Vorcaro e Zettel ficam isolados por 10 dias em presídio no interior
Dono do Banco Master e o cunhado foram transferidos para Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, e estão em regime de observação
atualizado
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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, presos nessa quarta-feira (4/3), na terceira fase da Operação Sem Compliance, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça, foram transferidos para a Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, na manhã desta quinta (5/3). Ambos permanecem isolados por 10 dias, conforme todos os custodiados que dão entrada no sistema prisional paulista, conforme apurado pelo Metrópoles.
Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), todos os custodiados que ingressam no sistema prisional permanecem, por até 30 dias, em Regime de Observação. Esse período é destinado ao processo de inclusão e adaptação do preso para a convivência com os demais internos da unidade.
Entenda o período de isolamento
O período de inclusão, que prevê isolamento de 10 dias do custodiado, é um procedimento comum adotado pela SAP para entrada de presos no sistema prisional.
Neste regime, o custodiado fica separado do convívio da unidade, em um espaço com acesso somente para policiais penais, para o diretor geral da unidade e para a defesa. Segundo portaria da pasta, visitas previstas no rol do custodiado também são permitidas, com limite de duas horas de duração.
Também é na inclusão que o preso passa por revista e higienização pessoal, recebe um corte de cabelo padrão e tem barba e bigode raspados. Além disso, é neste momento que o custodiado recebe o uniforme da unidade prisional – camiseta branca e calça bege.
O banqueiro estava detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos desde a tarde da última quarta, após ter a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal (PF). A defesa do empresário nega as acusações (leia abaixo).
Zettel e Vorcaro foram levados juntos para Potim. Outros dois suspeitos de operarem suposta “milícia privada” a mando de Vorcaro para intimidar adversários e jornalistas também foram presos.
Ambos passaram a noite em regime de observação, em Guarulhos. O procedimento faz parte da inclusão ao sistema prisional, no qual o preso passa por revista e higienização pessoal e recebe um corte de cabelo padrão, além de ter barba e bigode raspados. Também é nessa fase que o custodiado recebe o uniforme da unidade prisional – camiseta branca e calça bege.
Na manhã desta quinta, contudo, Vorcaro e Zettel foram transferidos para a penitenciária II de Potim, no interior paulista. A unidade foi inaugurada em 2002 e abriga presos em regime fechado.
Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa do dono do Banco Master informou que o cumprimento do mandado de prisão preventiva ocorreu “sem que a defesa tivesse acesso prévio aos elementos que fundamentaram a medida”. Os representantes acrescentaram que Vorcaro sempre esteve à disposição das autoridades e que segue colaborando com as investigações.
O banqueiro já havia sido preso pela PF na noite de 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior após anunciar a venda do Master para um fundo. No entanto, ele foi solto 11 dias depois e deixou a cadeia usando tornozeleira eletrônica.
Operação contra esquema bilionário
A terceira fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central.
As ordens de afastamento têm como alvo dois servidores do Banco Central (BC). São eles: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana. Ambos estavam afastados das funções pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo.
Alvos da nova fase da operação da PF
Prisão preventiva:
- Daniel Vorcaro, apontado pela PF como líder de milícia privada que atuava para intimidar e coagir adversários e agentes públicos.
- Fabiano Zettel, que manteve atuação direta e reiterada em apoio às atividades desenvolvidas pelo cunhado Daniel Vorcaro.
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços com o dono do Banco Master, atuando como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, identificado como integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimação vinculada ao grupo liderado por Vorcaro.
Medidas cautelares, como o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens:
- Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC. Atuava informalmente em favor dos interesses da instituição financeira submetida à supervisão da própria autarquia com a qual mantinha vínculo funcional.
- Belline Santana, ex-servidor do Banco Central. Atuava como uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro em relação a temas da autarquia.
- Leonardo Augusto Furtado Palhares, responsável pela empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal. Atuava na formalização documental de instrumento contratual utilizado no contexto das tratativas mantidas entre integrantes do grupo investigado.
- Ana Claúdia Queiroz de Paiva, sócia da empresa Super Empreendimentos. Participava da realização e gestão de transferências financeiras destinadas a custear atividades desempenhadas por integrantes da milícia privada.
Foram determinadas, ainda, ordens de afastamento de cargos públicos, bem como sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.














