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Troca de meta tornou trabalho do BC “mais custoso”, diz Campos Neto

Para o presidente do Banco Central, a piora no cenário externo e a alteração do alvo fiscal no Brasil aumentaram as incertezas econômicas

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Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comparece a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado Federal
1 de 1 Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comparece a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado Federal - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, considera que o trabalho do BC em reduzir a inflação no país ficou mais “difícil e custoso” com a mudança da meta fiscal para 2025 e 2026, anunciada oficialmente nesta segunda-feira (15/4) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A afirmação de Campos Neto foi feita nesta quarta-feira (17/4), em evento com investidores, realizado pela XP Investimentos, em Washington. 

“A evidência do que vimos nos últimos dias nos mostra que o mercado ficou mais preocupado em relação ao fiscal (que trata dos gastos e despesas do governo), e qual vai ser o equilíbrio fiscal no futuro, com efeito no prêmio de risco, o que torna o trabalho mais difícil e custoso”, disse Campos Neto.

O presidente do BC lembrou ainda que a “âncora fiscal”, que inclui a meta para as contas públicas, e a “monetária”, que busca conter a inflação, “são intimamente relacionados”. “Se perde credibilidade ou se há mais questionamentos sobre a âncora fiscal, fica mais caro do outro lado”, afirmou, acrescentando: “Sempre defendemos a manutenção da meta (fiscal) e que seja feito o necessário para atingi-la.”

Campos Neto observou, no entanto, que “entendeu a necessidade” da mudança na meta. Ele disse ainda que não há uma “relação mecânica” entre a alteração do alvo fiscal e a definição da taxa básica de juros do país, a Selic, por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). 

Incertezas em alta

Para o presidente do BC, porém, a piora no cenário externo e a guinada no fiscal desta semana aumentaram as incertezas em relação à última reunião do Copom, realizada em março. A ata desse encontro citou a possibilidade de mais um corte de 0,5 ponto percentual da Selic, em maio. Com a turbulência registrada no mercado nos últimos dias, cujo reflexo foi a disparada do dólar, os economistas passaram pôr em xeque a viabilidade dessa redução.

Em relação à meta, nesta semana, o governo anunciou que, em vez de um superávit de 0,5% do PIB em 2025, o novo alvo fiscal seria uma de um déficit zero, com eventual déficit de 0,25%. O limite do resultado para 2026 caiu de superávit de 1% para 0,25%. Para 2027 e de 2028, já no mandato do próximo presidente da República, os parâmetros não haviam sido fixados e, agora, eles foram estabelecidos em saldos positivos de 0,50% e 1%, respectivamente.

 

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