
Como desistência de Ricardo Salles impacta disputa ao Senado em São Paulo
Com o candidato do Novo fora da corrida ao Senado, os votos da direita ficam menos dividos. Entenda os efeitos nas urnas

A desistência de Ricardo Salles (Novo) na disputa ao Senado por São Paulo terá impactos no resultado das urnas. A sete dias das eleições, o candidato anunciou que não está mais no pleito, após uma campanha independente marcada por polêmicas, farpas e ataques aos adversários, sobretudo a André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Com Salles fora, a aposta no PL é de que Guilherme Derrite (PP) e André do Prado, da chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), se consolidem como favoritos na corrida ao Congresso. Em meio à direita menos dividida, há a possibilidade de desbancar Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas na chapa de Fernando Haddad (PT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por outro lado, membros da campanha de Tebet e Marina esperam que os eleitores se incomodem com a contradição da decisão, já que Salles, preterido anteriormente na chapa da direita, e André passaram toda a corrida se atacando mutuamente. Aliados das candidatas dizem nos bastidores que Salles “se vendeu ao Centrão”, que tanto critica.
A última pesquisa Datafolha, publicada na quinta-feira (23/9), mostrou Salles em quinto lugar na disputa, com 4% das intenções de votos. Em seguida, aparecem tecnicamente empatados Marina, com 15%; Tebet, com 14%; e Derrite e André, com 12% cada.
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Ver todasSegundo o cientista político Paulo Ramirez, a desistência de Salles pode ter sido motivado por um mal-estar causado pela tentativa do então candidato ao Senado de se descolar da parte do Centrão que apoia o bolsonarismo. “Gerou contestação dos próprios bolsonaristas. Ele [Salles] foi visto como alguém que pulou do barco, de alguma forma. Ele fez críticas, enumerando nomes, inclusive, de políticos do Centrão mais ligados a Bolsonaro”, destaca o especialista.
Salles também estaria sendo pressionado pelo próprio partido e outras alas bolsonaristas devido à fragmentação dos votos ao Senado nos candidatos de direita, o que facilitaria a vitória de Marina e Tebet.
“Diante das pesquisas, é um cenário que demonstra o Salles jogando a toalha, talvez muito pressionado por forças externas, mas ao mesmo tempo dentro do seu partido e de aliados do Flávio Bolsonaro, porque caso ele saia, e já saindo dessa candidatura, a tendência é que, pelo menos, um candidato bolsonarista seja eleito”, avalia Ramirez.
Para o cientista político, o eleitorado conservador de direita de São Paulo acabará concentrando os votos agora, principalmente, em Derrite. O especialista vê André do Prado como o mais fraco na disputa.
“A questão é saber se o eleitorado terá o reconhecimento, faltando poucos dias para as eleições, de que o Salles desistiu, de fato. Estamos no meio de outros escândalos. Não só do STF, mas também toda a questão que envolve as bets, a questão de Nossa Senhora de Aparecida também”, detalha.
Segundo o especialista, pode haver inclusive uma confusão entre os eleitores. “Pode criar um efeito no eleitorado de, pelo menos, aquele que votaria no Salles, ir até as urnas e digitar o seu número e mesmo encontrá-lo na urna, mesmo porque não há tempo para a exclusão, embora os votos não sejam validados. Favoreceria, no caso, até Tebet e Marina”, acrescenta.

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Ver todasDesistência de Salles após acordo com Tarcísio
A desistência de Ricardo Salles foi comunicada após reunião com Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Faz parte de acordo para favorecer as candidaturas de Guilherme Derrite e André do Prado, que também participaram do encontro.
“Nós estamos em um momento muito difícil para o país, um risco enorme de nós continuarmos nesse projeto extremamente equivocado que está nos levando para o buraco. Aqui em São Paulo, graças à liderança do governador Tarcísio, nós estamos relativamente confortáveis com uma grande possibilidade, creio eu, de vencermos no primeiro turno”, afirmou Salles.
“O momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes, têm que ser deixadas de lado […]. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, disse o ex-candidato do Novo.
O governador enalteceu a decisão: “Hoje a gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda a legitimidade para continuar na sua caminhada […] dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar”.



