Césio-137: atriz de SP diz como se preparou para viver médica em série

Em Emergência Radioativa, Castilho interpreta Joana, médica que atua no atendimento às pessoas vítimas do acidente com o Césio-137

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Em Emergência Radioativa, Castilho interpreta Joana, médica que atua no atendimento às pessoas vítimas do acidente com o Césio-137 - Metrópoles
1 de 1 Em Emergência Radioativa, Castilho interpreta Joana, médica que atua no atendimento às pessoas vítimas do acidente com o Césio-137 - Metrópoles - Foto: Reprodução/ Netflix

A atriz Castilho, de São Paulo, é uma das protagonistas na nova minissérie da Netflix Emergência Radioativa, que retrata o acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987.

Inspirada na tragédia real, a produção estreada nessa quarta-feira (18/3) reconstitui o desastre que mobilizou cientistas, médicos e autoridades em uma corrida contra o tempo para conter a contaminação.

Na série, Castilho dá vida à Joana, médica que atua na linha de frente do atendimento às pessoas contaminadas e que estabelece uma conexão sensível e profunda com moradores e vítimas atingidos pela tragédia. Ao Metrópoles, ela revelou como se preparou para entender a tragédia do Césio-137 e conseguir dar vida à personagem.

Castilho se preocupou em compreender “para além das dimensões físicas do que a radiação causou nesses corpos, as dimensões psicossociais dessa tragédia e as dimensões das feridas emocionais dessas vítimas”. Para isso, ela contou com a ajuda de dois médicos.

“Para me debruçar com profundidade sobre essa história, com respeito às vítimas, eu fui atrás de referências bibliográficas, documentários e tive a consultoria e o apoio, durante todo o processo de construção dessa personagem, de dois médicos que puderam me ajudar. Então, a construção da minha personagem vai diretamente com as palavras integridade e dignidade”, disse.

Esta foi a primeira vez que a atriz interpretou uma médica em sua carreira. Ela sente que atravessou um território profundo sobre ética e responsabilidade para conseguir interpretar Joana. “A gente conseguiu encontrar um equilíbrio entre a humanidade íntima da personagem e a dimensão coletiva da tragédia”, explicou.

A paulistana também ressaltou que teve uma atenção técnica constante ao figurino durante as gravações, já que os médicos seguiram protocolos de proteção muito semelhantes aos da Covid, ou seja, com uso de máscara. Ela, então, teve o desafio de conseguir se expressar usando apenas o olhar, com precisão e economia de gestos.

Castilho avalia que o sentimento de injustiça social e indignação foram os eixos condutores da personagem.

Amor pela arte

Castilho admitiu ao Metrópoles que “sempre foi artista” e que “atuar foi e é consequência de seu amor pela arte”. Ela começou a fazer teatro aos 18 anos e, aos 20, passou a estudar cinema.

“Eu me apaixonei completamente pela arte da atuação quando eu estava no set de filmagem do longa-metragem Ana. Foi ali que eu entendi que era isso que eu queria para o meu caminho também: contar histórias, sonhar novos mundos, dar voz a personagens e seus silenciamentos históricos”, disse a atriz.

A artista ganhou destaque como co-protagonista do longa A Batalha da Rua Maria Antônia, dirigido por Vera Egito. No filme, Castilho vive Ângela, estudante e liderança no movimento contrário à ditadura militar, em uma narrativa que retrata o conflito, ocorrido nos dias 2 e 3 de outubro de 1968 entre estudantes da USP e do Mackenzie.

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Na série, Castilho dá vida à Joana, médica que atua na linha de frente do atendimento às pessoas contaminadas e que estabelece uma conexão sensível e profunda com moradores e vítimas atingidos pela tragédia
Ao Metrópoles, ela revelou como se preparou para entender a tragédia do Césio-137 e conseguir dar vida à personagem
A atriz Castilho, de São Paulo, é uma das protagonistas na nova minissérie da Netflix Emergência Radioativa, que retrata o acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987
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A atriz Castilho, de São Paulo, é uma das protagonistas na nova minissérie da Netflix Emergência Radioativa, que retrata o acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987

Duda Portella/ Material cedido ao Metrópoles
Na série, Castilho dá vida à Joana, médica que atua na linha de frente do atendimento às pessoas contaminadas e que estabelece uma conexão sensível e profunda com moradores e vítimas atingidos pela tragédia
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Na série, Castilho dá vida à Joana, médica que atua na linha de frente do atendimento às pessoas contaminadas e que estabelece uma conexão sensível e profunda com moradores e vítimas atingidos pela tragédia

Duda Portella/ Material cedido ao Metrópoles
Ao Metrópoles, ela revelou como se preparou para entender a tragédia do Césio-137 e conseguir dar vida à personagem
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Ao Metrópoles, ela revelou como se preparou para entender a tragédia do Césio-137 e conseguir dar vida à personagem

Duda Portella/ Material cedido ao Metrópoles

Para ela, a força de Ângela também a ensinou que, para exercer o ofício da atuação, é necessário ter muita resistência.

