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Advogado de chefões do PCC mortos com 100 facadas é alvo de ação da PF

Denúncia do MPF aponta que o advogado Anderson Domingues teria ajudado na negociação para o resgate de sócio de Marcola em país africano

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Homem branco, com terno e gravata - Metrópoles
1 de 1 Homem branco, com terno e gravata - Metrópoles - Foto: Reprodução/OAB

O advogado Anderson dos Santos Domingues foi denunciado pelo Ministério Público de Federal (MPF), no âmbito da Operação Mafiusi, como membro atuante do Primeiro Comando da Capital (PCC), para o qual prestava serviços como advogado e, também, extrapolando suas atribuições jurídicas.

Entre elas estaria o auxílio nas negociações para tentar resgatar Gilberto parecido dos Santos, o Fuminho — sócio e braço direito de Marcola, líder máxima da facção — quando o criminoso estava preso em Moçambique, na África, após 21 anos foragido da Justiça brasileira.

Investigação da Polícia Federal (PF), obtida pelo Metrópoles, afirma que o advogado, também conhecido como “DR”, auxiliou na execução do plano de resgate de Fuminho ao repassar ordens do sócio de Marcola para Willian Barile Agati, o “concierge” do PCC.

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Fuminho, líder do PCC, é preso em Moçambique
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Fuminho ficara no Paraná até ser transferido para outra unidade
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A Operação Mafiusi, na qual o advogado foi incluído, revelou a relação comercial de membros do PCC com a máfia italiana ‘Ndrangheta no tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro.

Anderson dos Santos foi denunciado pelo MPF em março desse ano. A Promotoria, conforme documento da PF, aponta o advogado como peça importante para a continuidade das atividades da facção, “extrapolando suas funções de advogado”.

O advogado, agora investigado como suposto membro do PCC, contribuiu — ainda segundo denúncia do MPF — na destruição de documentos, celulares, além de atuar “ativamente” na negociação de propinas para o Deusdete Januário, cônsul honorário de Moçambique na ocasião, para impedir a extradição de Fuminho para o Brasil.

Os esforços foram em vão. Fuminho, preso em Moçambique em 13 de abril de 2020, foi extraditado para o Brasil, em um avião da Força Aérea (FAB), seis dias depois.

A defesa de Anderson, assim como o advogado, não foram localizados até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Defensor de chefões mortos

DR era advogado de Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, e Reginaldo Oliveira de Sousa, o Rê.  Ambos de 48 anos, foram mortos com pelo menos 101 punhaladas, segundo laudo necroscópico.

Nefo e Rê foram executados dentro da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, considerada de segurança máxima no interior paulista, em junho do ano passado. Segundo a investigação, as mortes foram cometidas por quatro presos ligados ao PCC – todos com histórico de homicídios e comportamento carcerário considerado péssimo.

De acordo com a perícia, os dois chefões da facção foram vítimas de esgorjamento (corte na parte da frente do pescoço), sofreram dezenas de outras perfurações, principalmente na região do abdômen, e morreram de hemorragia. Em Rê, o médico legista encontrou 57 lesões. Já em Nefo, foram ao menos 44 perfurações.

Os assassinatos foram cometidos com um canivete e um punhal artesanal. Os líderes do PCC respondiam na Justiça pelo plano contra o senador Sergio Moro (União-PR).

Quem é Fuminho

Investigações sobre o PCC apontam que Fuminho tem ligações com a ‘Ndrangheta, a máfia da Calábria, na Itália, e controlava parte do esquema para escoar cocaína para a Europa a partir do Porto de Santos, no litoral paulista.

Segundo investigadores, o narcotraficante mantém relação próxima com Marcola, de quem é amigo de infância, e esteve diretamente envolvido no plano cinematográfico para resgatar o chefão do PCC da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, em 2018.

À época, o MPSP levantou que o criminoso havia formado um exército de homens treinados em suas fazendas na Bolívia e contava até com soldados africanos, experts em armas pesadas.

O narcotraficante foi denunciado, ainda, por ser o mandante das execuções de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, integrantes da mais alta cúpula do PCC, que foram vítimas de uma emboscada em Aquiraz, na Grande Fortaleza, em fevereiro de 2018. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), no entanto, o absolveu dessa acusação.

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