Summit CBF Academy: investidores mostram otimismo com inovações no futebol brasileiro
O evento Summit CBF Academy ocorre nesta quarta-feira (26/11), em São Paulo, com painel mediado pela CEO do Metrópoles, Lilian Tahan
atualizado
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Representantes do mercado financeiro demonstram otimismo com as mudanças previstas pela nova gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sobretudo com as regras do Fair Play Financeiro, que serão anunciadas durante o Summit CBF Academy, realizado pela entidade nesta quarta-feira (26/11), em São Paulo. O evento reuniu personalidades do futebol, dirigentes, agentes do mercado e empresários.
Uma das principais mesas de debate teve mediação da jornalista Lilian Tahan, CEO do Metrópoles. Participaram do painel, com o tema “Indústria do futebol e novos investimentos”: o vice-presidente da CBF, Flávio Zveiter; o diretor institucional da XP, Rafael Furlanetti; e o fundador do Banco Inter, Rubens Menin.
Lilian levantou questões como o modelo de gestão Sociedade Anônima de Futebol (SAF), adotado por alguns clubes brasileiros nos últimos anos, e as diferenças das práticas realizadas no futebol nacional em comparação à gestão feita em países estrangeiros, como nas ligas europeias.
“O futebol brasileiro movimenta dezenas de bilhões por ano, tem a maior oferta de talentos do mundo e um mercado consumidor gigantesco. Ainda assim, enfrenta limitações de receita, queda de competitividade internacional e dificuldade em atrair investimentos em escala. É esse paradoxo — um produto com enorme potencial e resultados aquém do esperado — que está em jogo”, enfatizou Lilian.

Summit CBF Academy
Tanto os empresários como o vice-presidente da CBF ressaltaram o potencial que o futebol brasileiro tem de atrair espectadores e a capacidade de produzir talentos em larga escala.
“O Brasil é o maior país do mundo em ‘população de futebol’. Um investidor inteligente vai aonde o potencial é maior. Se fosse eu, vinha correndo para o Brasil”, afirmou Rubens Menin, que é dono da SAF do Atlético Mineiro.
Menin disse ainda que o Fair Play Financeiro anunciado pela CBF no evento “é um passo importante para profissionalizar ainda mais o futebol brasileiro. Regras claras, controle de dívidas, limites de gastos e transparência nas operações são medidas que ajudam a organizar o sistema e dão mais segurança para quem investe e trabalha no esporte. Significa mais credibilidade, mais investimentos e um espetáculo melhor para as torcidas”.
Rafael Furlanetti, cuja empresa atuou na criação e venda da SAF do Cruzeiro, revelou que cerca de 10 mil brasileiros já investem no futebol por meio da XP Investimentos.
“É o grande espetáculo da Terra. O trabalho da CBF [com a nova gestão] vai atrair mais investimento”, disse o diretor institucional da XP.
Furlanetti ressaltou que o futebol brasileiro é “um setor que vive um momento de transformação profunda, profissionalização e abertura para quem pensa grande e com visão de futuro”.
Flávio Zveiter relembrou o histórico recente de clubes que aderiram à SAF no Brasil — como Cruzeiro, Botafogo, Vasco, Bahia e Atlético Mineiro — e destacou as regras preparadas pela CBF sobre a regulação dos investimentos no esporte.
“Vamos instituir uma espécie de CVM [Comissão de Valores Mobiliários] do futebol brasileiro, que vai tornar o mercado mais seguro para os investidores, além de fomentar o futebol”, afirmou Zveiter.
O vice-presidente defendeu que as principais ligas estrangeiras, principalmente as europeias, têm vantagem por terem se organizado há mais tempo, somada ao benefício econômico no câmbio das moedas locais, mas acredita que o Brasil pode chegar ao mesmo patamar.
“O Brasil já virou um hub de jogadores da América Latina. Nós temos capacidade de competir [no futuro] com a Premier League [liga da Inglaterra], por exemplo”, destacou Zveiter.
