Com medida protetiva, vítima trabalha no mesmo prédio que agressor

Justiça concedeu medida protetiva para empresária, mas agressor trabalha e circula em mesmo prédio comercial onde ocorreu violência

atualizado

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Mesmo depois de denunciar perseguição, invasão ao trabalho e ameaças explícitas, a empresária Karine Azerêdo Lima precisa frequentar, diariamente, o mesmo edifício comercial que abriga o escritório do ex-companheiro, o empresário Élvis Granemann de Souza, homem que ela aponta como seu agressor.

Mesmo com a Justiça reconhecendo o risco, concedeu medida protetiva à vítima, mas decidiu que o condomínio comercial não pode impedir a entrada dele. Por causa disso, Karine e o acusado seguem separados apenas por alguns andares, no exato local onde a violência aconteceu, no centro histórico da capital paulista.

Karine viveu 13 anos com Granemann. Em depoimento, descreveu um histórico de controle psicológico e financeiro que, segundo ela, se arrastou por todo o relacionamento. O ponto de ruptura veio em 9 de outubro deste ano, quando ela afirmou que o empresário invadiu a sala de trabalho dela, um ambiente que deveria ser seguro, neutro e profissional.

“Ele entrou na minha sala e começou a me humilhar e me ameaçar. Disse que ia tirar meu site do ar, porque está no nome dele e falou que ia colocar a guarda do nosso filho na Justiça”, diz trecho do relato.

O site citado é a fonte principal de renda da empresária. O domínio estar no nome do agressor se transformou na arma de Élvis Granemann contra a vítima. Ela afirma também que, após a invasão, recebeu mensagens no celular com intimidações.

No processo, obtido pela reportagem, aparece também o registro de que o ex companheiro escolheu outros alvos para perseguição. “Ele ameaçou um filho mais velho e funcionários dela.”

O Metrópoles encaminhou mensagens e tentou ligar para Granemann durante a manhã e tarde desta segunda-feira (17/11), mas sem sucesso. A defesa dele também não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

Medida protetiva

A Justiça determinou que Élvis Granemann não se aproxime de Karine a menos de 200 metros, não a contate por nenhum meio e seja intimado com possibilidade de prisão em caso de descumprimento.

Porém, a mesma decisão mantém os dois no mesmo edifício comercial, apenas em andares diferentes, distanciados por dois pisos. No local, os elevadores que ainda podem colocá-los cara a cara.

“Não posso trabalhar com o agressor circulando aqui [no mesmo ambiente de trabalho]”, afirmou a vítima.

Apesar disso, a Justiça manteve a permissão para que Granemann circule pelo mesmo prédio onde Karine, beneficiada pela medida protetiva, também trabalha e circula. Diante da ameaça concreta de reencontro, ela pediu com urgência para que o condomínio proibisse a entrada do ex no prédio.

A resposta da Justiça foi negativa. Na decisão, a juíza Tatyana Teixeira Jorge afirmou que a medida protetiva já concedida seria suficiente para resguardar a vítima, ressaltando que o condomínio não possui legitimidade para impedir o acesso de um condômino às dependências.

A magistrada também escreveu que seria “geometricamente possível” que Karine e Granemann não se cruzassem dentro do prédio e determinou que qualquer encontro ou aproximação indevida deveria ser imediatamente comunicado à polícia.

Para o especialista em segurança pública e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, o fato de Granemann poder transitar pelo mesmo prédio que a vítima “é inusitada”. “Essa situação [de permitir a circulação do suspeito] não é típico acontecer.”

“Deve ser levado em conta sempre a segurança da mulher. Sei que isso pode causar um transtorno na vida do sujeito, ter que procurar escritório em outro lugar, mas se ele não fosse acusado de ser um agressor de mulher, esse problema não iria se colocar. O objetivo é salvaguardar a mulher e não faz muito sentido estarem no mesmo prédio comercial, já que há medida protetiva. Hoje em dia dá para trabalhar online e a Justiça deveria levar isso em conta para proteger a mulher”, afirmou.

“Ficou de tocaia”

Karine afirmou ao Metrópoles que o ex, já impedido de se aproximar pela medida protetiva, “ficou de tocaia” próximo à casa dela. “Tive que chamar a PM para poder ir para casa.”

Além disso, a empresária acrescentou que recebeu e-mail e mensagens em redes sociais, por perfis criados supostamente pelo ex.

A pior situação, destacou, são os “encontros” que ele provoca nas proximidades do prédio comercial, onde ambos mantêm salas. “Já tive que me esconder em pontos comerciais [para evitar os encontros].”

Reinalds Klemps, que representa a empresária, afirmou que a cliente “está abalada e com medo de sair na rua” por causa das “ameaças e perseguições”. “O nosso escritório pediu a prisão do agressor por violação da medida protetiva e esperamos o quanto antes que ela seja deferida e traga paz para Karine.”

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