Foragido ordenou fraudes contra aposentados e propinas no INSS, diz PF
Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer, é apontado como mentor do esquema desde a falsificação de assinaturas até articulação política
atualizado
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Considerado foragido pela Polícia Federal (PF), o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, Carlos Roberto Ferreira Lopes, é apontado como o mentor de um esquema que desviou ao menos R$ 640 milhões de aposentados filiados à entidade.
Ele teria participado em todas as pontas, desde as ordens para colher assinaturas de aposentados e utilizá-las para forjar aceites à Conafer até o pagamento de propinas a políticos e integrantes do alto escalão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lopes foi um dos 10 alvos de mandados de prisão preventiva expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Polícia Federal, na Operação Sem Desconto, que investiga a farra dos descontos indevidos revelada pelo Metrópoles.
Na decisão do ministro, constam trechos da representação policial que pediu sua prisão. A PF qualifica Lopes como um dos grandes líderes do esquema.
600 mil lesados
Segundo as investigações, somente a Conafer lesou mais de 600 mil aposentados e desviou, com uso de fazendas e outras empresas, 90% do que arrecadou do esquema.
Uma empresa terceirizada foi contratada somente para colher as assinaturas. Um ex-funcionário afirmou em depoimento que o presidente da entidade ordenava a coleta de assinaturas de beneficiários sob o pretexto de “atualização cadastral”. Em seguida, as assinaturas eram replicadas em documentos fraudulentos de filiações.
Lopes tinha laranjas e homens de confiança que lidavam com políticos e pulverizavam o dinheiro arrecadado em empresas. Um homem que recebeu auxílio emergencial chegou a ser usado para aquisição de dois aviões.
Políticos e agentes públicos
Mensagens revelaram conversas de Lopes com seu braço direito, Cícero Marcelino, preso pela Polícia Federal, sobre pagamentos a agentes públicos. Em planilhas das entidades, eles eram apelidados de “heróis” e “amigos”.
Somente o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, é suspeito de receber uma mesada que chegou aos R$ 250 mil mensais. O dinheiro era supostamente pago por meio de empresas, entre elas, uma pizzaria, e um advogado chamado Gilmar Stelo.
Mensagens mostram Marcelino prestando contas a Lopes sobre a influência de Stelo junto a Stefanutto. Ele afirma ter ouvido que o “porta-voz do maior” negou a possibilidade de rescindir o acordo que permitia a Conafer descontar dos aposentados. Somente ele recebeu R$ 900 mil da entidade.
Ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis teria recebido R$ 3,5 milhões. Ex-procurador-geral, Virgílio de Oliveira Filho recebeu R$ 6,6 milhões do operador da Conafer.
O ex-ministro da Previdência Social José Carlos de Oliveira (PSD) também é suspeito de receber propinas. Os valores não são descritos na decisão que ordenou que ele seja monitorado com tornozeleira eletrônica.
O deputado federal Euclydes Petterssen (Republicanos-MG) teria recebido R$ 14,7 milhões em transferências fracionadas a duas empresas ligadas a ele.

