Decisão de remanejar câmeras foi anterior à operação no litoral, diz PM
Coronel da PM diz que decisão de priorizar câmeras no policiamento de trânsito é anterior à Operação Escudo, que deixou 18 mortos no litoral
atualizado
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São Paulo — O coronel Pedro Luís de Souza Lopes afirma que a decisão de remanejar câmeras corporais para dois batalhões de trânsito da cidade de São Paulo é anterior à Operação Escudo da Polícia Militar no Guarujá e demais cidades da Baixada Santista, que deixou 18 mortos até o momento e é alvo de críticas.
“Não há relação entre uma coisa e outra. Não é a polêmica que vai determinar qual a prioridade da distribuição dos recursos disponíveis para a segurança do público em geral.”
Segundo Lopes, a decisão de se implementar as 400 câmeras nos dois batalhões de policiamento de trânsito da capital paulista foi embasada em estudo e testes, com prazo necessário para adaptação e capacitação dos policiais, entre outros.
“Há previsão contratual de 90 dias para que a empresa prepare um outro ambiente para que as câmeras possam ser implementadas de forma habitual no operacional”, diz. Segundo o governo estadual, foram realizados estudos durante quatro meses, antes da mudança.
Lopes também afirmou que não há prejuízo para as unidades de onde foram retiradas essas câmeras. Segundo o coronel, remanejamento de pessoal e perda de efetivo de alguns batalhões podem ter deixado uma quantidade ociosa de equipamentos de reserva.
O coronel não soube informar se Batalhões de Ação Especial de Polícia (Baeps), conhecidos como a “Rota do interior”, forneceram câmeras sobressalentes para o trânsito da capital. Esse tipo de unidade esteve envolvida em confrontos no litoral, desde a morte do soldado Patrick Reis, que desencadeou a Operação Escudo. “Tenho quase certeza absoluta que não, mas vou pedir relatório para a Polícia Militar de quais foram as unidades consideradas para essa lógica. Não tenho esse dado agora”, disse.
Segundo Lopes, é justificável, por exemplo, o fato de policiais do 3º Batalhão de Choque, que se envolveram em duas mortes durante a Operação Escudo, não contarem com câmera corporal, por exemplo, enquanto batalhões de trânsito dispõem agora dessa tecnologia — em mais de três anos, apenas uma pessoa foi morta por policial do trânsito, em serviço, na capital.
“O volume de contatos, de interações policial-comunidade, é infinitamente superior no policiamento de trânsito, se comparado, por exemplo, ao 3º Batalhão de Choque, que tem uma atribuição especificamente direcionada a controle de distúrbios civis [manifestações e protestos, por exemplo]”, disse. Lopes também afirmou que o uso das câmeras vai além do monitoramento de ações que terminem em confronto.
“Na minha humilde opinião, seria uma tremenda irresponsabilidade deixar de priorizar o Batalhão de Trânsito, considerando todas as suas métricas operacionais, para beneficiar o 3º Batalhão de Choque, sobre o pressuposto abstrato, de muito pouco potencial de comprovação, de letalidade”, afirmou.
Falhas e recursos
Questionado sobre o motivo de tantas falhas ou dificuldades das câmeras para captar imagens que definam o que de fato aconteceu em uma situação de suposto confronto, Lopes disse que qualquer conclusão é prematura.
“Uma amostra de 10, 16, 18 casos, dentro de toda a lógica desse equipamento, é insuficiente para generalizar alguma conclusão. Não dá para dizer que, se nesse contexto de 16 mortes eu tive um aproveitamento ‘x’, ele vai se aplicar em toda a estratégia, em todo o território estadual”
Sobre a destinação de R$ 11 milhões do programa de câmeras corporais para outras atividades, como diária de jornada extraordinária [Dejem, o bico oficial], Lopes disse que foi necessário em virtude da “crise de efetivo” [falta de PMs]. “Mas não significa corte. O programa câmera corporal está vinculado a um contrato e a administração pública tem que honrar esse contrato”, afirmou.

















