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Ponto de vista

O jovem não desistiu da política, apenas mudou de canal

Longe da apatia, a Geração Z busca conversas longas e pluralidade de fontes para construir sua decisão nas urnas de 2026

Foto de Eduardo BrandiniEduardo Brandini
25/09/2026 19:02
Arte Metrópoles/Carla Sena
O jovem não desistiu da política, apenas mudou de canal

Muito se falou, ao longo dos últimos ciclos eleitorais, sobre um suposto “apagão cívico” da juventude brasileira. A tese recorrente entre analistas e comentaristas apontava que a velocidade acelerada das telas e o imediatismo dos conteúdos efêmeros teriam gerado uma geração apática, desinteressada pelas instituições e indiferente aos rumos politicos do país.

A realidade observada neste pleito de 2026, contudo, desmente esse diagnóstico superficial. O engajamento cívico dos jovens brasileiros não diminuiu e aqui, eu digo engajamento cívico, porque é algo que vai muito além do voto; cobre a participação na vida comunitária e no bem comum. Esse engajamento, na verdade, mudou de endereço e de linguagem, encontrando novas formas de expressão e amadurecimento no ambiente digital.

Essa mudança de comportamento é comprovada empiricamente. Dados de um levantamento realizado pelo Observatório de Novas Gerações da Trope-se mostram que 87% dos jovens da Geração Z acompanham assuntos políticos pelo menos semanalmente. Longe do desinteresse, o estudo revela que oito em cada dez jovens – 80% – recorrem ao YouTube em alguma medida para se informar sobre as eleições. Esses dados colocam em xeque a ideia de despolitização e indicam uma transformação estrutural na maneira como o jovem contemporâneo constrói seu repertório cívico e toma decisões fundamentais para o futuro da nação.

O redesenho do mainstream e a busca por profundidade
Estamos vivenciando o redesenho definitivo daquilo que historicamente chamamos de mainstream. Durante décadas, a ágora politica nacional foi estruturada quase que exclusivamente pelas grades fixas dos telejornais e pelo horário eleitoral gratuito em formato rigido. Hoje, a arena pública tornou-se multifacetada, descentralizada e sob demanda. Candidatos têm priorizado entrevistas de duas ou três horas em podcasts e transmissões ao vivo ao invés dos tradicionais modelos televisivos. Esse movimento não ocorre por acaso: os próprios postulantes a cargos públicos perceberam que na internet há mais espaço para a autenticidade, o tempo de fala e o diálogo.

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Ao contrário do senso comum de que o público jovem é incapaz de manter a atenção em narrativas longas, a pesquisa da Trope-se revela que 80% dos respondentes da Geração Z utilizam videos longos no YouTube para se aprofundar em temas políticos. Os vídeos curtos, mencionados por 90% da amostra, funcionam como a porta de entrada, o despertar do interesse ou a síntese do momento, mas é no formato longo que o jovem busca contextualização, contrapontos e substância. O eleitor digital quer ouvir o raciocínio completo, avaliar a firmeza dos argumentos sob pressão e entender propostas sem a edição prévia dos cortes de 30 segundos.

Pluralidade de vozes e autonomia informacional
Outro destaque é que o público agora dispensa os intermediários de costume. O ecossistema do YouTube consolidou-se como um espaço onde diferentes formas de mediação coexistem de maneira equilibrada. Segundo o levantamento, a atenção dos jovens eleitores distribui-se de forma plural: 44% afirmam se informar com jornalistas independentes, 43% por meio de veículos da imprensa tradicional e 41% acompanham criadores especializados em cobertura de notícias.

Além disso, o pragmatismo da Geração Z se expressa na valorização da credibilidade técnica: 82% afirmam confiar em especialistas, cientistas e acadêmicos para fundamentar suas opiniões. Ao colocar no mesmo ambiente jornalistas consagrados, novos comunicadores digitais, checadores de fatos e especialistas técnicos, a plataforma atua como uma arena de debate democrático, na qual o cidadão tem a autonomia de confrontar visões divergentes, auditar discursos e formar seu próprio juízo de valor com liberdade.

Liberdade de expressão com responsabilidade institucional
Essa vitalidade democrática, no entanto, só se sustenta quando assentada sobre pilares de integridade e responsabilidade. No YouTube, acreditamos que a liberdade de expressão caminha junto à segurança da comunidade e mantemos regras claras de moderação para garantir que vozes legítimas possam debater sem serem silenciadas pela intimidação, pelo ódio ou pela desinformação danosa. Nossas Diretrizes da Comunidade continuam sendo aplicadas de modo uniforme e consistente em todo o espectro político, assegurando a remoção rápida de conteúdos que violem essas regras.

Para o ciclo de 2026, o YouTube expandiu suas frentes de cooperação com as instituições democráticas, trabalhando mais uma vez em colaboração com a Justiça Eleitoral para dar visibilidade a fontes confiáveis sobre o processo de votação, locais de seção e regras do pleito, destacando essas informações nas buscas no YouTube.

Ao mesmo tempo, investimos em soluções tecnológicas de ponta para proteger a integridade do debate. Em um cenário marcado pela popularização da inteligência artificial generativa, ampliamos recursos como o Likeness Detection, permitindo que candidatos, criadores e figuras públicas (mas também eu e você) identifiquem e contestem o uso indevido de sua imagem em conteúdos sintéticos manipulados.

A democracia em evolução
A história da democracia também é a história dos meios pelos quais os cidadãos se comunicam, debatem e escolhem seus representantes. O que vemos em 2026 não é o declínio do interesse politico, mas sim a consolidação de uma cidadania que encontrou no digital um espaço de convivência.

Nesse contexto, o YouTube tem um papel essencial: servir como um espaço plural, apoiando o processo civico para garantir que a soberania da decisão permaneça onde sempre deve estar: nas mãos do eleitor.

  • Eduardo Brandini é head de parcerias e responsabilidade do YouTube Brasil