Corregedoria investiga delegada que liberou assassino confesso da mãe

Policial não incluiu informação sobre homicídio em BO de flagrante de roubo e, por isso, Justiça liberou suspeito em audiência de custódia

atualizado

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Maurício foi preso após assaltar um banco
1 de 1 Maurício foi preso após assaltar um banco - Foto: Reprodução / Redes sociais

A Corregedoria da Polícia Civil investiga a atuação da delegada Maria Solange Baloni Bassi, que possibilitou para que a Justiça soltasse cautelarmente o estudante de Direito Maurício Roschel Gonçalves Garcia, de 28 anos (imagem em destaque), após ele ser preso em flagrante por roubo, em 20 de novembro, mesmo estando com o carro e o celular da própria mãe — assassinada por ele dias antes. A policial não foi encontrada pelo Metrópoles e o espaço segue aberto para manifestações.

No mesmo dia do flagrante, já no 101º DP (Jardim das Imbuias), Maurício confessou ter matado e queimado o corpo de Eliana Augusta Roschel Gonçalves, 61. Mesmo assim, foi solto após audiência de custódia, porque a informação sobre o assassinato não constava nos documentos, registrados por Maria Solange, encaminhados ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). O universitário permaneceu em liberdade por dois dias, até que outro delegado identificou a ligação do suspeito com um homicídio registrado oito dias antes.

O boletim de ocorrência do roubo foi finalizado pelo delegado André Bertin, em uma segunda edição. Ele não teria sido cientificado pela colega sobre a confissão do universirário. Como o BO obtido pela reportagem era a segunda edição, do flagrante iniciado pela delegada, o nome dela não constava no registro, mas do doutor André Bertin.  Por esse motivo, em uma primeira versão desta reportagem, o nome de ANdré constou como o responsável pelo registro. A informação foi atualizada, após fontes ligadas à Polícai Civil explicarem a situação ao Metrópoles.

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Estudante de Direito, Maurício passou cerca de dez dias utilizando o celular da mãe para não levantar suspeitas
A vítima era professora aposentada e foi morta pelo filho, aos 61 anos
Maurício foi preso após assaltar um banco
Familiares disseram que, há alguns anos, Maurício agrediu a mãe. Mas ela não registrou ocorrência por acreditar que ele mudaria
Maurício foi preso preventivamente e aguarda as investigações
Maurício Gonçalves Garcia, de 28 anos, empurrou a mãe durante a uma discussão e a deixou desacordada em casa
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Maurício Gonçalves Garcia, de 28 anos, empurrou a mãe durante a uma discussão e a deixou desacordada em casa

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Estudante de Direito, Maurício passou cerca de dez dias utilizando o celular da mãe para não levantar suspeitas
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Estudante de Direito, Maurício passou cerca de dez dias utilizando o celular da mãe para não levantar suspeitas

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A vítima era professora aposentada e foi morta pelo filho, aos 61 anos
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A vítima era professora aposentada e foi morta pelo filho, aos 61 anos

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Maurício foi preso após assaltar um banco
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Maurício foi preso após assaltar um banco

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Familiares disseram que, há alguns anos, Maurício agrediu a mãe. Mas ela não registrou ocorrência por acreditar que ele mudaria
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Familiares disseram que, há alguns anos, Maurício agrediu a mãe. Mas ela não registrou ocorrência por acreditar que ele mudaria

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Maurício foi preso preventivamente e aguarda as investigações
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Maurício foi preso preventivamente e aguarda as investigações

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O corpo de Eliana havia sido encontrado carbonizado em 12 de novembro, com as pernas arrancadas e o dedo indicador da mão esquerda amputado. Ela ainda não havia sido identificada naquele momento. O boletim relatava que o cadáver apresentava “indícios de esquartejamento” e partes separadas próximas ao corpo.

Roubo, confissão e liberdade

A situação mudou em 20 de novembro, quando Maurício foi detido pela Polícia Militar após assaltar um posto de combustíveis, em Parelheiros, extremo sul paulistano, dirigindo o Onix branco registrado em nome de Eliana. As vítimas o reconheceram, relatando que ele ordenou para que “passassem o dinheiro”. Na delegacia, Maurício confessou dois roubos e contou que havia passado a madrugada “fumando drogas” e circulando com outro dependente químico.

No flagrante, chefiado por André Bertin, o caso foi registrado apenas como roubo, sem relação com o homicídio anterior. Enquanto o universitário prestava depoimento sobre os roubos, familiares foram à casa de Eliana e encontraram manchas de sangue na cama e no sofá. Então acionaram a PM e foram ao 101º DP.

Diante da descoberta, Maurício admitiu o homicídio, relatando que empurrou a mãe durante uma discussão, quando estava sob efeito de drogas. Disse que ela caiu, bateu a cabeça no degrau perto do banheiro e morreu enquanto ele estava fora. Contou ainda que, ao retornar no dia seguinte, encontrou-a morta no sofá, cobriu o corpo com um lençol, colocou-o no carro e o levou até a Estrada Evangelista de Souza, na qual, segundo suas palavras, “desovou o corpo e ateou fogo”.

Isso não foi anexado ao boletim de ocorrência de roubo e, como a Justiça não foi cientificada sobre a confissão, o assassino confesso foi liberado após audiência de custódia.

Corrigindo o erro

Investigadores foram ao local indicado por Maurício no depoimento, que coincidia exatamente com o ponto onde o cadáver carbonizado havia sido encontrado em 12 de novembro. Foi somente a partir desse cruzamento que o delegado Tarcisio Gabriel Pereira Júnior, responsável por analisar o caso posteriormente, percebeu que se tratava do mesmo homicídio e representou pela prisão temporária do estudante, no dia 22.

A Justiça deferiu o pedido e Maurício foi detido no mesmo dia, quando se entregou à polícia. Ele foi levado ao Instituto Médico Legal e, depois, ao sistema carcerário.

A Corregedoria agora apura por que o flagrante, inicial de roubo, não considerou os sinais de que o indiciado estava ligado ao assassinato da mãe — tendo permanecido livre mesmo após confessar o homicídio, horas depois do assalto.

SSP

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) reiterou, por meio de nota, que a Corregedoria da Polícia Civil apura o caso por meio de um porcedimento adminitrativo disciplinar.

A pasta acrescentou que o homicídio é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

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