
Ex-coordenador do PL jovem de SP declara voto em Lula nesta eleição
“Eu estudei” diz Bruno Fonseca, que viralizou nas redes após relatar como foi de militante bolsonarista a eleitor de Lula
07/10/2026 17:35, atualizado 07/10/2026 17:39

“Eu votei no Bolsonaro em 2022 e esse ano vou votar no Lula” conta Bruno Fonseca, estudante de Direito pela PUC-PR e ex-coordenador do coletivo jovem do Partido Liberal de São Paulo (PL Jovem), em um vídeo em suas redes sociais. Atualmente, Bruno reside em Curitiba e produz conteúdos voltados à esquerda, com foco nos direitos dos trabalhadores.
Bruno começou a se interessar por política aos 12 anos, por meio de vídeos no YouTube do canal do Movimento Brasil Livre que, posteriormente, criou o partido Missão.
Em 2016, o maior nome do MBL era Artur do Val — também conhecido como “Mamãe Falei” — que, à época, viralizava nas redes com conteúdos em oposição às mobilizações dos estudantes contra a reforma do ensino médio e a PEC do teto de gastos.
“Arthur ia nessas ocupações estudantis, nas manifestações pró presidenta Dil Rousseff e gravava os vídeos. Um dia eu estava no YouTube e vi um vídeo dele indo em uma ocupação […] Achei muito legal que ele ia pra cima, saía briga… eu achava muito legal isso”, relata Bruno ao Metrópoles.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPCooptado pela extrema-direita, Bruno chegou a se filiar ao Partido Liberal e militar a favor da eleição de Jair Messias Bolsonaro (PL) à presidência em 2018 e 2022, chegando a ser coordenador do PL Jovem de SP e região metropolitana. Além disso, participava de debates em canais do YouTube, como o Spectrum.
Em entrevista, o ex-bolsonarista revela que o Partido Liberal investe muito nas redes sociais para atrair a camada mais jovem, incentivando os participantes do coletivo da juventude a gravarem conteúdos, utilizarem técnicas de marketing e impulsionamento para espalharem os ideais do partido. Em algumas ocasiões, chegavam a realizar vaquinhas digitais para ajudar financeiramente os novos produtores de conteúdo.
No entanto, sua trajetória política não foi linear. Em 2023, Bruno começou a se incomodar com certos posicionamentos do partido relacionados a direito dos trabalhadores, violência contra a mulher e LGBTfobia. Ao tentar contrapor seus aliados, recebeu xingamentos e foi chamado de esquerdista. Neste momento, percebeu que não se encaixava mais nos ideias da extrema-direita.
”Quando eu defendi coisas básicas, como, por exemplo, dizer que mulher não pode apanhar, que o feminicídio precisa ser combatido, que o trabalhador precisa descansar, eu comecei a ser chamado de esquerdista. Isso me fez pensar que se defender o mínimo de dignidade é ser de esquerda, então eu sou de esquerda”, revela Bruno em suas redes sociais.
Para o jovem, o estopim foi um debate contra Tiago Santinelli, ex-comediante, intitulado como “1 ex-cristão contra 20 cristãos”. Bruno estava entre os praticantes do cristianismo, porém, discordou quase completamente com o posicionamento destes, principalmente sobre pessoas LGBTQIA+.

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Ver todas”Tiago trouxe ao debate a pauta sobre homofobia e as pessoas cristãs foram muito homofóbicas. E, quando eu sento para debater, a primeira coisa que eu falo é ‘eu discordo de todo mundo que falou aqui, porque eu acho que a função da igreja jamais será de afastar essas pessoas. A nossa função tem que ser de amar a todos’. Eu postei esse corte e fui chamado de comunista. Então pensei ‘se por pregar o amor de Cristo, eu sou comunista, tem algo muito errado. Isso me fez repensar”, conta.
Furar a bolha
Questionado pelo Metrópoles sobre como mudou tão radicalmente de posicionamento, Bruno diz que foi olhando para outras realidades fora de sua bolha social e estudando.
“Olhe pro próximo, olhe pra quem está do teu lado. Eu estudei, eu livros, eu vi mestres dando aulas mas, principalmente, eu entendi a realidade da menina que senta do meu lado na universidade. E quando você entende que aquela pessoa existe e sobrevive graças a programas sociais, você não pode moralmente se manter no bolsonarismo” conta.
Atualmente, Bruno produz conteúdo para as redes sociais contando sua trajetória, tentando convencer outras pessoas a estudarem sobre política e se posicionarem à esquerda, reforçando o amplo diálogo, a abertura para questionamentos e acolhimento àqueles que não se posicionam politicamente, mas gostariam de começar.
Expulso do PL
O ex-bolsonarista também afirmou ter sido “convidado a se retirar” do Partido Liberal após se posicionar contra Zoe Martínez (PL), vereadora da Câmara Municipal de São Paulo e presidente da CPI do Metanol.
Enquanto atuava pelo partido, Bruno se manifestou contra as operações comandadas por Zoe. Segundo ele, as ações estavam focando apenas em vendedores ambulantes e não nos bares. O jovem afirmou ao Metrópoles que não foram encontrados casos de bebidas adulteradas com ambulantes, apenas em grandes bares e que as ações da vereadora estavam atrapalhando os trabalhadores locais.
Ao fazer a crítica nas redes sociais, o ex-coordenador do coletivo jovem do PL foi acusado de ferir uma regra que proibia que integrantes do partido discordassem entre si publicamente e, por isso, expulso do grupo.









