Escritores e curadores abandonam festival literário após veto a Milly
Convidados do festival lamentam nas redes sociais censura sofrida por Milly Lacombe, que teve a participação vetada por falas em podcast
atualizado
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Diversos escritores e curadores cancelaram suas participações na Festa Lítero Musical (Flim) de São José dos Campos, no interior de São Paulo, após a jornalista Milly Lacombe ter a participação cancelada pelo prefeito Anderson Farias (PSD) nessa terça-feira (16/9). Entre os 20 autores anunciados, 14 já comunicaram sua desistência.
Reunindo escritores e curadores em mesas que promovem o incentivo à leitura de forma inclusiva e gratuita, o festival literário tem seu início marcado para essa sexta-feira (19/9) e acontece até domingo (21/9). No entanto, o evento tem sido alvo de críticas após a jornalista e escritora Milly Lacombe ter tido a participação vetada após declaração feita a um podcast.
Anunciada para contribuir com a mesa de abertura do evento, a jornalista lamentou o ocorrido nas redes sociais. A atitude mobilizou outros participantes do evento a cancelarem suas presenças.
Os escritores Xico Sá e Cuti, que compunham a primeira mesa ao lado de Milly, foram alguns dos que anunciaram o boicote ao festival. Nas redes sociais, Xico Sá escreveu:
“Deixo aqui todo apoio e solidariedade à jornalista Milly Lacombe, censurada e silenciada politicamente (a pedido da extrema direita) pela Prefeitura de São José dos Campos. Como convidado do mesmo evento cultural, comunico, em protesto, o cancelamento da minha participação.”
Além do grupo de abertura, outras duas mesas devem ser substituídas após o cancelamento de todos os participantes. Ao todo, 14 dos 20 autores anunciados retiraram suas presenças.
Confira lista de quem já cancelou:
Mesa 1
- Milly Lacombe (teve participação cancelada)
- Xico Sá (cancelou)
- Cuti (cancelou)
Mesa 2
- Joice Berth (ainda não se pronunciou)
- Luiz Ketu (confirmou presença)
- Helena Silvestre (cancelou)
Mesa 3
- Vitor Martins (ainda não se pronunciou)
- Jéssica Anitelli (cancelou)
- Maria Carolina Casati (cancelou)
Mesa 4
- Julio Pimentel Pinto (cancelou)
- Cristhiano Aguiar (cancelou)
- Tânia Rivitti (cancelou)
Mesa 5
- Christian Dunker (cancelou)
- Micheliny Verunschk (cancelou)
- Maria Carolina Casati (cancelou)
Mesa 6
- Noemi Jaffe (cancelou)
- Calila das Mercês (ainda não se pronunciou)
- Bia Mantovani (cancelou)
Mesa 7
- Marisa Orth (ainda não se pronunciou)
- Adriana Ferreira Silva (ainda não se pronunciou)
Além dos escritores, o grupo de curadoria da Flim também lamentou o ocorrido e declarou desistência da participação no evento. As curadoras Alice Penna e Costa, Bianca Mantovani, Tânia Rivitti e Bruna Fernanda assinaram uma nota de repúdio nas redes sociais.
“É com muita indignação e revolta que nós, curadoras da 11ª Festa Lítero Musical de São José dos Campos – FLIM, comunicamos a nossa retirada da curadoria da festa que estava prevista para iniciar nesta sexta-feira, 19 de setembro”, escreveram.
Procurada pelo Metrópoles, a organização da Flim ainda não se pronunciou sobre o assunto. A reportagem tenta contato para apurar se o evento ainda irá acontecer e se uma nova programação será apresentada.
Milly Lacombe cancelada
A participação da jornalista Milly Lacombe na Festa Lítero Musical (Flim) foi cancelada após a repercussão de declarações dadas por ela ao podcast “Louva a Deusa”, no fim de julho deste ano. Nessa terça-feira (16/9), o prefeito Anderson Farias (PSD) apareceu ao lado do vereador Zé Luís, também do PSD, em um vídeo nas redes sociais, anunciando o cancelamento da participação de Lacombe.
No trecho da entrevista que viralizou, a jornalista aparece afirmando que “família é um núcleo produtor de neurose” e criticando o conceito da “família tradicional brasileira”. O vídeo teve uma repercussão negativa entre os políticos de São José dos Campos, local sede do evento.
“Essa família tradicional, branca, conservadora, brasileira. Gente, isso é um horror. É a base do fascismo. Falemos a verdade”, disse a jornalista no podcast Louva a Deusa, em julho deste ano.
Com a repercussão, o vereador de São José dos Campos, Thomaz Henrique (PL), também fez um vídeo sobre a fala e pediu para que as “famílias joseenses” cobrassem as empresas patrocinadoras do evento e manifestassem insatisfação. A ação colaborou para o veto da participação de Lacombe.
Lacombe lamentou censura e agradeceu apoio
Em um vídeo publicado também nessa terça-feira (16/9), Lacombe agradeceu as curadoras da Feira Literária e alegou que o trecho que viralizou ”foi manipulado, tirado de contexto, para que esse vídeo servisse à fúria e ao ódio da extrema direita”. Ela conta que é uma mulher lésbica e que, na entrevista ao podcast, falava sobre a importância de crianças LGBTQIAPN+ serem acolhidas em suas famílias.
“Tiraram de contexto. Caí nas bolhas da extrema direita (…) a coisa degringolou. Eu amo feiras literárias (…) e não posso ir porque existe um risco real imediato à minha segurança. Uma pena”, diz a jornalista no vídeo.
Veja:
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