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Hélio Doyle

Michael Melo/Metrópoles

A desistência de Frejat ainda é uma história malcontada

 

É provável que Jofran Frejat nunca revele por que realmente desistiu de sua candidatura ao governo de Brasília. É mais fácil para ele deixar pairando o que alegou há 11 dias, de que não entregaria sua alma aos demônios da política brasiliense. E quem são esses demônios? Frejat não diz e, pelo jeito, não vai dizer.

A justificativa apresentada é conveniente a Frejat, o líder nas pesquisas que larga a candidatura para não se submeter aos que queriam controlar a formação de sua chapa, sua campanha e seu possível governo. Frejat, dizem aliados e adversários, não aceitou se submeter às velhas práticas e velhos métodos de fazer política. Esse é, realmente, um bom final para o último ato de uma trajetória política mediana, com altos e baixos.

Há, porém, algo estranho. Todos os suspeitos de integrar as hostes satânicas que cercavam Frejat proclamaram publicamente que respeitariam integralmente a autonomia e liderança dele, não interferindo na formação da chapa e nos rumos da campanha e do governo. O motivo da desistência, assim, teria deixado de existir. Livre das pressões demoníacas, Frejat poderia voltar a ser candidato, mais puro e mais forte.

Por que, então, manteve a desistência? Talvez por não acreditar no recuo dos inomináveis demônios, que conhece muito bem e há muitos anos – até porque esteve bem perto deles em inúmeros momentos, especialmente nas eleições de 2010 e 2014. Pode ter pensado que os demônios logo esqueceriam o dito e retomariam as pressões, agora ou mais à frente.

É uma possibilidade, claro. Mas, quem viu de perto a luta de Frejat para se impor como candidato ao governo e sua persistência diante das dificuldades que surgiam a todo momento, acha que há algo mais na desistência do que os alegados demônios. Ele brigou muito para chegar até aqui e sempre soube a qual partido é filiado, quem o comanda e com quem estava se aliando para chegar ao Buriti.

Há algo mais nessa desistência, e talvez seja uma razão bem simples: Frejat pode ter refletido e chegado à conclusão de que assumir o Governo do Distrito Federal nas atuais circunstâncias e com a turma que o cercava seria, em linguagem coloquial, uma bela roubada. O risco de dar errado e terminar o mandato com alta rejeição seria grande. E ainda havia tempo para desistir.

 
 


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