Careca do INSS usou Land Rover de amigo para pagar ex-advogado
Preso na Papuda, o lobista conhecido como Careca do INSS teve dificuldade para pagar o advogado Cleber Lopes, que o defendeu na CPMI do INSS
atualizado
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Apontado como um dos principais operadores do esquema bilionário de descontos indevidos sobre aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, utilizou a Land Rover de um amigo para pagar honorários ao advogado Cleber Lopes, que deixou a defesa dele recentemente.
Lopes (à direita na foto em destaque) acompanhou Antunes durante o depoimento dele à CPMI do INSS, aberta para investigar o escândalo dos descontos indevidos revelado pelo Metrópoles. A audiência ocorreu no fim de setembro, durou cerca de 10 horas e chegou a ser suspensa após discussões entre o advogado e parlamentares da comissão.
Segundo o advogado, Antunes teria tido dificuldades em arcar com os custos advocatícios e, por isso, recorreu a um amigo, cujo nome não foi revelado, para ajudar a pagar seu defensor por meio da transação de uma Land Rover. O Careca do INSS está preso desde setembro.
“Esse carro, na verdade, era de um amigo dele. Eu conheci a pessoa e a pessoa estava ajudando ele [Antunes] porque ele estava com dificuldade de pagar honorários. Era um amigo que se dispôs a ajudar e para, ajudá-lo naquele momento, eu recebi o carro”, disse Lopes ao Metrópoles. “Na verdade, esse amigo dele vendeu o carro e emprestou o dinheiro para ele. Foi mais ou menos isso”, completou.
A transação envolvendo a Land Rover chegou ao conhecimento da Polícia Federal (PF). Ao Metrópoles, Lopes negou ter recebido a Land Rover em seu nome e não quis revelar o verdadeiro dono do veículo. Ele também afirmou que o afastamento da defesa de Careca no INSS não teve relação com o carro. Segundo Lopes, o motivo foi um negócio imobiliário omitido pelo cliente.
“O relatório da investigação trouxe algumas informações sobre algumas movimentações de patrimônio, um prédio que ele estava vendendo, e que eu não conhecia essas informações, e eu estava dizendo para delegado algo diferente. E aí, eu me senti desconfortável e resolvi sair”, justificou o advogado.
Lopes deixou a defesa de Antunes no último dia 20 de outubro. Na semana seguinte, o lobista foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele estava preso na Superintendência da PF, também na capital federal, desde 12 de setembro, quando foi detido em um desdobramento da Operação Sem Desconto, deflagrada com base nas fraudes de descontos de aposentadorias reveladas pelo Metrópoles. A atual defesa de Antunes disse que desconhece a transação envolvendo a Land Rover.













