Do estúdio em Jundiaí à 1ª sala iMax do país: conheça os irmãos Abdala
Os irmãos André e Salomão, os Abdala Brothers, lançaram, nessa quinta-feira (30/4), o 1º iMax brasileiro, 2DIE4: 24 Horas no Limite
atualizado
Compartilhar notícia

Apesar de nascidos em Teófilo Otoni, em Minas Gerais, foi em Jundiaí, no interior de São Paulo, que começou a carreira dos irmãos André e Salomão Abdala. Esta semana, a dupla passou a ser nacionalmente conhecida ao lançar o primeiro filme brasileiro produzido no formato iMax, 2DIE4: 24 Horas No Limite.
O formato de altíssima resolução e imersão utiliza telas gigantescas, projetores especiais a laser ou 70mm, e sistemas de som surround avançados. O média-metragem criado pela dupla acompanha o piloto brasiliense Felipe Nasr na corrida de Le Mans, na França.
Em entrevista ao Metrópoles, os irmãos contaram que o prêmio de um sorteio – uma câmera GoPro – deu início à trajetória da dupla no cinema, em 2013. Foi com o equipamento que eles passaram a filmar vídeos de ação e criaram a produtora que leva o sobrenome da família: a Abdala Brothers.
Fazer sucesso com os comerciais foi o primeiro passo. Mas ainda faltava realizar o sonho de gravar um filme.
“A gente cresceu no mundo publicitário, só que o nosso sonho sempre foi fazer filmes e a gente sabia que um dia a gente ía ter que botar a cara a tapa e colocar o nosso dinheiro onde a nossa boca estava”, brincaram.
E tinha que ser sobre algo que fizesse sentido: “Nós sempre fomos muito motivados pela história de um artista obcecado. Isso é cinema pra gente. Eu quero ser o melhor no que eu faço e o piloto de corrida tem um plus: ele está arriscando a vida dele, da mesma forma como o artista obcecado. Então, a gente queria mostrar esse lado do piloto de corrida, não como o tradicional que você já vê. A gente queria mostrar o piloto real, como um ser humano. Para o público ter uma experiência que nunca teve em uma tela de cinema”.
2DIE4
Sem a verba milionária que filmes de corrida costumam demandar, eles decidiram gravar a “vida real”. Daí veio a ideia de ir até a pista para “filmar com consequências reais mas abordar as realidades da forma mais cinematográfica”.
“É muita loucura fazer isso, porque se você errar o take, se você errar o foco, não tem como refazer. Era um conceito muito interessante, mas muito arriscado”, admitiram.
Com o conceito do filme definido, faltava, então, a escolha do protagonista. Os Abdala já eram amigos de Felipe Nasr. Numa conversa de bar entre os três, o piloto revelou o sonho de ganhar as 24 horas de Le Mans. Disse que, se não vencesse, “morreria tentando”.
“Quando ele falou isso, eu e o André olhamos um para o outro e falamos: ‘esse cara é o nosso protagonista”, lembrou Salomão.
Dessa conversa de bar surgiu não só a estrela do filme, como a definição do nome: o trocadilho 2DIE4 (“to die for”, lido inglês). A expressão que significa “morrer por algo” traz também os numerais 24 – uma referência às 24 horas de Le Mans. Além disso, 4 é o número do carro do Felipe.
Para os irmãos, o piloto é o “underdog (termo em inglês para azarão) perfeito”. “Ele é o cara que tinha tudo e sempre a vida foi dando dificuldade para ele. Ele entrou na Fórmula 1, fez a melhor estreia de um brasileiro na F1 da história, mas a equipe não chamou ele para renovar”, exemplificaram.
No filme, Nasr interpretou uma versão dele mesmo. “Ele não é um protagonista perfeito ou sem defeitos. Ele é falho, ele está tentando muito realizar o sonho e também comete erros”. André e Salomão explicaram que as filmagens foram 100% autênticas e que o voice-over (narração), roteirizado depois da corrida, é a parte ficcional.
Mas a realização do sonho de André e Salomão não poderia ser simples. Eles acreditavam que fazer o primeiro filme seria como criar uma bomba, então eles precisavam fazer a maior explosão possível.
Ao escolher fazer o primeiro iMax brasileiro, se inspiraram em diretores como Denis Villeneuve e Christopher Nolan.
“O iMax é meio que uma tecnologia. Não é só a tela grande e o som bom. Não, o iMax é basicamente o jeito mais imersivo de você ver um filme. Tem filmes em que o foco é ser muito imersivo. Então, se você quer fazer um filme que seja o mais imersivo, o mais autêntico possível, o iMax é meio que o playground perfeito”, disse Salomão.
André e Salomão explicaram que o iMax fazia sentido para a história que eles queriam contar, porque, além da tela que transporta o público para o lugar de um piloto de corrida, tem o sistema de som que faz os espectadores se sentirem envolvidos pelo filme.
Produção do 1º iMax brasileiro
Após as filmagens, o média-metragem passou cerca de 1 ano e meio na fase de pós-produção – o que ficou visível (ou melhor, audível) no resultado final. Cada som do filme é intencional.
Para conseguir trabalhar na edição de som, os irmãos desmontaram o home cinema que tinham no estúdio e, no lugar, criaram uma sala de mixagem.
“Todas as músicas, tem coisa passando na caixa de traço, tem coisa passando no teto, tem coisa passando na frente. Tinha uma hora que era um boom do grave, que eu lembro quando eu estava assistindo, que é essa hora que ele está bravo e eu falei: ‘vamos jogar mais grave, porque vai parecer que é a porrada do coração’”, contaram.
Os diretores gostam de filmes que “transportam o espectador, que desconectem o público do mundo real, que façam esquecer que você está no planeta Terra e viva aquela história com aquela pessoa”.
“Seja um filme de época, seja Star Wars, que é em outro planeta. Eu amo quando você consegue realmente acreditar que você está em outro planeta. E a gente queria muito mesmo que o nosso filme, que se passa no planeta Terra, que você se desconectasse e pensasse: ‘estou na França, na chuva, com essas pessoas”, disse Salomão à reportagem.
O 2DIE4 foi, para eles, uma soma e um resumo da carreira e de tudo que sempre quiseram fazer.

























