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Luis Antonio Namura Poblacion

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Rafaela Felicciano/Metrópoles

Ensino fundamental: período crucial na formação do futuro cidadão

 

Muito tem se falado sobre a reforma do ensino médio, que é realmente necessária, conforme demonstram os dados do Censo Escolar da Educação Básica 2017, divulgados pelo MEC. É importante ressaltar, no entanto, que as deficiências encontradas nos anos finais da educação básica – e que trazem como consequência dificuldades de ingresso na faculdade e no mercado de trabalho – são oriundas, muitas vezes, da má-formação dos alunos no ensino fundamental. Aí está o cerne do problema.

Para ingressar no ensino médio e ter um bom desempenho, crianças e adolescentes precisam ter passado por um ensino fundamental de qualidade. Infelizmente, não é isso que acontece em grande parte dos casos.

Uma das causas desse problema é a formação precária dos professores. Cerca de 15% dos docentes da educação básica não têm ensino superior, segundo mostrou o Censo. Analisando a formação dos professores na educação infantil, verifica-se que 6,2% deles estudaram somente até o ensino fundamental e 18,1% não terminaram nem o ensino médio.

O mais preocupante é que no ensino fundamental – quando começa verdadeiramente o aprendizado das diversas disciplinas em sala de aula – 3,7% dos professores que estão lecionando não terminaram o ensino médio e 5% deles estudaram só até essa etapa. Existem ainda 6% que estão na faculdade. E mesmo entre os 85,3% formados na universidade, muitos não fazem cursos de formação e atualização, importantíssimos neste mundo cada vez mais globalizado e digital.

De acordo com o censo, também falta adequação dos docentes às disciplinas que lecionam. Em Língua Estrangeira, por exemplo, apenas 42% dos docentes têm formação adequada na área. E o agravante é que 23,7% desses professores não têm sequer ensino superior completo. A baixa remuneração é um dos motivos para a falta de entusiasmo do professor. E é fato que cada vez menos jovens querem abraçar a profissão.

O problema de repetência, de evasão escolar e de baixa qualidade no aprendizado durante o Ensino Fundamental é grave. E os municípios são os responsáveis por 61,3% das escolas brasileiras – o equivalente a 112,9 mil instituições de ensino. As escolas estaduais representam 16,6% e as federais, 0,4%. É verdade que muitos gestores municipais vêm se esforçando para mudar esse quadro – é só verificar os índices do Ideb que estão melhorando em muitos municípios do país.

No entanto, muito ainda precisa ser feito e as prefeituras têm que arregaçar as mangas e oferecer um ensino cada vez de maior qualidade, começando por promover cursos de formação e atualização profissional, possibilitando que seus professores tenham condições de dar aulas mais criativas e mais instigantes. É necessário incluir tecnologia, computadores e aplicativos que tornem o aprendizado mais completo e mais dentro da realidade das crianças e dos jovens do século 21.

Torna-se urgente modernizar a metodologia de ensino nas escolas públicas, começando pelo ensino fundamental. O “ensino industrial” empregado há muitos anos já não supre as necessidades inerentes aos alunos nativos digitais, em um mundo em que tudo muda num piscar de olhos. E os professores devem acompanhar essa constante ebulição de novidades. Giz e quadro negro não bastam. Agora, o professor precisa estar munido de recursos digitais, elementos lúdicos de aprendizagem e ferramentas diversas que permitam que ele também transmita ensinamentos de forma criativa, inovadora e fique tão antenado em temas atuais quanto seus alunos.

Centenas de escolas públicas do interior paulista já contam com laboratórios de informática e fazem uso de recursos tecnológicos, oferecendo um aprendizado mais amplo e moderno. É importante que se multiplique essa estrutura por todo o país, transformando a educação desde os primeiros anos da criança na escola. O objetivo é que os jovens cheguem ao fim do ensino médio verdadeiramente preparados para fazer uma boa faculdade e consigam espaço no mercado de trabalho, que está cada vez mais exigente e competitivo.

Porém, acrescento, de nada valerão os “gadgets” (computadores, laptops, celulares, lousas digitais), se aos professores não for dado oportunidade de conhecer e aplicar metodologias educacionais que façam uso adequado deste ferramental. O segredo de uma educação de qualidade está na adequada utilização das ferramentas disponíveis, traduzindo, na boa e velha didática, potencializada, hoje em dia, pelo melhor conhecimento do cérebro humano e como ele adquire, organiza, analisa, sintetiza e guarda as informações que recebe.

Para tal, metodologias que fazem uso adequado de todo o conhecimento que hoje temos acerca do funcionamento do cérebro humano fazem toda diferença no processo de ensino e aprendizagem. Cabe aos gestores proporcionar aos educadores acesso a estas novas metodologias e estes, através dos cursos de formação continuada, se inteirarem destas modernas ferramentas a fim de propiciar uma regência de aula mais suave para si e mais eficaz para seus alunos.

Luis Antonio Namura Poblacion é Presidente da Planneta (www.planneta.com.br); Engenheiro Elétrico pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica; com especialização em Marketing e Administração de Empresas e MBA em Franchising pela Louisiana State University e Hamburguer University – Mc Donald´s. Atua na área de educação há mais de 35 anos.

 
 


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