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Afastamento de diretores em SP é ilegal e prejudica escolas, diz MPSP

Parecer do MPSP critica critérios adotados pela Prefeitura ao afastar 25 diretores em maio, alegando baixo desempenho em índices da educação

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Prefeitura de SP/Divulgação
volta às aulas calendário escolar sp
1 de 1 volta às aulas calendário escolar sp - Foto: Prefeitura de SP/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) emitiu, na última sexta-feira (4/7), um parecer contrário ao afastamento de 25 diretores de escolas municipais de São Paulo, alegando que a ação da Prefeitura é ilegal e causa prejuízos às comunidades escolares envolvidas.

A manifestação foi anexada à ação civil pública movida pelo Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público do Município de São Paulo (Sinesp) contra a gestão de Ricardo Nunes (MDB). A promotoria opinou pela concessão da tutela de urgência da ação.


Entenda o afastamento de diretores de escolas


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Alunos observam professora em escola municipal
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De todas as diretorias regionais de ensino, a maioria ocorre no interior (55,93%) e na capital (24,31%)
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Sala de aula de escola municipal
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De todas as diretorias regionais de ensino, a maioria ocorre no interior (55,93%) e na capital (24,31%)

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Estudantes em escola municipal de São Paulo
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Estudantes em escola municipal de São Paulo

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De acordo com a promotora Fernanda Peixoto Cassiano, há “ausência de base técnica para consideração isolada desses índices como aptos a indicar o desempenho das unidades escolares”. Além disso, ela afirma que o afastamento viola “o princípio da impessoalidade da Administração Pública”, bem como “desrespeita a Lei Municipal 14.660/2007”, que consolida o Estatuto do Magistério Municipal.

A carga horária do curso de requalificação totaliza de 96 a 120 horas por mês, correspondendo de 66,6% a 83% da jornada de trabalho de 36 horas semanais previstas na lei municipal.

Para Cassiano, isso significa que a diretoria ficará fora de sua escola por mais da metade da sua jornada de trabalho, trazendo prejuízos à comunidade escolar, “que estará sujeita a desarranjos administrativos e até mesmo pedagógicos pela impossibilidade de contato e articulação permanente com sua figura de liderança”.

A promotora ainda sugere que o desempenho insatisfatório de um diretor deve ser solucionado com um plano individual, que leve em consideração as peculiaridades de cada unidade escolar.

“Malgrado o dispositivo em questão não tenha ainda sido regulamentado, fica evidente que ele estabelece a necessidade de apuração das peculiaridades de cada unidade escolar – nos aspectos pedagógico, cultural, socioeconômico, etc – e do próprio diretor de escola com vistas a individualizar ações formativas para o aprimoramento do processo ensino-aprendizagem”, afirma.

“Não é o que ocorre no caso, em que 25 diretores, a despeito de liderarem comunidades escolares de realidades bastante diversas entre si, estão submetidos à mesma ação formativa, sem prévia elaboração de planos adequados às peculiaridades de suas unidades escolares.”

O que pede a ação

Na ação civil pública movida pelo Sinesp, o sindicato requer que a Prefeitura se abstenha de editar qualquer ato administrativo que implique no afastamento dos diretores de escola, coordenadores pedagógicos e outros servidores públicos da rede municipal de educação das suas unidades escolares e locais de lotação e atribuição, anulando os efeitos, eficácia e aplicabilidade da convocação para o curso de requalificação.

O Sinesp alega que os diretores de escola da rede pública municipal de ensino vêm sendo “assediados moralmente” e “constrangidos” por meio de convocações para participarem de curso de formação e reciclagem.

“Essas convocações são feitas de modo arbitrário, sem apresentação de fundamentação ou dos critérios utilizados para a seleção dos profissionais escolhidos, que são obrigados a deixar de exercer as suas funções nas suas unidades de lotação para participarem do curso, com duração aproximada de um ano, realizado nas instalações das diretorias regionais de educação”, diz o texto.

O que diz a Prefeitura

Em nota ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que não foi informada sobre a manifestação do Ministério Público.

No texto, a Prefeitura diz que “reafirma seu compromisso com a melhoria da aprendizagem e o fortalecimento da gestão pedagógica isenta na rede municipal de ensino”. “A seleção das 25 unidades prioritárias para o Programa Aprimorando Saberes seguiu critérios técnicos e transparentes, com base principalmente nos indicadores do Ideb 2023”, alega a administração municipal.

“Para escolas sem esse índice, por participação inferior a 80% nas provas, foi utilizado o Índice de Desenvolvimento da Educação Paulistana (Idep) de 2023. Outro critério foi a permanência mínima de quatro anos dos diretores no cargo. A seleção considerou os resultados dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. Das 25 unidades, 16 foram selecionadas pelos índices dos anos iniciais (11 pelo Ideb e 5 pelo Idep) e 9 pelos anos finais (1 pelo Ideb e 8 pelo Idep). Todas essas escolas não atingiram as metas do Ideb nas duas últimas edições”, diz.

A SME reitera que todos os gestores seguem com cargos e salários mantidos. “Desde o início da formação, em 9 de junho, os diretores já cumpriram 106 horas de atividades. A formação está sendo desenvolvida em 10 siretorias Regionais de Educação (DREs), que coordenam as atividades pedagógicas. Diariamente, as formadoras apresentam pautas e propostas alinhadas ao projeto, com acompanhamento da supervisão escolar.”

De acordo com a pasta, a programação inclui temas sobre gestão, textos e discussões, desenvolvidos gradualmente conforme o cronograma. “As formadoras acompanham os diretores de forma próxima, propondo reflexões diárias que estimulam um olhar sensível à realidade de cada escola. Com base no contexto local, os diretores são incentivados a elaborar projetos alinhados às necessidades da comunidade e às diretrizes da SME.”

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