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Corinthians: desvio de patrocínio seria para dívidas de Melo, diz MPSP

MPSP diz que dinheiro desviado do acordo entre Corinthians e Vai de Bet era para pagar dívidas de campanha e enriquecimento dos denunciados

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Augusto Melo, presidente do Corinthians - Metrópoles
1 de 1 Augusto Melo, presidente do Corinthians - Metrópoles - Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acredita que o dinheiro desviado do Corinthians durante a negociação de patrocínio entre o clube e a empresa de apostas esportivas Vai de Bet era destinado para o pagamento de “prejuízos e dívidas assumidas na campanha” do presidente afastado Augusto Melo.

A afirmação aparece na denúncia da promotoria, obtida pelo Metrópoles, oferecida à Justiça nessa quinta-feira (10/7). No documento, o MPSP afirma ainda que após o pagamento dessas dívidas, a ideia dos denunciados era enriquecer às custas do Corinthians.

Foram denunciados: Augusto Melo, presidente afastado do clube, Marcelo Mariano e Sérgio de Moura, ex-dirigentes do Corinthians, Alex Cassundé, apontado como o falso intermediário na negociação do patrocínio com a Vai de Bet, Victor Shimada e Ulisses Jorge, sócios de empresas de fachada usadas para a dissipação do dinheiro desviado.

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Augusto Melo também é investigado
Impeachment de Augusto Melo será votado nesta segunda-feira (26/5)
Presidente afastado do Corinthians, Augusto Melo
Conselho Deliberativo do clube aguarda fim das investigações.
Augusto Melo foi afastado na última segunda-feira (26/5)
Osmar Stábile, à direita, presidente interino do Corinthians.
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Osmar Stábile, à direita, presidente interino do Corinthians.

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Augusto Melo também é investigado
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Augusto Melo também é investigado

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Augusto Melo foi afastado na última segunda-feira (26/5)
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Augusto Melo é alvo de processo de impeachment por caso Vai de Bet.
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Augusto Melo é alvo de processo de impeachment por caso Vai de Bet.

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Augusto Melo, presidente afastado por impeachment.
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Augusto Melo é alvo de processo de impeachment por caso Vai de Bet.
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Augusto Melo é alvo de processo de impeachment por caso Vai de Bet.

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O empresário Augusto Melo, candidato à presidência do Corinthians
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O empresário Augusto Melo, candidato à presidência do Corinthians

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O Ministério Público acredita que o esquema criminoso gerou um prejuízo que ultrapassa os R$ 40 milhões ao clube da zona leste de São Paulo. Nessa conta, a promotoria também incluiu o valor da rescisão com a antiga patrocinadora do clube alvinegro, também do ramo de apostas.

O que dizem as defesas

Ao Metrópoles, a defesa de Augusto Melo, chefiada por Ricardo Jorge, afirmou que o trecho da denúncia que cita os desvios de dinheiro para o pagamento de dívidas de campanhas e enriquecimento próprio “não se sustenta diante dos fatos”.

O advogado diz que não havia dívida financeira relacionada a campanha de Augusto Melo à presidência do Corinthians visto que o processo eleitoral foi marcado “pela simplicidade e pelo engajamento espontâneo dos seus apoiadores”.

“Tratou-se de uma candidatura modesta, sustentada basicamente pela arrecadação voluntária das chapas aliadas e de corintianos comprometidos com a mudança. Portanto, a tese de que haveria desvio de verba para quitar compromissos eleitorais cai por terra diante da própria realidade financeira da campanha”, diz a defesa.

Os advogados terminam dizendo que o contrato firmado entre Vai de Bet e Corinthians passaram pelos trâmites institucionais do clube. “Nada foi feito à margem da administração regular, tampouco de forma clandestina”.

“A tentativa de associar a imagem do presidente a um suposto enriquecimento ilícito revela mais uma intenção política do que uma busca genuína pela verdade”.

Já a defesa da empresa UJ Footbal Talent e do respectivo sócio Ulisses De Souza Jorge afirmou que estão “estarrecidos” e que repudiam a acusação do Ministério Público (MPSP).

Segundo a equipe de advogados, chefiada por Daniel Leon Bialski, Ulisses nunca foi chamado ou convocado a prestar esclarecimentos sobre os fatos, o que na visão dos defensores “evidencia o quão absurda é essa imputação”.

A nota de defesa ainda finaliza definindo a denúncia como arbitrária e que irá se manifestar na Justiça.

Dívidas de campanha teriam resultado em ameaça de morte

O Metrópoles também obteve o inquérito policial a respeito do caso. O documento cita que Augusto Melo teria sido ameaçado de morte por um agiota da zona leste de São Paulo, por conta de dívidas acumuladas das campanhas eleitorais para a presidência do Corinthians em 2020 e 2023.

As ameaças foram apresentadas ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) da Polícia Civil em uma denúncia anônima, em dezembro de 2024. No documento, o denunciante diz que Augusto Melo recebeu muitas doações nas duas campanhas eleitorais, dando a entender que os doadores seriam “empresários de jogadores de base; esse monte de MC; um empresário com atuação no futebol do time de São Bernardo do Campo, laboratório EMS, de Campinas; e um doleiro do Tatuapé”.

Segundo o inquérito policial, a denúncia diz que as doações foram tratadas como “dívidas” e foi asseverado que um agiota da zona leste paulistana estaria no “encalço de Augusto”, ameaçando-o de morte, caso o valor não fosse pago.

