Dona de casa onde jovem foi morto pela PM relata sumiço de R$ 1,5 mil

Mulher estava fora de casa quando Igor Oliveira se escondeu em um quarto do imóvel e foi morto por PMs. Quando voltou, deu falta do dinheiro

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Imagem colorida de Igor Oliveira de Morais Santos, de 24 anos, morto pela Polícia Militar em ação na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de Igor Oliveira de Morais Santos, de 24 anos, morto pela Polícia Militar em ação na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. - Metrópoles - Foto: Rede social/Reprodução

A dona da casa onde policiais militares (PMs) mataram Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, em julho do ano passado, relatou à Polícia Civil que o montante de R$ 1,5 mil que mantinha guardado na residência desapareceu após a operação policial.

Na ocasião, durante patrulhamento da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), quatro suspeitos se esconderam no quarto de uma casa em Paraisópolis.

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Ação policial termina com um morto em Paraisópolis
Imagens gravadas por câmeras corporais mostram toda a ação policial
Policial atira contra Igor Oliveira enquanto jovem estava rendido e desarmado
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Policial atira contra Igor Oliveira enquanto jovem estava rendido e desarmado

Arquivo Pessoal
Ação policial termina com um morto em Paraisópolis
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Imagens gravadas por câmeras corporais mostram toda a ação policial
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Ao serem encontrados pelos policiais, eles se renderam prontamente, como mostram imagens da câmera corporal de um dos agentes. Igor se levantou com as mãos na altura da cabeça e foi morto a tiros. Os outros três foram presos.

Um vídeo mostra o momento dos disparos. As imagens são fortes. Veja:

Os policiais envolvidos na ocorrência são os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, autores dos disparos , e os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, considerados coautores.

Sumiço de R$ 1,5 mil

A dona do imóvel, que mora no local com a filha, havia saído de casa para ir ao posto de saúde. Abordada na rua, a menina chegou a ser questionada pelos PMs se possuía a chave do imóvel enquanto a mãe estava fora.

Quando a mulher voltou, encontrou o portão arrombado, portas e trancas quebradas. A residência estava toda ensanguentada, com buracos de bala na parede e objetos revirados. “Levaram [o corpo] no meu edredom e na minha coberta. Levaram o rapaz enrolado que eu vi”, conta a dona do imóvel.

Ela também deu por falta de R$ 1,5 mil, quantia guardada em uma cabeceira de um quarto, em notas de R$ 100 e R$ 50. O valor nunca foi encontrado. Questionada se as armas, drogas e dinheiro encontrados eram seus ou de sua filha, a mulher negou.

Identificada nos autos como testemunha protegida, ela pode ser ouvida no Tribunal do Júri, que irá julgar os policiais por homicídio qualificado, como a defesa dos militares já pediu nos autos.

No boletim de ocorrência, os PMs envolvidos na ação informaram a quantia apreendida de R$ 1,3 mil, em “cédulas diversas”, como diz o registro policial. Uma das fotografias anexadas ao processo, que mostra os objetos supostamente encontrados sobre a cama, mostra notas de 2, 5, 10, 20 e 50 reais (veja abaixo).

Em laudo entregue à Justiça, a perícia técnica destacou que a forma “agrupada e organizada” como os objetos foram localizados na cama sugeria uma “manipulação de parte dos vestígios” antes da chegada dos peritos.

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Relatório da Polícia Civil tem lapso de 5 minutos no conteúdo das câmeras corporais dos militares envolvidos na ocorrência
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Relatório da Polícia Civil tem lapso de 5 minutos no conteúdo das câmeras corporais dos militares envolvidos na ocorrência
Após a operação, a dona da casa sentiu falta de R$ 1,5 mil, guardados em uma cabeceira de um quarto, em notas de R$ 100 e R$ 50. PMs dizem ter encontrado R$ 1,3 mil em "cédulas diversas". Notas iam de 2 a 50 reais
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Após a operação, a dona da casa sentiu falta de R$ 1,5 mil, guardados em uma cabeceira de um quarto, em notas de R$ 100 e R$ 50. PMs dizem ter encontrado R$ 1,3 mil em "cédulas diversas". Notas iam de 2 a 50 reais

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As imagens capturadas entre 15h44 e 15h49 das câmeras de todos os policiais foram descartadas para análise da Polícia Civil
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O lapso coincide com o momento em que os policiais começam a encontrar os objetos apreendidos
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O lapso coincide com o momento em que os policiais começam a encontrar os objetos apreendidos

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Lapso de 5 minutos em relatório de câmeras corporais

No relatório da Polícia Civil, há um lapso de cinco minutos nas imagens captadas pelas câmeras corporais. As capturas de tela mostram o momento do disparo e, um período depois, os policiais já posicionando os objetos supostamente apreendidos sobre a cama (galeria acima).

Sobre o lapso temporal, os investigadores afirmaram que “referente aos demais minutos de filmagem não identificamos nenhuma imagem de relevância para esta investigação”.

A própria defesa dos PMs destacou, em mais de uma ocasião, a não juntada da íntegra dos vídeos nos autos, mas apenas trechos selecionados no relatório. Para os advogados, o fato gera um “vácuo” nas informações e configura cerceamento de defesa.

Para o Ministério Público de São Paulo (MPSP), esse tempo teria sido utilizado para a alteração da cena do crime, configurando fraude processual. A promotoria denunciou os agentes por homicídio qualificado — por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara do Júri da Capital, aceitou a denúncia contra os PMs ainda em julho do ano passado, tornando os quatro réus. Em janeiro deste ano, eles foram pronunciados, decisão que leva ao julgamento pelo Tribunal do Júri — marcado para o dia 28 de julho deste ano, exatamente um ano e duas semanas após a execução.

O Metrópoles contatou a defesa dos acusados, mas não houve retorno até a publicação detsa reportagem. O espaço segue aberto.

“Eles tinham certeza da impunidade”, diz pai de jovem executado

Para Magdo de Moraes Santos, 48 anos, almoraxife e pai de Igor, os policiais militares agiram “sem a menor justificativa”.  “Meu filho não matou nenhum deles, policial deles, amigo deles, não matou ninguém da família deles, não matou nenhum morador. Meu filho é um moleque do coração bom. Um moleque servidor, ajudava todo mundo. Já estava em poder do Estado”, declarou ao Metrópoles.

O homem citou a versão inicial do policiais de que teria havido um confronto, o que foi descartado com a divulgação das câmeras corporais, e criticou que os agentes “têm certeza da impunidade”. À reportagem, ele comemorou a proximidade do Tribunal do Júri. “Deixa eu ver o que vai resolver, com a graça de Deus”.

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