Empresários negociaram Porsche para financiar ataque a promotor de SP

Veículo de luxo orçado em R$ 1 milhão iria ajudar a custear plano envolvendo assassinos profissionais e carros blindados

atualizado

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Maurício Silveira Zambaldi (à direita), conhecido como Dragão, e José Ricardo Ramos (à esquerda).
1 de 1 Maurício Silveira Zambaldi (à direita), conhecido como Dragão, e José Ricardo Ramos (à esquerda). - Foto: Arte/Metrópoles

O empresário José Ricardo Ramos comprou um Porsche 911 Carrera, vermelho, em 21 de julho deste ano, por quase R$ 1 milhão. O veículo foi vendido pela concessionária de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como Dragão. Dez dias depois, Ramos revendeu o carro de luxo  para financiar o assassinato do promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Campinas.

A trama criminosa foi descoberta a tempo pelo Gaeco, após um telefonema anônimo, resultando na prisão de Maurício e José (imagem em destaque) no último dia 29. Ambos estão ligados, segundo investigação da Promotoria de Campinas, com Sérgio Luiz de Freitas, o Mijão, apontado como integrante da “ala da morte” do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele seguia foragido até a publicação desta reportagem.

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Sérgio Luiz de Freitas Filho, o Serginho Mijão
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Jardins Araruana: MP faz operação contra grilagem em área nobre do DF
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PF faz operação no DF e em dois estados contra fraude na CNH
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PF faz operação no DF e em dois estados contra fraude na CNH

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Dragão, o cabeça do plano

A ideia de matar o promotor é atribuída a Mauricio Zambaldi, o Dragão, dono da loja Dragão Motos, especializada na compra e venda de veículos de alto padrão.

Investigado por participação em organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, ele teria justificado o atentado como retaliação à “desmoralização” e aos “notáveis prejuízos patrimoniais” que sofreu após a deflagração da Operação Linha Vermelha, em fevereiro deste ano.

Na ocasião, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa e em empresas dele. Na ocasião, Dragão chegou a quebrar o celular e arremessá-lo pela janela ao perceber a aproximação de integrantes do Gaeco com a polícia.

Conexão com o PCC

A trama criminosa ganhou contornos ainda mais preocupantes com a revelação feita pela Promotoria sobre a parceria do empresário Dragão com Serginho Mijão. Integrante da alta cúpula do PCC, ele está atualmente foragido e é considerado um dos criminosos mais procurados do país.

Segundo investigação, a dupla mantém “relações negociais próximas”. O empresário atuaria na ocultação e dissimulação de bens e valores provenientes de atividades ilícitas do crime organizado.

Após as perdas resultantes da Operação Linha Vermelha, Dragão teria transferido dois imóveis para uma pessoa indicada por Mijão, demonstrando, segundo o Gaeco, estreita colaboração e auxílio financeiro prestado.

A conexão entre o empresário e o líder do PCC foi corroborada por registros que mostram imóveis de Dragão sendo transferidos para um intermediário, que os repassou para a Avantex Empreendimentos e Participações Ltda., empresa cujo sócio é Sérgio Luiz de Freitas Neto, filho de Serginho Mijão.

Ataque financiado com Porsche

Morador do Condomínio Alphaville, em Campinas, José Ricardo Ramos foi designado por Dragão e Mijão para executar o plano. O levantamento do Gaeco, obtido pelo Metrópoles, indica que ele ajudava o PCC na lavagem de dinheiro e na revenda de cargas roubadas de agrotóxicos. José Ricardo tem histórico criminal por homicídio qualificado, receptação e roubo.

Como pagamento pela estruturação do atentado, Ramos recebeu de Maurício e Sérgio dinheiro para comprar um Porsche, avaliado em quase R$ 1 milhão. O carro de luxo foi revendido para custear a execução do promotor.

Para isso, Ramos ficou encarregado de acompanhar a rotina do promotor, indicando pontos frequentados pelo alvo. O criminoso também ficou encarregado de obter carros blindados, que seriam usados na execução, além de contratar assassinos.

Vigiando a vítima

Para vigiar o promotor Amauri Silveira Filho, Ramos teria utilizado um veículo cedido por Thiago Salvador, proprietário de um estacionamento e lava-rápido, que também forneceu informações sobre a rotina do membro do MPSP, incluindo a academia que ele frequentava.

Ramos chegou a viajar para Goiás, onde, segundo denúncia recebida pelo Gaeco, receberia uma Hilux SW4 blindada, cor branco pérola, que seria preparada para o crime.

Os preparativos incluíam a troca das placas e a retirada do banco traseiro para acoplar uma metralhadora .50, com poder de tiro suficiente para derrubar aeronaves de pequeno porte. Além disso, Ramos estaria trabalhando ativamente para contratar pistoleiros, incluindo no Rio de Janeiro.

A defesa dos suspeitos mencionados não foi encontrada. O espaço segue aberto para manifestações.

 

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