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São Paulo

PCC: alvo dos EUA foi condenado por transferir R$ 35 milhões em 11h

Victor Shimada e a empresa dele foram alvos da sanção do governo de Donald Trump por suposto elo com o PCC no Brasil e nos Estados Unidos

01/07/2026 14:07
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Arte/Metrópoles
PCC tem social media e cria “corregedoria” para vigiar integrantes

Um dos brasileiros sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos nesta quarta-feira (1º/7) por vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Victor Henrique de Oliveira Shimada foi condenado pela Justiça Federal de São Paulo em 2025 após receber R$ 35 milhões de uma conta do Banco Votorantim por meio de 2.799 transferências feitas em apenas 11 horas.

Segundo a sentença do juiz Massimo Palazzolo, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, o dinheiro foi transferido para uma conta em nome da empresa Victory Trading, que pertence a Shimada e também foi alvo da sanção do governo de Donald Trump. Como mostrou o Metrópoles, a Victory é alvo da investigação por suspeita de desvio de dinheiro no escândalo da Vai de Bet no Corinthians.

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Shimada chegou a ser preso em dezembro de 2024 e solto menos de um mês depois. O Ministério Público o denunciou por furto qualificado e lavagem de dinheiro. Na denúncia, o órgão afirmou que Shimada utilizou sua empresa para “aplicar o dinheiro espúrio em atividades financeiras, notadamente na compra de criptomoedas, com o escopo de ocultar e dissimular a origem dos recursos obtidos maneira ilícita”. Ele alegou ser inocente.

Em julho de 2025, o juiz o absolveu da acusação de furto qualificado e o condenou a 3 anos de prisão por lavagem de dinheiro. O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa de Shimada. O espaço segue aberto para manifestação.

Sanção dos EUA

Sem citar nominalmente o Corinthians, o governo americano lembrou que Victor Shimada, dono da Victory Trading, foi preso em janeiro de 2025 pela Polícia Federal (PF) por “lavar dinheiro ilícito de um clube de futebol brasileiro em um esquema fraudulento de patrocínio”.  Shimada foi solto duas semanas depois.

Embora a Polícia Civil paulista tenha conduzido o inquérito principal do caso Vai de Bet, a PF e agências internacionais atuam em paralelo devido à infraestrutura transnacional da fraude.

As investigações sobre lavagem de dinheiro no clube paulista tiveram origem na delação de Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

A Victory Trading era usada como uma empresa intermediária que fazia parte da teia usada para dificultar o rastreio dos valores.

Segundo o governo americano, a rede de lavagem de dinheiro do PCC alvo da sanção operava a partir de dois locais principais: Flórida (EUA) e São Paulo.

Em janeiro de 2026, o FBI prendeu seis membros do grupo sediado na Flórida por suspeita de lavagem de dinheiro. Esse grupo, de acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA, era liderado por Victor Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que também foi alvo da sanção.

“Shimada, que reside em São Paulo, tem sido um elo fundamental entre os agentes do PCC baseados na Flórida e traficantes de drogas estrangeiros”, afirma o Departamento do Tesouro dos EUA.

Segundo o órgão, Shimada e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos gerados em diversas cidades dos Estados Unidos e arredores, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome do PCC. Shimada também se envolveu em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico.

Relembre o caso Vai de Bet

Em janeiro de 2024, o Corinthians anunciou o patrocínio da empresa de apostas Vai de Bet, no valor de R$ 370 milhões, por três anos. Essa foi uma das primeiras medidas da gestão do ex-presidente corintiano Augusto Melo.

Meses depois, os investigadores descobriram que parte desse valor, cerca de R$ 25 milhões, seria transferido a uma empresa intermediária.

Esse montante percorria a uma teia de empresas até chegar a UJ Football, companhia criada para representar atletas e citada por Gritzbach na delação contra o PCC.

Veja quem são os alvos de sanção dos EUA

As sanções aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos nesta quarta-feira (1º/7) tiveram como alvo dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa supostamente ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com a decisão, todos os bens e ativos pertencentes aos alvos no país ficam bloqueados, e cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de fazer negócios com eles. Caso instituições financeiras estrangeiras continuem a realizar transações com os alvos, ficam sujeitas a sanções secundárias.

  • Victor Henrique de Oliveira Shimada — sócio de empresa investigada por envolvimento em escândalo no Corinthians. É apontado pelo Departamento do Tesouro como “elo fundamental” com agentes do PCC. Segundo o comunicado do órgão americano, teria lavado mais de US$ 30 milhões em diversas cidades dos Estados Unidos.
  • Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira — descrita como “parente” de Shimada e atuaria como uma espécie de “secretária” e “intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro”. De acordo com o Departamento do Tesouro, ela “fornece serviços logísticos essenciais” para a rede de lavagem de dinheiro.
  • Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda
  • Wave Construções Inteligentes Ltda
  • Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda (Portugal)