Microsoft, você não tem ideia do que está fazendo

Tudo se encaminha para um fim melancólico da aventura – sempre cheia de percalços – da empresa no mercado mobile

Autor Fernando Braga

atualizado

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1 de 1 Microsoft-Nokia - Foto: Microsoft-Nokia

Na última semana, a gigante do software Microsoft mostrou que não tem a menor ideia do que fazer no cada vez mais concorrido (e relevante) segmento de telefonia móvel. Pressionada pelos péssimos números alcançados no setor, a companhia anunciou a demissão de 1.850 funcionários, a maior parte deles da Finlândia, terra natal da Nokia. Apesar de negar o encerramento definitivo da divisão de celulares da empresa, a verdade é que tudo se encaminha para um fim melancólico da aventura – sempre cheia de percalços – da empresa no mercado mobile.

Menos de três anos depois de adquirir a Nokia por US$ 7,18 bilhões e forçar goela abaixo a adoção do Windows Phone pelos usuários que adquirissem os dispositivos das marca finlandesa, a empresa que tem sede em Redmond, Washington, se viu obrigada a jogar a toalha. Ao contrário do que aconteceu no fim dos anos 1990, quando dizimou o Netscape ao vincular o seu navegador Internet Explorer no Windows, fazendo com que o programa se popularizasse rapidamente, desta vez a companhia fundada por Bill Gates viu a estratégia naufragar.

O desânimo com o setor pode ser entendido ao ver os números alcançados pela empresa. Segundo um levantamento divulgado pela consultoria Gartner, o Windows Phone representa apenas uma mísera fatia de 0,7% do total de sistemas operacionais móveis utilizados pelos usuários de smartphones no mundo todo. Muito pouco quando comparado aos 84,1% do Android, do Google, e 14,8% do iOS, da Apple. A Microsoft vendeu apenas 2,3 milhões de dispositivos Lumia no primeiro quadrimestre de 2016, numa expressiva queda de 73% frente aos 8,6 milhões comercializados no mesmo período do ano passado.

Digital Trends/Reprodução
Stephen Elop e Steve Ballmer, diretores executivos da Nokia e Microsoft

Rumores sugerem, inclusive, que diante do desempenho vergonhoso no segmento a companhia estaria considerando “forçar” a entrada da marca Surface – que é bem aceita entre os consumidores de tablets – no mercado de celulares em 2017. Mas por que a jogada feita há quase 15 anos e que culminou no domínio total da empresa no mundo dos browsers não deu certo quando foi replicada no mobile?

Basicamente, porque, além de o usuário ter amadurecido a ponto de não aceitar espontaneamente o que lhe é empurrado por companhias de TI, as peças do xadrez mudaram e a Microsoft já não determina tão facilmente os rumos de mercados como fazia no passado. Mesmo adquirindo a Nokia, um ícone dos anos 1990 e 2000, a companhia demorou a despertar para a revolução do mobile e, por isso, foi atropelada pelas gigantes concorrentes. Com a aquisição da fabricante finlandesa em 2013, o movimento mais racional a se esperar seria admitir o atraso e adotar o Android em seus dispositivos. Afinal, para quê gastar energias em um segmento com players tão consolidados.

Nokia/DivulgaçãoPorém, assim como fez no mercado de buscadores, quando em pleno domínio do Google a companhia resolveu lançar o Bing (ferramenta atualmente utilizada por apenas 4,48% dos usuários), a Microsoft preferiu nadar contra a maré e manter a sua plataforma, mesmo sem o apoio da comunidade de desenvolvedores e com baixa penetração entre os usuários. Um experimento que lhe causou um prejuízo estimado em US$ 8 bilhões – entre aquisição e custos com demissões.

Os últimos 20 anos provam que foram raras as empresas de TI que se afastaram de seu core business e tiveram sucesso em novos nichos – principalmente aqueles com fortes concorrentes. Em vez de se arriscar no mobile, a Microsoft deve concentrar-se naquilo que domina que é o desenvolvimento de softwares, a oferta de soluções corporativas de computação na nuvem e a produção de hardwares como o Surface e o Xbox. Enfim, seguir a máxima cravada por Jeff Jarvis, jornalista norte-americano e pensador da Web 2.0, que defende que na internet é fundamental você focar naquilo que faz de melhor. Para todo o resto, basta linkar.

Fernando Braga é editor de conteúdo multimídia do Metrópoles. Atua há 11 anos na cobertura jornalística de temas voltados à tecnologia, computação, internet e telecomunicações.

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