Fuga por pensão alimentícia: o que se sabe sobre o caso Marco Antonio Villa
Ele é procurado pela Justiça desde o dia 8 de outubro, por conta de uma dívida de pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 570 mil

São Paulo — O comentarista político Marco Antonio Villa está foragido da Justiça de São Paulo. Ele é procurado desde o dia 8 de outubro, quando um mandado de prisão temporária — de 30 dias — foi expedido por conta de uma dívida de pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 570 mil.
Ele é considerado foragido porque as autoridades chegaram a ir em dois endereços ligados a Villa, na cidade de São Paulo e em São Bernardo do Campo, na região metropolitana, mas não o encontraram.
Entenda o caso
O Metrópoles teve acesso ao processo movido contra Villa. De acordo com o documento, a pensão não paga se refere a um filho de Villa, Flávio, de 45 anos, que é pessoa com deficiência (PCD). A ação foi movida pela ex-mulher do comentarista. Eles se casaram em janeiro de 1981 e tiveram dois filhos, mas se separaram em maio de 2014, quando o comentarista político deixou a casa em que o então casal morava. Em novembro de 2017, o processo de divórcio foi concluído.
Ainda segundo o processo, mesmo após o divórcio, Villa seguiu arcando com as despesas da ex-mulher e dos filhos do ex-casal, até suspender os pagamentos em meados de 2020. A ex alega que isso teria lhe causado sérias dificuldades, já que dependia financeiramente do comentarista.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPEla afirma que, ao longo do casamento, sempre se dedicou aos filhos e ao marido, abdicando da sua carreira. Além disso, possuiria a saúde fragilizada, situação que a impediria de se recolocar no mercado de trabalho, aliado ao fato de ser idosa. Ela também menciona o fato de cuidar do filho Flávio, que necessita de cuidados especiais.

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Ver todas“Injustiça sem precedente”, disse Villa
Em suas redes sociais, Marco Antonio Villa escreveu, na tarde desta sexta-feira (16/10), que tenta reverter uma “injustiça sem precedente”. Segundo o comentarista, ele foi condenado a pagar 20 salários mínimos por mês para a ex-esposa e o filho PCD, valor que chamou de “desarrazoado”, mas que nunca teve condições financeiras para isso.
Ele também explicou que, além da pensão alimentícia, é obrigado a pagar o valor do plano de saúde de ambos. Villa tenta reverter a situação há anos, mas sem sucesso.
Em valores atuais, a quantia a ser paga supera os R$ 40 mil por mês. Ele contou que, ao todo, já teria pago quase R$ 1.500.000 aos dois.
”Para viabilizar o pagamento desta fortuna, tive que me desfazer de patrimônio que angariei ao longo de uma vida dedicada ao trabalho, já tendo destinado a minha ex-esposa: os dois imóveis antes por mim titulados (o que nos serviu de lar e um outro situado no litoral), todas as minhas economias e, ainda, valores levantados mediante a contratação de empréstimos bancários”, descreveu.
Villa afirmou, ainda, que possui diversas ações judiciais em andamento, “visando à correção de todos os abusos cometidos”.
Quem é Marco Antonio Villa
- Villa é historiador e professor, mas ganhou maior visibilidade ao atuar como comentarista político na Jovem Pan.
- Segundo o site “Quero Apoiar”, criado para impulsionar arrecadação a candidatura de Villa para deputado federal de São Paulo pelo MDB, ele é autor de mais de 40 livros que retratam a história política do Brasil.
- Como comentarista, Marco Antônio Villa atuou no Jornal da Manhã, na Rádio Jovem Pan, Jornal Primeira Hora e Rádio Bandeirantes.
- Foi colunista no O Globo, O Estado de São Paulo e Folha de S.Paulo.
- Antes de ficar foragido, escrevia para a UOL, Isto É, Estado de Minas e Correio Braziliense.
Como os títulos dos principais livros de Marco Antônio Villa adianta, o comentarista foi um crítico ferrenho dos governos petistas, defendeu Operação Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff. Além disso, já teve embate jurídico com Fernando Haddad, então prefeito de São Paulo, em que o petista venceu — Haddad teria publicado uma agenda oficial vazia para induzir críticas de Villa, mas o petista foi absolvido.
Para Veja, em 2015, Villa disse que quem afirmava que o PT era comunista, na verdade, era igualmente fascista como a própria sigla, ou seja, alegou que o partido de Lula é fascista.
Em 2026, foi candidato a deputado federal pelo MDB nas eleições de 2026 e afirmou não ter bens a declarar na Justiça Eleitoral. Mas esse não foi o primeiro pleito de Marco Antônio Villa, em 2022, também concorreu ao mesmo cargo, mas pelo Cidadania. Na época, o historiador declarou R$ 1.311.757,40 em bens à Justiça Eleitoral, com uma casa em Peruíbe, no litoral paulista, de R$ 150 mil, outra residência, de R$ 500 mil, e um apartamento no Jardim Paulista, na capital do estado.













