Planaltina é destaque em plantio de maracujá
Produção no DF supera a média nacional. No Núcleo Rural Pipiripau, fruta reforça renda de agricultores familiares
atualizado
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Há 30 anos, o maracujá era considerado uma fruta exótica, de pouca expressão comercial em Brasília. Dezoito anos mais tarde, uma parcela ainda tímida de produtores locais começou a dar atenção ao plantio e, por volta de 2008, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) implementou novas técnicas e impulsionou o cultivo. A produção da fruta no Distrito Federal é de 25 toneladas por hectare, mais que o dobro da média nacional. No Núcleo Rural Pipiripau, em Planaltina, essa quantidade chega a 40 toneladas por hectare plantado.
Com 180 hectares (o equivalente aproximado a 180 campos de futebol) de área plantada, 76 produtores são responsáveis por esse cenário promissor. Desses, 35 encontram-se no Pipiripau, e o restante está espalhado por todas as regiões administrativas do DF. “A cultura do maracujá é típica da agricultura familiar, porque a espécie mais comum precisa de polinização manual, atividade que utiliza três trabalhadores por hectare”, explica o gerente da unidade da Emater no núcleo rural, Geraldo Magela. “Isso garante a geração expressiva de emprego e renda na capital”, completa.

A produtora rural Maria Pereira da Silva, de 47 anos, mora no Pipiripau desde 2000. Assim que chegou, trabalhou como caseira de uma chácara e há dez anos conseguiu um pedaço de terra para se aventurar no plantio do maracujá. Com o marido e três filhos, ela já consegue tirar parte do sustento com a produção dos tipos azedo e pérola-do-cerrado. “Essa fruta é um presente que faz parte do meu futuro.” Com 20 plantas de cada espécie, Maria vende atualmente 40 quilos por mês do maracujá comum – a R$ 2,50 o quilo – e leva o outro para degustação.

Tecnologia
A alta produtividade em Planaltina foi conquistada com o uso de um conjunto de tecnologias aplicadas à lavoura, como sistemas especiais de irrigação, polinização e cultivo de espécies híbridas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), plantio adensado – mais plantas por área – e produção em estufa. “Temos conseguido uma produção de 30 a 40 toneladas por hectare a céu aberto e de 90 a 100 toneladas quando plantado em estufa”, afirma o gerente da Emater.
O maracujá pérola-do-cerrado é um melhoramento feito pela empresa de pesquisa, começou a ser testado no Pipiripau há quatro anos e foi lançado em 2014. “Ele é silvestre e tem sabor e características interessantes para o mercado consumidor e produtor”, diz Geraldo Magela.
Sua procura tem aumentado muito no consumo in natura e pelas pequenas indústrias de sorvete e de suco.
Geraldo Magela, gerente da Emater
Feira de orgânicos
Com todas as qualidades citadas, o quilo do tipo pérola custa seis vezes mais (R$ 12) que o das espécies comuns (R$ 2). “Por ser um produto diferenciado, temos comercializado em bandejas de 300 a 400 gramas, para facilitar a venda”, explica Magela. A nova espécie pode ser encontrada na Feira de Orgânicos da 316 Norte – em frente ao prédio da Emater –, às quintas e sábados pela manhã, e no mercado da agricultura familiar das Centrais de Abastecimento do DF (Ceasa). A muda é vendida somente no Viveiro Tropical, na BR-020, em Planaltina.
