Exame que pode esclarecer morte de jovem segue pendente há 18 meses
Luciana Vitória, de 17 anos, foi encontrada morta em casa em agosto de 2024. Até o momento, polícia não comparou DNA de potenciais suspeitos
atualizado
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Um exame pericial que pode esclarecer a morte da estudante Luciana Vitória da Conceição Guerra, de 17 anos, ainda não foi realizado pela Polícia Científica – mesmo após 18 meses desde o crime.
A adolescente foi encontrada morta na casa onde morava com a família no bairro Guacuri, na zona sul de São Paulo, em 21 de agosto de 2024. Ela estava seminua e possuía sinais de esganadura. Mais tarde, sêmen foi encontrado na calcinha que a vítima usava.
Segundo o advogado da família, Ewerton Carvalho, um exame de DNA é capaz de identificar o dono do sêmen e, assim, esclarecer a dinâmica do homicídio, que possivelmente foi antecedido por violência sexual. O procedimento, no entanto, não foi realizado até o momento.
Quatro homens são averiguados por suposta participação no crime (veja mais abaixo). Todos eles forneceram material genético à polícia, mas ainda não houve comparação com o DNA encontrado nas roupas da vítima, conforme mostra o inquérito obtido pelo Metrópoles.
3 delegados e 4 pedidos por exame de DNA
- Em 3 de outubro de 2024, um laudo pericial apontou a presença do semên e de sangue nas peças de roupa que Luciana usava.
- O documento foi anexado no inquérito policial instaurado pelo delegado Thiago Bolacio Rodrigues, do 98º Distrito Policial, de Jardim Miriam.
- Em 10 de fevereiro do ano passado, o delegado Fernando Moysés Elian, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), assumiu o inquérito e solicitou a investigação do material genético.
- O delegado reforçou o pedido em 17 de março. Em 26 de junho, ele pediu à Justiça por mais prazo para seguir com a investigação pois ainda não tinha o resultado do exame.
- Em 17 de novembro, já mais de um ano e três meses após a morte de Luciana, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) também solicitou a comparação entre os materiais genéticos.
- No último 2 de março, o delegado responsável pela investigação foi trocado novamente. Andre Cesar Pereira Leocato, também do DHPP, assumiu o inquérito e solicitou a realização do exame de DNA.
- Ele também pediu à 1ª Vara do Júri, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por mais 90 dias para investigar o caso.
Averiguados forneceram DNA para investigação
Luciana foi encontrada pelo irmão dela, que atualmente tem 24 anos. A estudante estava seminua da cintura para cima e vestia uma calça jeans azul e botas pretas. Além disso, uma segunda calça envolvia o corpo da jovem: uma das barras estava cobrindo completamente a cabeça e a outra barra estava presa à perna da jovem.
A adolescente também tinha um hematoma roxo e inchado no olho direito, e já apresentava rigidez cadavérica quando foi encontrada. Com ajuda de um vizinho, o irmão tentou socorrer Luciana até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) próxima, onde o óbito foi constatado.
A ocorrência foi registrada inicialmente como morte suspeita com “dúvida razoável quanto a tratar-se de suicídio”, mas a polícia passou a procurar pela autoria após os vestígios indicarem possível homicídio.
O irmão de Luciana foi considerado o primeiro suspeito do crime. Ele se apresentou espontaneamente na delegacia e forneceu o próprio DNA. Em seguida, o pai e o tio da vítima, além de um vizinho, também forneceram os respectivos materiais genéticos.
O último a fornecer o DNA foi o tio de Luciana, que fez a entrega espontaneamente em setembro do ano passado. Nesse meio tempo, nenhuma comparação foi feita entre os materiais genéticos dos averiguados e aquele encontrado nas roupas da estudante.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Divisão de Homicídios do DHPP “analisa os laudos e segue empenhada no esclarecimento das circunstâncias do crime”.
A pasta foi questionada sobre a demora para realização dos exames, mas afirmou apenas que “demais detalhes serão preservados para garantir a autonomia dos trabalhos policiais”.
Polícia procura imagens de câmeras de segurança
Outra forma de esclarecer o crime é o acesso integral ao circuito de segurança que capta imagens da fachada da casa em que Luciana morava. Um equipamento estava instalado na fachada da residência, mas não realizava gravações na época dos fatos, informou a mãe de Luciana em depoimento.
Um vizinho chegou a fornecer nove horas de gravação de outro circuito de câmeras à mãe da estudante, mas o conteúdo tinha mais de duas horas de interrupção.
Outro vizinho, que é averiguado no caso, apresentou imagens apenas pelo próprio celular, e alegou que não conseguia enviá-las. Em depoimento, ele afirmou que o equipamento funciona por sensor de presença e movimento, o que justificativa os intervalos de segundos e minutos entre as capturas.
Em fevereiro de 2025, o delegado Elian determinou a apreensão do original das imagens das câmeras de segurança para uma análise técnica detalhada. Mais tarde, o MPSP reiterou a necessidade dessa análise, mas não há informações no inquérito de que o conteúdo tenha sido fornecido até o momento.
Advogado critica demora da investigação
O advogado da família apontou ao Metrópoles que o caso está repleto de indícios e que as diligências pendentes podem ser feitas a qualquer momento.
“Uma coisa são crimes que não têm material genético, não têm câmera, não têm nada. Nesse [caso], a gente está repleto de provas. Tem material genético, tem potencial suspeito”, disse.
Para ele, “a polícia simplesmente só precisa fazer o trabalho dela”. “Mas é que a Luciana não é branca, a Luciana não nasceu em família rica, a Luciana não é uma menina rica. ntão, pra eles é mais uma menina preta que morreu, que foi estuprada, e eles não estão nem aí”, argumentou.






