
Caiado se lança como refúgio para bolsonaristas incomodados com Flávio
Ronaldo Caiado (PSD) lançou sua candidatura à presidência em São Paulo, com discurso recheado de ataques a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), lançou no domingo (26/7) sua candidatura à presidência da República, em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
O goiano se colocou como um candidato conservador, que não apresenta “surpresas” como Flávio Bolsonaro (PL). Por outro lado, o presidenciável do PSD comparou o aumento da dívida pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a “agiotagem”.
O discurso antipetista e “linha dura” na segurança pública com destaque às políticas de combate à violência contra a mulher atraem um eleitorado conservador, que se converteu ao bolsonarismo, mas sucumbiu a esse movimento principalmente após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a escolha do primogênito para sucedê-lo.
“É um discurso que combina com a direita não-bolsonarista”, disse ao Metrópoles o deputado federal da bancada evangélica Otoni de Paula (PSD-RJ), um dos presentes na convenção do PSD, que oficializou a chapa de Caiado ao lado de Gilberto Kassab (PSD), presidente do partido e candidato a vice.
O parlamentar se classifica como um “bolsonarista arrependido”. Otoni foi atraído pela captação do conservadorismo pela família Bolsonaro e pela força do bolsonarismo no seu reduto eleitoral: a baixada fluminense.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO deputado evangélico se afastou dos Bolsonaro após ser atacado pelo fato de seu filho integrar a gestão de Eduardo Paes (PSD), que será adversário do bolsonarismo na disputa ao governo do Rio de Janeiro.

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Ver todasCaiado e o 2º turno
Com 4% das intenções de voto, de acordo com o levantamento do Datafolha divulgado na sexta-feira (24/7), Ronaldo Caiado diz que é o único candidato que bateria Lula no segundo turno, embora não apresente dados sobre sua teoria.
No último Datafolha, Caiado pontua com 40% de votos em eventual 2º turno, mesmo patamar de Romeu Zema (Novo) e um pouco abaixo de Flávio Bolsonaro, que fez 43%. Contra o ex-governador de Goiás, o petista pontua 47%. A margem de erro da pesquisa é dois pontos para mais ou para menos.
Caiado aposta na baixa rejeição, porém, para se projetar. Segundo a mesma pesquisa, Flávio e Lula são os mais rejeitados, respectivamente, seguidos por Zema, Renan Santos (Missão) e Cabo Daciolo (Mobiliza).
Veja os números de rejeição:
- Flávio Bolsonaro (PL): 48%,
- Lula (PT): 46%
- Romeu Zema (Novo): 13%.
- Ronaldo Caiado (PSD): 12%
- Renan Santos (Missão): 12%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 12%
- Os dados são da pesquisa Datafolha apresentada na sexta-feira (24/7), com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos
“Renan (Santos) deve atrair a juventude. O grande sucesso do Caiado é que é o único que pode vencer Lula no 2º turno”, analisa Otoni de Paula, reproduzindo o discurso que o presidenciável do PSD havia feito horas antes, na capital paulista.
Indagado na coletiva de imprensa se apoiaria Flávio no segundo turno, Ronaldo Caiado driblou a pergunta e disse que irá para a rodada decisiva das eleições.
Críticas nominais a Lula e apelidos para Flávio
O presidenciável do PSD não poupou críticas a Lula e a Flávio. No entanto, os ataques contra o presidente foram nominais, citando o petista.
Já, quando falava do filho de Jair Bolsonaro, embora deixasse claro sobre quem estava se falando, o candidato evitou citá-lo, e optou por chamá-lo por apelidos como “candidato kinder ovo”.
O “agiota” e o “kinder ovo”
No lançamento de sua candidatura, Caiado deu a alcunha de “agiota maior” do país para Lula. Já Flávio ganhou o apelido de “candidato kinder ovo”.
“A que ponto chegou o país hoje?”, questionou Caiado. “Um país endividado, sem saber o que fazer. Um país que foi induzido a tomar dinheiro emprestado e, daí a pouco, o agiota maior do Lula cobra uma taxa de 14% do cidadão brasileiro”, disse em referência à taxa de juros, definida pelo Banco Central.
O presidenciável do PSD também criticou o programa Desenrola, do governo federal, e afirmou que Lula faz “cortesia com o chapéu alheio”.
Já em relação a Flávio, Caiado usou o apelido “candidato Kinder Ovo” para se referir ao adversário e afirmou que o senador traz “uma surpresinha todo dia”.
O goiano disse também que a chegada do filho 01 de Bolsonaro ao segundo turno seria benéfica para Lula e mencionou a crise de imagem de Flávio por envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Principais pontos dos discursos
- Ronaldo Caiado focou na “segurança pública” em um discurso voltado ao punitivismo. Para o tema, o goiano já tentou emplacar o primeiro slogan de campanha, afirmando que o Brasil iria sentir “a mão pesada de Caiado”.
- Gilberto Kassab fez pouco caso da falta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao evento. Há seis meses, Kassab integrava o governo paulista, mas o desembarque foi conflituoso com a saída do vice de Tarcísio, Felício Ramuth, do PSD, que se filiou ao MDB.
- Caiado quis passar a impressão de um político experiente e tradicional, lembrando que foi candidato em 1989, primeira eleição pós-ditadura, quando competiu pela primeira vez contra Lula.
- O único deputado estadual a discursar foi o ex-tucano e deputado estadual Barros Munhoz (PSD). O parlamentar é um decano dos tempos áureos do PSDB paulista.
- Ao ironizar as “surpresinhas” de Flávio Bolsonaro (PL) no escândalo do Banco Master, Caiado sinalizou que irá se posicionar como um candidato capaz de dar segurança, estabilidade e previsibilidade à população.
- A escolha por não citar Flávio pelo nome pode ter efeito duplo: não dar audiência a um candidato que disputa a mesma fatia do eleitorado e reduzir a artilharia petista, com cortes e vídeos dos ataques, numa eventual aliança no segundo turno.
- O deslize ao falar que o povo baiano pode ser “alforriado” com sua eleição mostrou uma associação indelicada à escravidão e indicou para uma provável barreira geográfica da candidatura: conquistar votos no Nordeste.























