O que dono de bar investigado nos Jardins disse à CPI do Metanol
Sócio do Ministrão Bar, Fagne Santos afirmou que confia em seu fornecedores de bebidas alcoólicas e que não contatou vítima
atualizado
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Sócio do Ministrão Bar, investigado por suspeita de venda de bebidas adulteradas, Fagne Santos afirmou que confia nos fornecedores de bebidas alcoólicas com quem trabalha e que não manteve contato com a mulher que afirma ter se intoxicado após consumir caipirinhas no estabelecimento — ela ficou cega.
O empresário depôs na CPI do Metanol, em sessão realizada nessa terça-feira (24/2), na Câmara Municipal de São Paulo. Sobre o funcionamento do bar, ele disse ser responsável pela seleção e compra das bebidas e que os frascos são descartados após as vendas.
O Ministrão chegou a ser interditado, mas foi reaberto ainda no ano passado. A direção do estabelecimento afirma que a vigilância da Prefeitura de São Paulo teria comprovado que não houve contaminação das bebidas vendidas no local. Procurada para confirmar a informação, a gestão municipal não respondeu.
“O fornecedor da gente, como até o próprio laudo saiu tudo negativo, todas as bebidas nossas, negativo para contaminação com metanol. A gente compra um bom tempo, tem certa credibilidade com a gente. Nunca tivemos nenhum tipo de problema com relação a isso”, afirmou Santos.
Quando questionado sobre a existência de seguro de responsabilidade civil para danos a terceiros decorrentes de contaminação alimentar química e sobre a possibilidade de reparação às vítimas, caso seja comprovado que a intoxicação por metanol ocorreu no estabelecimento, Fagne Santos disse que o Ministrão não possui este tipo de seguro, mas afirmou considerar necessário discutir o tema com os demais sócios para avaliar a adoção da medida.
Segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) no último dia 4, foram confirmados 52 casos de intoxicação por metanol, com 12 mortes. Segundo a SES, quatro óbitos permanecem sob investigação: um em Guariba, de um paciente de 39 anos; um de São José dos Campos, de 31 anos, e dois de Cajamar, de 29 e 38 anos.
Mortes por metanol em SP
- Quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos residentes da cidade de São Paulo.
- Uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos, de São Bernardo do Campo.
- Dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos de Osasco.
- Um homem de 37 anos, de Jundiaí.
- Um homem de 26 anos, de Sorocaba.
- Um homem de 26 anos em Mauá.
O que é metanol
Altamente inflamável e tóxico à saúde humana, o metanol, também conhecido como álcool metílico, é incolor e inflamável, com cheiro semelhante ao da bebida alcoólica comum.
O composto é um dos mais importantes insumos na indústria química, sendo usado como matéria-prima para sintetizar produtos químicos, tais como formaldeído (também conhecido como formol), MTBE (aditivo químico para a gasolina) e ácido acético, que, por sua vez, são usados na produção de adesivos, solventes, pisos, revestimentos etc.
A substância é um composto orgânico da família dos álcoois e, no mercado brasileiro, possui papel crucial para produção do biodiesel, que é um combustível renovável adicionado ao diesel de origem fóssil.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atualmente, em escala industrial, o metanol é produzido predominantemente a partir do gás natural.
Levando em consideração a toxicidade do produto, os riscos à saúde humana e à segurança pública e privada, a ANP passou a regulamentar o metanol, incluindo-o na definição de solvente e adequando seus atos normativos, a fim de tornar mais efetivo o controle da substância no mercado nacional.


















