A Suíça e o Brasil: uma parceria para a paz e a prosperidade

Devemos defender valores comuns que dizem respeito a todas e todos brasileiros e suíços: a paz, os direitos humanos e a democracia

Autor Pietro Lazzeri

atualizado

metropoles.com

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Governo federal/divulgação
brasil suíça
1 de 1 brasil suíça - Foto: Governo federal/divulgação

Vivemos em um mundo cada vez mais complexo, com grandes desafios, em uma realidade geopolítica turbulenta e em profunda transformação. Tanto na Suíça como no Brasil, podemos observar que os efeitos da mudança climática se tornam cada vez mais intensos, as necessidades humanitárias e os fluxos de migração aumentam constantemente.

O número de crises e a quantidade de conflitos armados se encontra no mais alto nível desde três décadas, o sistema multilateral está sob pressão e a governança mundial enfraquecida. A pandemia e o conflito na Ucrânia nos lembram, mais uma vez, que os desafios globais demandam respostas coordenadas para identificar soluções compartilhadas.

Mais do que nunca, nós, como membros da comunidade internacional, devemos defender valores comuns que dizem respeito a todas e todos brasileiros e suíços: a paz, os direitos humanos, o estado de direito e a democracia.

A Suíça, país de longa tradição humanitária, construtora de paz e sede da chamada Genebra internacional, está comprometida com um sistema multilateral forte, credível e eficiente. Desde janeiro deste ano, e pela primeira vez em sua história, o meu país tem a honra de ter um assento como membro não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Quatro prioridades norteiam a participação helvética bianual neste órgão máximo dentro da ordem internacional, sendo estes, a promoção da paz, a proteção da população civil nos conflitos armados, a segurança climática e o aumento da eficácia do Conselho de Segurança.

Na área humanitária e da paz em particular, a Suíça possui competências profundas, experiência e credibilidade. Somos conhecidos pelo nosso papel de mediador neutro e pela nossa tradição de bons ofícios. Já no final do século XIX, a Suíça intermediou no diferendo fronteiriço entre a França e o Brasil que na época disputavam o território do atual estado do Amapá.

Em várias ocasiões, a Suíça tem acompanhado as diferentes partes em conflito na busca de soluções negociadas e pacíficas. Entre os exemplos mais recentes, vale a pena mencionar as várias contribuições no âmbito da OSCE para prevenir a escalação do conflito e a atuação da Suíça no último encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia em junho de 2021, em Genebra.

Neutralidade não é indiferença

Todos esforços que, infelizmente, não foram suficientes para prevenir o ataque da Rússia contra a Ucrânia. No entanto, a nossa neutralidade não significa de modo algum a indiferença frente a violações do direito internacional e, em particular, dos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.

O nosso engajamento a favor da proteção da população civil é reconhecido mundialmente e – além da promoção da paz – é também o foco da atual Presidência Suíça no Conselho de Segurança.

Neste contexto, o Brasil, que já ocupa pela décima primeira vez um assento no Conselho e o presidiará em outubro deste ano, é um parceiro valioso para a Suíça. Pois apesar da grande distância geográfica, o gigante sul-americano e o país no coração da Europa são predestinados a formarem alianças em favor da paz e da segurança.

Por um lado, em virtude do nosso compromisso com a democracia, os direitos humanos e o multilateralismo. Por outro lado, em virtude das nossas características compartilhadas como construtores de pontes e mediadores. Interagir com todos os atores é essencial para construir uma paz sustentável, promover a segurança e buscar soluções para os problemas globais.

Atualmente, estamos, por exemplo, demonstrando isto pela condução conjunta da resolução sobre a ajuda humanitária na Síria, na qual, graças à colaboração suíça-brasileira, o fornecimento de ajuda vital está chegando a mais de quatro milhões de pessoas vulneráveis. São resultados como este que motivaram a nossa candidatura ao Conselho de Segurança.

Nos próximos meses, o presidente do Parlamento Suíço, o ministro da Economia e o presidente da Confederação Suíça realizarão visitas oficiais ao Brasil. Estas serão excelentes oportunidades, não só para aprofundar a amizade entre os nossos dois países, mas também para fortalecer a nossa frutífera cooperação bilateral e multilateral.

Há um grande potencial para trabalharmos juntos, seja no âmbito de clubes de paz ou de resoluções, na África, na Ásia, na América do Sul ou na Europa, em conflitos ou em situações de emergência, ou para enfrentar as mudanças climáticas ou reforçar a segurança alimentar.

O mundo contemporâneo precisa de parcerias fortes e corajosas que possam promover o diálogo, a paz, a prosperidade comum e o desenvolvimento sustentável: portanto, Brasil e Suíça, bola para frente!

  • Pietro Lazzeri é o embaixador da Suíça no Brasil

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