Dependente químico é achado morto após desaparecer de clínica em SP
O homem desaparecido havia fugido da clínica de reabilitação onde estava internado. Ele fugiu com outro paciente, que foi encontrado em casa
atualizado
Compartilhar notícia

Um homem de 63 anos que era dependente químico e estava desaparecido desde o dia 12 de junho foi encontrado morto, nessa quinta-feira (26/6), em uma área de mata dentro da clínica de reabilitação onde estava internado, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A clínica afirma que o homem havia fugido com outro paciente do estabelecimento. A causa da morte ainda não está esclarecida.
De acordo com boletim de ocorrência, o paciente estava em tratamento para uso abusivo de cocaína na Associação Renovar Vidas, no bairro Itaquaciara. No dia do desaparecimento, ele teria se negado a participar de uma atividade em grupo proposta pela clínica e fugiu do local com outro homem, de 23 anos.
A filha do homem mais velho contou à polícia que foi avisada pela clínica sobre o desaparecimento e dirigiu-se ao local para retirar os pertences do pai. Ainda no mesmo dia, o outro paciente retornou à sua residência e a associação foi informada pela família.
Em nota ao Metrópoles, a clínica reforça que, conforme a RDC nº 29/2024, norma que regula o funcionamento das comunidades terapêuticas, “todo acolhido deve ingressar e permanecer na instituição por livre e espontânea vontade”. Além disso, a associação aponta que é proibido o trancamento de portas e portões e que a evasão é considerada um tipo de alta.
Buscas pelo desaparecido
Apesar da fuga ser considerada uma alta, após o registro do desaparecimento no dia 13 de junho, funcionários da clínica dizem que ajudaram nas buscas pelo paciente. Um funcionário afirmou que, ao perguntar para uma moradora da região, a mulher disse que conversou com o outro fugitivo, mas ele já estava sozinho.
Ainda de acordo com a clínica, três dias depois do sumiço do homem, um áudio foi enviado pelo acolhido de 23 anos à esposa dele. No áudio, o fugitivo mais jovem relatou que a fuga foi uma decisão sua e que o marido da mulher o acompanhou voluntariamente.
Ele afirmou ter ajudado o homem a atravessar a mata e o deixado nas proximidades da linha férrea com destino à cidade de Santos. A base da Guarda Ferroviária foi acionada, mas ninguém avistou os homens pelo local.
Encontrado morto em terreno da clínica
Quase 15 dias depois, nessa quinta-feira (26/6), o homem de 63 anos foi encontrado morto nos fundos da clínica, em uma área verde. Questionada, o estabelecimento afirma que as buscas foram prejudicadas pelo testemunho contraditório do jovem acolhido.
“Nossas buscas não foram bem-sucedidas em razão do local de difícil acesso e da divergência nas informações fornecidas, especialmente pelo áudio do acolhido de 23 anos que indicava um ponto distante da área onde o corpo foi localizado”, explicou a clínica.
Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que a Polícia Civil apura a morte do homem e aguarda resultados da perícia. Investigações visam o esclarecimento dos fatos.
O que diz a clínica
A clínica informou que, após 24 horas do desaparecimento, registrou boletim de ocorrência relatando os fatos. Alegou, ainda, que “as buscas não foram bem-sucedidas em razão do local de difícil acesso e da divergência nas informações fornecidas, especialmente pelo áudio do acolhido de 23 anos que indicava um ponto distante da área onde o corpo foi localizado”.
“Nossa instituição possui todas as licenças exigidas por lei, incluindo alvará sanitário, alvará de funcionamento, AVCB e equipe técnica completa. Somos uma associação sem fins lucrativos, que atua com transparência e respeito aos direitos dos acolhidos, como pode ser verificado em nossas avaliações públicas e redes sociais”, disse a clínica.