A atriz já havia participado de outras séries da Netflix anteriormente. Ela fez participações pontuais nas séries 3% e Sintonia, ainda em 2016. Em 2021, ela interpretou Vera, que faz parte do núcleo central da série Santo, que é uma produção da Netflix Espanha com a Netflix Brasil.

Ainda em abril deste ano, será possível ver Castilho em dois longas-metragens. Ela não deu detalhes sobre os filmes. No segundo semestre, ela está com projetos autorais no teatro.

Césio-137

Considerado o maior acidente radiológico da história do Brasil, o episódio começou quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de uma clínica desativada e levado para um ferro-velho. Dentro do equipamento, havia uma cápsula com Césio-137, material altamente radioativo e utilizado em tratamentos médicos.

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Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137
Menina de 6 anos foi uma das quatro pessoas que morreram por causa da contaminação com o material radioativo, há quase 40 anos, em Goiânia
Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Manchete do Jornal do Brasil sobre a tragédia
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Manchete do Jornal do Brasil sobre a tragédia

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Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
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Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez

Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
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Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137

Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137
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Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137

Reprodução/TV Anhanguera
Menina de 6 anos foi uma das quatro pessoas que morreram por causa da contaminação com o material radioativo, há quase 40 anos, em Goiânia
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Menina de 6 anos foi uma das quatro pessoas que morreram por causa da contaminação com o material radioativo, há quase 40 anos, em Goiânia

Reprodução/TV Anhanguera
Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
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Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia

Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Assim como mostrado na série, recipiente com Césio-137 ficou dias em uma cadeira na Vigilância Sanitária
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Assim como mostrado na série, recipiente com Césio-137 ficou dias em uma cadeira na Vigilância Sanitária

Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Maria Gabriela, tia de Leide e esposa de Devair Alves Ferreira, dono do ferro velho onde a cápsula de Césio foi aberta
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Maria Gabriela, tia de Leide e esposa de Devair Alves Ferreira, dono do ferro velho onde a cápsula de Césio foi aberta

Arquivo/Polícia Federal
Velório das vítimas
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Velório das vítimas

Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Local onde rejeitos do Césio foram depositados
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Local onde rejeitos do Césio foram depositados

Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Leide das Neves Ferreira tornou-se a vítima símbolo da tragédia. Ela tinha apenas 6 anos de idade
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Leide das Neves Ferreira tornou-se a vítima símbolo da tragédia. Ela tinha apenas 6 anos de idade

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Israel Batista trabalhava no ferro velho de Devair e manuseou, no local, a cápsula de Césio
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Israel Batista trabalhava no ferro velho de Devair e manuseou, no local, a cápsula de Césio

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Maria Gabriela, tia de Leide das Neves, também morreu. Ela e a sobrinha foram enterradas no mesmo dia, em Goiânia
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Maria Gabriela, tia de Leide das Neves, também morreu. Ela e a sobrinha foram enterradas no mesmo dia, em Goiânia

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Vítimas que morreram foram enterradas em túmulos especiais, com concreto reforçado
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Vítimas que morreram foram enterradas em túmulos especiais, com concreto reforçado

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Segundo lote concretado, no Setor Aeroporto, em Goiânia, onde ficava o ferro velho do Devair, que comprou as peças do aparelho que continha Césio
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Segundo lote concretado, no Setor Aeroporto, em Goiânia, onde ficava o ferro velho do Devair, que comprou as peças do aparelho que continha Césio

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Técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fazem monitoramento periódico no local
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Técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fazem monitoramento periódico no local

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Atualmente o terreno pertence ao estado e é monitorado para que não haja qualquer intervenção no local
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Atualmente o terreno pertence ao estado e é monitorado para que não haja qualquer intervenção no local

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Terreno isolado por concreto especial, no centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos atingidos pelo Césio-137
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Terreno isolado por concreto especial, no centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos atingidos pelo Césio-137

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Lote na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos homens que coletou o aparelho abandonando contendo a cápsula de Césio em 13 de setembro de 1987
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Lote na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos homens que coletou o aparelho abandonando contendo a cápsula de Césio em 13 de setembro de 1987

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Ao abrir o dispositivo, moradores encontraram um pó azul brilhante que despertou curiosidade. Sem saber do perigo, o material acabou sendo manuseado e compartilhado entre familiares e conhecidos, espalhando a contaminação por diferentes pontos da cidade.

A crise mobilizou uma grande operação de emergência. Mais de 100 mil pessoas passaram por exames para verificar exposição à radiação, enquanto equipes especializadas trabalhavam para localizar focos de contaminação e isolar áreas afetadas.

Quase quatro décadas depois, o acidente ainda é lembrado como um marco na história da saúde pública e da segurança nuclear no país. As imagens registradas na época ajudam a dimensionar o impacto da tragédia, que transformou a vida de moradores e deixou marcas duradouras na cidade.

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