Comando Vermelho aproveita brecha do PCC e já tem até líder em SP

Desinteresse do PCC pelo tráfico local, decorrente de comércio internacional bilionário de cocaína, abriu espaço para grupos rivais

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte/Metrópoles
CV e PCC
1 de 1 CV e PCC - Foto: Arte/Metrópoles

Com o abandono do Primeiro Comando da Capital (PCC) de territórios que comercialmente não interessam mais à organização criminosa, facções rivais, como o Comando Vermelho (CV), viram o caminho livre para expandir o comércio local de drogas em território paulista.

A região de Rio Claro, no interior de São Paulo, vivencia esse fenômeno, com a presença cada vez mais evidente da facção carioca, considerada a maior rival do PCC.

O município do interior paulista é, também, o principal território paulista frequentado por Leonardo Felipe Panono Calixto, o Bode, apontado como o líder do CV no estado de São Paulo — conforme investigação da Polícia Civil e levantamentos do Grupo de Investigação do Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Comando Vermelho aproveita brecha do PCC e já tem até líder em SP - destaque galeria
5 imagens
Carro com pistoleiros se aproxima, acompanhado por moto
Pistoleiros desembarcam já atirando contra alvos
Carro de pistoleiros é abandonado, com motor ligado, e batedor foge com moto
Comando Vermelho aproveita brecha do PCC e já tem até líder em SP - imagem 5
Membros do PCC conversam em terreno, ao lado de comércio
1 de 5

Membros do PCC conversam em terreno, ao lado de comércio

Reprodução/Câmera Monitoramento
Carro com pistoleiros se aproxima, acompanhado por moto
2 de 5

Carro com pistoleiros se aproxima, acompanhado por moto

Reprodução/Câmera Monitoramento
Pistoleiros desembarcam já atirando contra alvos
3 de 5

Pistoleiros desembarcam já atirando contra alvos

Reprodução/Câmera Monitoramento
Carro de pistoleiros é abandonado, com motor ligado, e batedor foge com moto
4 de 5

Carro de pistoleiros é abandonado, com motor ligado, e batedor foge com moto

Reprodução/Câmera Monitoramento
Comando Vermelho aproveita brecha do PCC e já tem até líder em SP - imagem 5
5 de 5

Reprodução/Câmera Monitoramento

Como afirmado pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, em entrevistas ao Metrópoles, o ingresso do PCC no tráfico internacional de drogas — principalmente por via marítima — rende bilhões por ano à maior facção do Brasil.

Dessa forma, a organização criminosa de São Paulo foi abandonando a venda “miúda” de drogas — feita por meio das bocas de fumo — e acabou deixando, paulatinamente, esse tipo de comércio nas mãos dos rivais.

Onda de violência

Mas antes de deixar definitivamente a região, como afirmado à reportagem por fontes policiais que acompanham o caso, o PCC assassinou e, ainda, pode executar mais aliados de Bode. A matança é uma retaliação às baixas já sofridas pela facção paulista.

Desde 2022, até o momento, são atribuídos ao menos 40 assassinatos à rivalidade entre o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho na região. Isso porque, como já mostrado pelo Metrópoles, o líder do CV teria ordenado o assassinato de integrantes do PCC, para demonstrar e impor poder.

Além dele, parte das execuções foi sofrida ou feita pela quadrilha de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, principal rival do PCC, até sua prisão, em maio de 2023 – que deixou o caminho livre para Bode assumir a liderança, agora respaldado pelo CV, com o qual Magrelo já mantinha relações comerciais.

O próprio Bode, ainda de acordo com a investigação policial, está jurado de morte e, por isso, estaria atualmente abrigado em um morro carioca.

“Braço direito”

Com a ausência dele, quem assume interinamente a liderança do CV é Luís Lopes Júnior, o Grão, apontado como o “braço direito” do chefão do CV. Ele também seria o responsável pela logística e concretização dos assassinatos.

Grão foi monitorado pelo setor de inteligência da Polícia Militar, o qual constatou diversas viagens feitas pelo criminoso ao Rio de Janeiro.

Antes de atravessar a divisa estadual, ele parava em uma chácara, em Hortolândia, no interior de São Paulo.

O levantamento policial constatou ainda que ele, durante os deslocamentos, seria responsável pelo transporte de drogas e armas.

Depósito e ponto de parada

A chácara na qual Grão parava, antes de ir para o Rio, pertence a Wilson Balbino da Cruz, o Japonês.

O imóvel rural, ainda de acordo com o levantamento, obtido pela reportagem, era um ponto estratégico para o CV em território paulista, usado até 20 de março deste ano, quando um mandado de busca e apreensão foi cumprido no local.

Equipes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), apoiadas pelo canil da corporação, deflagraram operação e apreenderam, na ocasião, 96 quilos de drogas — dos quais 66 quilos de cocaína –, duas espingardas, uma pistola e centenas de munições.

Familiares de Japonês que estavam na chácara foram conduzidos a uma delegacia da região, na qual o suspeito se apresentou, logo depois, e foi preso em flagrante.

O suposto parceiro de Bode e Grão segue atrás das grades, e a dupla de comparsas segue nas ruas até a publicação desta reportagem. A defesa deles não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?