Crime no motel: suspeito tinha R$ 15 milhões em seguros no nome da vítima
Vítima possuía apólices de seguro de vida que variavam de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões em seu nome. Companheiro é suspeito e foi preso

São Paulo — O homem preso na manhã desta quarta-feira (28/10) por suspeita de envolvimento na morte de um jovem, de 21 anos, que foi encontrado sem vida dentro de uma banheira de um motel, havia contratado cerca de R$ 15 milhões em seguros no nome da vítima. O crime ocorreu na madrugada de 1º de outubro passado na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo,
Segundo apontam as investigações da Polícia Civil, o suspeito, identificado como Fernando Curti Tavares, teria matado o jovem, com quem era casado desde junho, para tentar recuperar os valores das apólices dos seguros de vida da vítima. Veja vídeo da prisão:
Os policiais descobriram que o jovem possuía mais de três apólices de seguro de vida em valores que variavam de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões em seu nome, com cláusulas especiais que dobravam a indenização em caso de morte acidental. Fernando Tavares era o único beneficiário de todas elas e teria acionado os seguros poucas horas após a constatação da morte do companheiro.
O advogado Adriano Scattini, especialista em fraudes contra seguros, acredita que, “se os fatos forem confirmados, o suspeito deverá ser indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe, ou seja, a intenção de benefício financeiro com as indenizações.”
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPMorto na banheira
De acordo com os registros policiais, a vítima foi encontrada morta por Fernando Tavares dentro de uma banheira de hidromassagem do motel. O companheiro chegou a acionar o Samu, que constatou a morte do jovem na madrugada do dia 1º de outubro. Inicialmente, a morte foi registrada como acidental.
Durante o atendimento da ocorrência, a Polícia Militar (PM) verificou que Fernando era a única pessoa presente na suíte do motel com a vítima. O casal deu entrada no motel às 22h do dia 30 de setembro e o suspeito efetuou o pagamento de uma pernoite no momento de check in.
Fernando contou aos agentes que ele e o jovem tiveram uma relação sexual dentro da banheira e que, ao fim desta, ele se ausentou do local para tomar um banho no andar de baixo da suíte, que era duplex. Após cerca de 20 minutos, o suspeito retornou e encontrou a vítima desacordada.

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No desenrolar das investigações, a polícia constatou que os elementos se mostraram incompatíveis com o relato de Fernando: foi verificado que na suíte do motel, a banheira se localizava em um mezanino separado por um vidro, e que era possível observá-la da porta do banheiro onde o homem tomava banho.
Uma das pessoas ouvidas pela polícia foi a mãe do jovem morto, que declarou que desconhecia qualquer relacionamento amoroso entre os dois, inclusive o casamento, e também não tinha conhecimento sobre os seguros de vida do filho.
Durante o plantão policial, ao saber que seu aparelho celular teria de ser apreendido, Fernando Tavares realizou um reset completo do dispostivo, restaurando-o às configurações de fábrica, movimento que despertou suspeitas para os policiais.
Laudo apontou suspeita de homicídio
O laudo necroscópico inicial apontou que a morte da vítima decorreu de afogamento, fato que causou estranheza já que a banheira do motel tinha uma profundidade menor que 70 centímetros. Posteriormente, segundo a polícia, foram reveladas lesões de defesa nos dedos, mãos e antebraços do jovem, ferimentos na cavidade oral e infiltrações hemorrágicas profundas no pescoço.
A principal hipótese é de que o jovem tenha sofrido violência física, contenção e compressão cervical antes de ser mantida submersa. ” Os elementos periciais indicam, em tese, uma dinâmica compatível com a imobilização e manutenção da vítima sob a água até a produção do resultado morte”, afirma o documento policial.
Diante dos fatos, a Polícia Civil apontou indícios de homicídio doloso, risco de fuga e comprovada destruição de provas, solicitando a prisão temporária do suspeito, além de busca e apreensão em seu endereço e extração de dados de seus equipamentos eletrônicos. O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