Outra parte da carta denunciante se refere ao mandatário afastado e ao seu grupo dizendo que “agora ele teria que pagar tudo o que havia recebido nas duas campanhas [2020 e 2023]. Se não pagar já sabe como os caras fazem”.

A carta ainda diz que Augusto Melo teve que usar colete a prova de balas em algumas ocasiões na zona leste porque o agiota que estava lhe ameaçando disse que iria lhe matar se não pagasse a dívida.

Em nota, a EMS informou que não tem relação com o Corinthians.

Pedido de indenização

Para o pagamento do prejuízo gerado ao Corinthians, no valor de R$ 40 milhões, o Ministério Público pediu que os denunciados paguem a mesma quantia à instituição.

Além disso, para que o valor seja pago em caso de determinação judicial, o Ministério Público também solicitou o sequestro de bens e valores dos denunciados no valor de R$ 40 milhões.


Veja a relação das pessoas físicas e jurídicas mencionadas no confisco dos bens:

  • Rede Social Media Design;
  • ACJ Plataform;
  • Carvalho Distribuidora;
  • Thabs Soluções Integradas;
  • Wave Intrmediações e Tecnologias;
  • Victory Trading Intermediação;
  • UJ Football Talent;
  • UJ Holding Patrimonial E Investimentos;
  • Augusto Pereira De Melo;
  •  Marcelo Mariano Dos Santos;
  • Sérgio Lara Muzel De Moura;
  • Alex Fernando André;
  • Victor Henrique De Oliveira Shimada;
  • Ulisses De Souza Jorge.

Indiciamento

A denúncia do MPSP vem após a Polícia Civil de São Paulo indiciar o presidente afastado do Corinthians, os ex-dirigentes Marcelo Mariano e Sérgio de Moura, o empresário Alex Cassundé e Yun Ki Lee, ex-diretor jurídico do clube alvinegro. Os quatro primeiros foram indiciados por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Já Yun Ki Lee foi autuado por omissão imprópria. O ex-diretor jurídico teve inquérito arquivado pelo Ministério Público.

Segundo o inquérito, o contrato entre Vai de Bet e Corinthians não foi intermediado por Alex Cassundé, sócio da Rede Social Media Design Ltda, conforme havia sido informado nos trâmites da negociação. A constatação foi feita a partir de algumas inconsistências nos depoimentos dos envolvidos, principalmente sobre o encontro que apresentou o mandatário afastado do Corinthians e Alex Cassundé.

O relatório policial aponta que os verdadeiros intermediadores do contrato firmado entre as duas partes, no valor de R$ 360 milhões foram Antônio Pereira dos Santos (conhecido como Toninho), Sandro dos Santos Ribeiro e Washington de Araújo Silva. “Isso nos está muito claro”, escreve a autoridade policial no inquérito.

O esquema criminoso, segundo a polícia, envolveu outras empresas laranjas Wave Intermediações, UJ Football e Victory Trading Intermediação.


Impeachment

  • Augusto Melo foi afastado do cargo de presidente do Corinthians depois do Conselho Deliberativo do clube aprovar, por 176 votos a 57 , o impeachment do mandatário.
  • Uma segunda votação, agora com votos do quadro associativo do clube, está marcada para agosto para decidir o afastamento definitivo ou não de Augusto Melo.
  • Com a saída de Augusto Melo, quem assumiu a presidência do Corinthians de forma interina foi o primeiro vice-presidente, Osmar Stabile.

 O que diz a defesa de Augusto Melo sobre denúncia

Em nota, a defesa de Augusto Melo, chefiada pelo advogado Ricardo Jorge, afirmou que recebeu a denúncia sem surpresa, visto que “uma investigação tão prolongada, mantida ativa por tanto tempo, apontava para o oferecimento de denúncia como desfecho natural, ainda que previsível”.

Apesar de já esperar o movimento da promotoria, o advogado disse que a denúncia carece de clareza e objetividade.

“Não há uma descrição cronológica coesa dos fatos que permita compreender, de forma técnica e precisa, qual seria a conduta delituosa imputada ao presidente.”

Além disso, definiu o documento como uma narrativa genérica e pouco fundamentada. Por fim, os advogados disseram que confiam “que a verdade será restabelecida no curso do processo, com o devido respeito aos direitos e garantias constitucionais do presidente Augusto Melo”.

O Metrópoles não localizou a defesa dos demais denunciados.


Quem é Augusto Melo

  • Augusto Pereira de Melo nasceu em 28 de janeiro de 1964 em Itambé, no Paraná.
  • Ele se mudou para São Paulo ainda jovem e mora na zona leste da cidade.
  • Augusto é empresário no setor têxtil e também é proprietário de quadras esportivas e estacionamentos.
  • É sócio do Corinthians há cerca de 40 anos.
  • Foi conselheiro do clube entre 2012 e 2017.
  • Augusto também foi assessor da base do futebol do Corinthians durante a gestão de Roberto de Andrade, quando a base conquistou Mundial Sub‑17 (2015), Taça BH (2015) e Copa do Brasil Sub‑17 (2016).
  • Em 2018, foi candidato a 2º vice na chapa “Corinthians Mais Forte” e ficou em 3º lugar com 803 votos.
  • Em 2020, concorreu à presidência do clube e recebeu 939 votos, ficando em 2º lugar, perdendo para Duílio Monteiro Alves, que teve 1081 votos.
  • Em 2023, candidato à presidência novamente; venceu com 2771 votos contra 1413 do segundo colocado.

 

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