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Construtoras fogem de CPI e vereadores ameaçam com condução coercitiva

Pelo menos 14 executivos ligados ao setor imobiliário correm o risco de serem levados sob escolta policial à Câmara Municipal

atualizado

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Jessica Bernardo / Metrópoles
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1 de 1 imagem colorida mostra homem em pé com documentos na mão olhando para frente. ele está em uma sala com cortinas marrons e cadeiras amarelas. ao seu redor, outras pessoas também olham para frente - Foto: Jessica Bernardo / Metrópoles

Pelo menos 14 executivos ligados ao setor imobiliário correm o risco de serem levados sob escolta policial à Câmara Municipal de São Paulo para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga fraudes na venda de moradias sociais.

São empresários que têm faltado consecutivamente à CPI, com justificativas que vão desde problemas de agenda até questões médicas.

Na sessão desta terça-feira (9/12), os vereadores anunciaram que, caso os executivos faltem mais uma vez, a CPI solicitará a condução coercitiva dos depoentes à Justiça.

A lista de empresários que podem ser levados à força para a Câmara inclui nomes como Elie Horn, presidente da Cyrela, e Alexandre Lafer Frankel, presidente da Vitacon.

Como mostrou o Metrópoles, o empresário da Vitacon chegou a comparecer a uma sessão da CPI, mas saiu sem prestar depoimento, alegando uma questão pessoal.

Quem pode ser alvo da condução coercitiva

  • Elie Horn, presidente da Cyrela
  • Alexandre Lafer Frankel, da Vitacon Participações
  • Emilio Rached Esper Kallas, do Grupo Kallas
  • Henry Borenstein, da Helbor Empreendimentos
  • Fábio Elias Cury, da Cury
  • Adalberto Bueno Netto, da Benx
  • Ricardo Ribeiro Valadares Gontijo, da Direcional
  • Marcio Botana Moraes, da Even Construtora
  • Yorki Oswaldo Estefan, representante da Conx
  • Marcio Tiburcio Tibério, da Tibério Construções e Incorporações
  • Danillo Iran Soler, da Infinity Construtora e Incorporadora
  • Carlos Eduardo dos Santos, da Allegra
  • Carlos Alberto Bueno Netto, da M.A.R. Hamburgo Desenvolvimento Imobiliário
  • Juan Ramon Galan Garcia Salgado, da Vita Urbana

Prorrogação da CPI

Para o relator da CPI, Murillo Lima (PP), os executivos têm desrespeitado o colegiado e tentam “vencer a comissão pelo cansaço”.

Por causa da demora em receber os retornos das empresas e pela falta de alguns dados solicitados à Prefeitura de São Paulo, os parlamentares da comissão votaram nesta terça pela prorrogação dos trabalhos da CPI por mais 120 dias.

Apesar de ter sido aberta contra a vontade do prefeito Ricardo Nunes (MDB), a prorrogação da CPI das Habitações de Interesse Social (HIS) tem recebido o apoio da base do prefeito na Câmara.

“É nosso dever com a população, e nossa obrigação, fazer um relatório à altura de um tema tão importante quanto este”, afirma Murillo.

O que é investigado pela CPI

  • Desde 2014, a legislação municipal incentiva que construtoras façam Habitações de Interesse Social (HIS) e de Mercado Popular (HMP), voltadas a quem tem renda familiar de até seis e também de até 10 salários mínimos, respectivamente, em áreas valorizadas da cidade, próximas a estações de trem e metrô, por exemplo.
  • O objetivo seria aproximar a população mais pobre dos empregos e da infraestrutura urbana.
  • Para isso, construtoras que oferecem apartamentos do tipo HIS e HMP nos seus prédios ganham a possibilidade de construir empreendimentos mais altos, entre outros benefícios, sem pagar a mais por isso.
  • Na prática, no entanto, construtoras têm feito studios e vendido esses apartamentos para investidores, que, por sua vez, compram os imóveis com o objetivo de fazer o chamado “aluguel de curta duração” em plataformas como AirBnb.
  • Assim, vários empreendimentos ficaram vazios e tiveram seu uso desvirtuado da proposta original da política pública, não sendo ocupados pela população mais pobre.
  • O Ministério Público instaurou um inquérito para investigar o caso. E, este ano, a CPI também passou a apurar o desvio da política pública.

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