Em guerra contra a 99, Nunes notifica MP do Trabalho sobre mototáxis
Prefeito de SP se reuniu nesta terça (21) com a Justiça do Trabalho: gestão afirma que atividade põe em risco a vida dos motociclistas

São Paulo – O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta terça-feira (21/1) que notificou o Ministério Público do Trabalho (MPT) em relação à operação do serviço de mototáxi pelo aplicativo 99.
Retomado na semana passada pela empresa, o transporte individual de moto por aplicativo é proibido por um decreto municipal desde janeiro de 2023, sob a alegação de que a atividade aumenta os riscos de acidentes envolvendo motociclistas.
Nesta terça, o prefeito também se reuniu com o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), desembargador Valdir Florindo, para tratar da questão.
Nunes afirmou que ações conjuntas entre a prefeitura, MTU e a Justiça do Trabalho estão sendo discutidas, mas não detalhou quais ações seriam essas. Ele informou que novas reuniões com os órgãos serão marcadas nos próximos dias.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO presidente do TRT-2 explicou em coletiva de imprensa, após a reunião, que a discussão não é sobre a ausência ou não de vinculo empregatício entre os motociclistas e a plataforma, mas de garantir boas condições de trabalho para os profissionais.
A prefeitura alega que a liberação do serviço aumentaria os acidentes fatais envolvendo motos na cidade. Segundo a prefeitura, foram 483 acidentes com morte de motociclistas no ano passado na cidade.
“Se essa empresa continuar operando sem respeitar as leis vigentes, vai levar pessoas a óbito”, afirmou Nunes.
A prefeitura também entrou com uma ação judicial pedindo a cobrança de multa de R$ 1 milhão por dia por insistir na operação do serviço. A medida ainda não foi avaliada pela Justiça.
Apreensões e protestos
Desde o dia 15 de janeiro, a prefeitura passou a fiscalizar motociclistas que estejam fazendo transporte de passageiros pela 99 por blitze espalhadas pela cidade. A plataforma chegou a pedir na Justiça a suspensão das fiscalizações, mas não foi atendida.
Até a segunda-feira (20/1), 126 motocicletas haviam sido apreendidas, segundo a gestão municipal.
A medida tem gerado protesto de motociclistas, que nesta terça organizaram um ato em frente à prefeitura para reclamar da fiscalização. A manifestação contou com a participação dos vereadores Lucas Pavanato (PL) e Kenji Palumbo (Podemos), de partidos da base aliada de Nunes.
Além das taxas referentes à retirada dos veículos do pátio da SPtrans, o município está notificando os motociclistas com uma multa de R$ 7.100,64 por praticar atividade de transporte individual remunerado sem autorização.
Ao Metrópoles, profissionais informaram que a 99 tem orientado a não pagar a multa que a empresa diz que prestará auxílio aos motociclistas em até cinco dias úteis.
O prefeito Ricardo Nunes alega que as fiscalizações fazem parte do serviço diário da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
“Quando um agente público está verificando o descumprimento de uma norma, ele precisa agir. Senão ele responde por omissão. Se é proibido o transporte remunerado de passageiros em motos, ações precisam ser tomadas, aquela moto não pode continuar circulando”, disse o prefeito.

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Em nota divulgada nesta terça-feira, a 99 afirmou que “além do suporte aos motociclistas com a cobertura dos custos associados a multas e apreensões, a 99 está apoiando os condutores na busca desses direitos na justiça”.



