Fúria na praia: PM de sunga atira contra banhista e ataca policiais

Tenente estava de folga e agrediu mulher de 40 anos que fumava cigarro de maconha. Após prisão, deu cabaçada, cuspiu e disse ser “matador”

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PM fardado, de bigode preto usando boina - Metrópoles
1 de 1 PM fardado, de bigode preto usando boina - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes Sociais

A prisão em flagrante do tenente da Polícia Militar Leonardo Athila Rodrigues Borghi, de 32 anos, mobilizou as polícias Civil e Militar de Ilhabela, litoral norte paulista, após uma sequência de agressões contra uma banhista, dois PMs e um policial civil. O caso ocorreu na Praia do Sino, no fim da tarde dessa terça-feira (25/11).

Os depoimentos colhidos pela Polícia Civil descrevem episódios de violência progressiva, iniciado quando o oficial, que estava de folga e trajando somente sunga, se irritou ao ver uma banhista de 40 anos fumar cigarro de maconha.

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Motivo para a série de crimes teria sido mulher fumando maconha
Garçonete diz que PM atirou contra o pé dela, sem sucesso
Oficial está no presídio Romão Gomes
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Oficial está no presídio Romão Gomes

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Motivo para a série de crimes teria sido mulher fumando maconha
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Motivo para a série de crimes teria sido mulher fumando maconha

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Garçonete diz que PM atirou contra o pé dela, sem sucesso
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Garçonete diz que PM atirou contra o pé dela, sem sucesso

A vítima relatou que estava na praia com um amigo quando o tenente se aproximou demonstrando incômodo. “Ele começou a me agredir fisicamente e jogou meu cigarro [de maconha] fora. Depois, efetuou um disparo em direção aos meus pés e me ameaçou de morte”, afirmou a mulher, que trabalha como garçonete.

De acordo com os cabos Paulo Henrique Waschniski e Fernando Felipe Camargo Lourenço, que atenderam a ocorrência, o tenente inicialmente se mostrou calmo, sentado na areia, mas logo passou a agir de modo agressivo. Lourenço disse que ao tentar entender o que havia ocorrido, o oficial de folga “começou a investir contra os policiais, alterado emocionalmente”, exigindo liberação e ignorando ordens.

A defesa do oficial não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

“Derramamento de sangue”

O sargento Milton Schneider Balestrini, que também interveio na situação, relatou ter sido “atingido por uma cabeçada no rosto” dada por Borghi no momento em que preservava o veículo do investigado. A violência ocorreu após Balestrini impedir que a esposa do oficial usasse o carro, supostamente para ir a uma farmácia. O veículo, onde a arma do tenente teria sido escondida, era preservado para vistoria.

“Após a agressão, ele [Leonardo Borghi] ainda cuspiu no meu rosto [já na delegacia]”, declarou o Balestrini. O também PM Sérgio Neves do Prado confirmou a agressão contra o colega. Registros da Polícia Civil mostram ainda que o tenente, já contido, ameaçou os policiais do distrito. “Ele dizia que era matador, que voltaria à unidade e que haveria muito derramamento de sangue.”

O policial civil Leonardo Gomes Mariano afirmou ter sido golpeado quando conduzia o preso no interior da delegacia. “Ele deu um chute no meu tórax e pescoço quando já estava detido, de forma abrupta, sendo necessário intervir”, detalhou.

A companheira do tenente Borghi, que estava com ele na praia, reconheceu que houve conflito entre o companheiro e a garçonete, mas disse não ter presenciado agressões físicas. Admitiu, porém, que ambos haviam consumido bebidas alcoólicas e que o marido faz uso de antidepressivos. A versão dela foi contrariada pelos depoimentos da garçonete e do amigo dela, os quais reafirmaram que o oficial agiu com violência desde o início, “sem motivo aparente”.

O delegado Caio Fresatto Nunes de Miranda considerou haver materialidade e indícios suficientes dos crimes. O laudo preliminar menciona o revólver calibre 357 do tenente, apreendido com munições já deflagradas.

Sem fiança

O delegado determinou a prisão em flagrante por ameaça, vias de fato, disparo de arma de fogo em via pública, resistência qualificada e lesão corporal contra agentes da lei. Na decisão, mencionou que “somadas, as penas máximas superam quatro anos”, o que inviabilizou fiança e motivou o encaminhamento do tenente ao cárcere, à disposição da Justiça.

A Polícia Civil instaurou inquérito e informou também a Corregedoria da PM sobre o caso, devido às agressões contra os policiais Balestrini e Prado, cometidas “no exercício da função”. Segundo o registro, a conduta da banhista não configurou crime, pois tratava-se de porte de maconha para uso pessoal, seguindo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que diz a SSP

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou ao Metrópoles, em nota, que a arma do tenente foi apreendida. Ele segue encarcerado no Presidio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. Um Inquérito Policial Militar também foi instaurado “para apurar os fatos e suas responsabilidades”, acrescentou.

O tenente foi indiciado pelos crimes de ameaça, vias de fato, disparo de arma de fogo, lesão corporal e resistência.

Após a conclusão do inquérito, o tenente “poderá” ser processado nas esferas criminal e administrativa, na qual pode ser “penalizado com medidas disciplinares”.

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