Trump ameaça barrar Exxon da Venezuela após fala de CEO: “Espertinhos”

“Eu, provavelmente, estou inclinado a deixar a Exxon de fora. Não gostei da resposta deles. Estão sendo espertinhos demais”, afirmou Trump

atualizado

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Presidente dos EUA, Donald Trump, responde a perguntas da imprensa durante uma reunião com executivos do setor de petróleo e gás no Salão Leste da Casa Branca, em 9 de janeiro de 2026, em Washington, DC - Metrópoles
1 de 1 Presidente dos EUA, Donald Trump, responde a perguntas da imprensa durante uma reunião com executivos do setor de petróleo e gás no Salão Leste da Casa Branca, em 9 de janeiro de 2026, em Washington, DC - Metrópoles - Foto: Alex Wong/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu às declarações do CEO da petroleira ExxonMobil, Darren Woods, que afirmou, em reunião com o líder norte-americano na Casa Branca, que investir na Venezuela neste momento é “inviável”.

Em conversa com jornalistas, nesse domingo (11/1), a bordo do avião da presidência dos EUA, Trump ameaçou a ExxonMobil e disse que, provavelmente, deixará a companhia de fora do grupo de empresas que deve investir na reconstrução do país sul-americano.

“Eu, provavelmente, estou inclinado a deixar a Exxon de fora. Não gostei da resposta deles. Estão sendo espertinhos demais”, criticou o presidente dos EUA.

Na semana passada, os EUA atacaram a Venezuela militarmente e depuseram o ditador Nicolás Maduro, que está detido e aguardando julgamento em Nova York.

O que incomodou Trump

As declarações do diretor-presidente da ExxonMobil que incomodaram Trump foram dadas durante uma reunião entre o republicano e cerca de 20 representantes de algumas das maiores petrolíferas dos EUA, na última sexta-feira (9/1), na Casa Branca. A ExxonMobil é a maior companhia do setor no país e produz cerca de 3% do petróleo e de 2% da energia mundial.

“Se olharmos para as estruturas e os arcabouços legais e comerciais existentes hoje na Venezuela, ela não é viável de se investir”, afirmou Woods ao presidente norte-americano. O CEO da ExxonMobil disse ainda que ativos da empresa já foram confiscados duas vezes pelo governo venezuelano.

No encontro com os executivos das grandes petrolíferas, Trump pediu para que eles investissem pelo menos US$ 100 bilhões (o equivalente a R$ 537 bilhões, pela cotação atual) na reconstrução da Venezuela.

“Se vocês não quiserem entrar, é só me avisar, porque tenho 25 pessoas que não estão aqui hoje, mas estão dispostas a ocupar o lugar de vocês”, disse Trump aos representantes das companhias de petróleo.

Mesmo com o pedido do presidente dos EUA, Woods demonstrou ceticismo em relação à presença das petrolíferas norte-americanas no mercado venezuelano.

“Quão duráveis são as proteções do ponto de vista financeiro? Como serão os retornos? Quais são os arranjos comerciais, os marcos legais?”, questionou o CEO da ExxonMobil. “Tudo isso precisa ser estabelecido para que se possa tomar uma decisão e para entendermos qual seria o retorno ao longo das próximas décadas.”

Apesar da preocupação, Woods deixou uma porta aberta ao afirmar a Trump que a Exxon está “pronta para colocar uma equipe em campo” caso o governo da Venezuela formalize um convite para a entrada da companhia no país e dê “todas as garantias necessárias de segurança”.

Após a reunião, Trump demonstrou otimismo em entrevista aos jornalistas. “Nós meio que formamos um acordo. Eles vão entrar com centenas de bilhões de dólares em perfuração de petróleo, e isso é bom para a Venezuela e ótimo para os EUA”, afirmou o republicano, sem dar maiores detalhes.

Neste momento, a única empresa norte-americana ainda presente na Venezuela é a Chevron. O vice-presidente da companhia, Mark Nelson, disse que a petrolífera tem um “compromisso específico” de contribuir para reativar o mercado de petróleo no país e deve aumentar sua produção, atualmente de 240 mil barris por dia, em pelo menos 50% nos próximos dois anos.

ExxonMobil

A ExxonMobil é uma das maiores multinacionais de petróleo e gás do mundo. A empresa é resultado da fusão entre Exxon e Mobil, em 1999, e atua em exploração, produção, refino e comercialização de combustíveis e produtos químicos sob as marcas Exxon, Mobil e Esso.

No Brasil, a companhia tem uma longa história que começou em 1912, sendo pioneira no setor, com operações de exploração, produção, químicos e centros de negócios.

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