tarefa formada pela Secretaria da Fazenda e Planejamento, pela Procuradoria Geral do Estado, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal. O objetivo é desarticular um esquema de fraudes fiscais e blindagem patrimonial.
A Operação Bóreas, como foi nomeada, cumpre 12 mandados de busca e apreensão em estabelecimentos comerciais e residências vinculadas ao grupo, localizados nas cidades de São Paulo, Extrema (MG), Pindorama (SP) e Rio de Janeiro (RJ).
O grupo empresarial investigado é classificado como devedor contumaz, com longo histórico em infrações relacionadas ao ICMS. Uma das empresas do conglomerado acumulou mais de R$ 443 milhões em débitos tributários decorrentes de autuações fiscais, persistindo, ainda, o débito com a União no montante de R$ 268 milhões.
A operação também bloqueou bens móveis e imóveis dos integrantes do grupo econômico, além de mais de R$ 200 milhões em ativos financeiros.
Esquema
Segundo a Receita Federal, após acumular expressivos valores em débitos tributários, uma das empresas foi incorporada de forma irregular por outro empreendimento do grupo. Para evitar que a empresa sucessora assumisse os débitos tributários da antiga, os ativos da devedora foram transferidos, mas a sucessão nunca foi formalizada oficialmente.
Depois, a sucessora continuou sonegando, como devedora contumaz, acumulando novo passivo milionário, segundo o órgão. A empresa sucedida foi colocada em nome de laranjas e transferida para Palmas, no Tocantins, onde não existe de fato. Um dos laranjas recebeu Auxílio Emergencial na pandemia, com endereço em quitinetes em Copacabana, no Rio de Janeiro. Os outros dois também não tinham capacidade financeira e apresentaram endereços humildes nos bairros da Taquara e Campo Grande, também na cidade do Rio de Janeiro.
Enquanto isso, os recursos obtidos com a operação das empresas foram para a família controladora e para empresas usadas para blindagem patrimonial, com ajuda de um contador, que apresentou contabilidades fraudulentas.




