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As 140 mortes nas rodovias neste carnaval: quem são os culpados?

Quantidade de vítimas fatais aumentou, mas a PRF só se “responsabiliza” pela queda no número de acidentes. E quanto às causas?

Autor Renato Ferraz

atualizado

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Divulgação/CBMDF
acidente, trânsito, BR-020
1 de 1 acidente, trânsito, BR-020 - Foto: Divulgação/CBMDF

Certamente o tradicional e sempre catastrófico balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) não inclui aqueles que ainda agonizam nos hospitais, mas desde quinta-feira (2/3) já se sabe: pelo menos 140 pessoas morreram, entre sexta e terça de carnaval, nas estradas federais. Isso significou uma alta de 23,9% em relação ao ano passado. A quantidade de acidentes, porém, diminuiu.

As justificativas da PRF também são tradicionais – ou, para ser mais isento, manjadas. Para o primeiro fenômeno, as mortes, os inspetores justificam: foi a imprudência dos motoristas que provocou esse estúpido aumento. Já a queda no número de acidentes é resultado da maior fiscalização policial. Será que o problema é tão dicotômico assim? E com explicações causais tão singelas, nas quais “bandido” e “mocinho” são facilmente identificáveis?

Os carros, como sabemos, estão cada vez mais seguros. Mesmo os baratos têm mais equipamentos de prevenção, como freios antiderrapantes (ABS), e de redução de danos caso o acidente ocorra (airbags). Ambos são exigidos por lei. Sem falar que, na média, o automóvel brasileiro já tem controles de auxílio de estabilidade, cintos de segurança de três pontos que absorvem mais os impactos, carroceria com deformação programada, barras de proteção lateral nas portas e por aí vai.

As causas das mortes podem ajudar a identificar o crescimento de acidentes com vítimas fatais? Sim, claro. Exemplo: metade foi causada por ultrapassagens irregulares. Isso demonstra a irresponsabilidade do condutor, também corroborada pela quantidade de infrações: 11.825 multas, com elevação de 26% em relação a 2016.

Porém, avaliemos boa parte das rodovias que ligam o DF a Minas e a São Paulo. Mesmo privatizadas, com pedágios de até R$ 6,20 por trecho (R$ 55 por caminhão), elas continuam com dezenas de quilômetros em pistas simples, e geralmente ladeirosas e cheia de caminhões lentos – o que enerva qualquer condutor. É justo, enfim, privatizar rodovia de pista simples?

A PRF elenca outras causas dos acidentes com mortes: desrespeito à sinalização, sono, desatenção e negligência. Todas relacionadas ao condutor. Curiosamente, a PRF não põe como fator causador, ou quiçá preponderante, a má sinalização, a quantidade de animais soltos nos acostamentos, erros de engenharia, arbustos que dificultam a visão em curvas, má formação dos condutores, a ganância das empreiteiras que usam “asfalto-sonrizal” e outros tantos.

No geral, e usando o próprio comportamento da PRF como exemplo, a constatação é que todas essas causas têm um responsável direto: o Estado indolente, preguiçoso, desleixado, negligente, arrogante…

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