S&P rebaixa nota de crédito e dá perspectiva negativa para Aegea
Para agência de análise de risco, reclassificações contábeis feitas no balanço pioraram o quadro de endividamento da empresa de saneamento
atualizado
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A agência de classificação de risco S&P rebaixou, na segunda-feira (20/4), a nota de crédito da empresa de saneamento Aegea. Ela passou de “brAA-” para “brA”. Além disso, a perspectiva da avaliação ficou negativa.
A S&P informou que a Aegea conseguiu publicar as demonstrações financeiras, mesmo “depois de sucessivos adiamentos”, dentro do prazo de cura. Isso significa que a empresa divulgou seus documentos contábeis em atraso, mas dentro de um período adicional de tolerância, evitando penalidades graves.
No caso, a punição seria o acionamento de cláusulas de vencimento antecipado das 7ª e 9ª emissões de debêntures, que atualmente somam cerca de R$ 1,1 bilhão. “Contudo, a Aegea realizou diversas reclassificações contábeis”, disse, em nota, a agência.
O conjunto de mudanças contábeis, cita a S&P, inclui, por exemplo, a receita dos serviços de água, que passou a ser reconhecida apenas após o efetivo pagamento pelos consumidores. Além disso, a contabilização da receita de construção em contratos de parcerias público-privadas (PPPs) agora se baseia em fluxos de caixa descontados, o que impactou as concessões Ambiental Ceará, Paraná, Serra, Vila Velha e Cariacica.
Outra reclassificação contábil diz respeito à metodologia de Perdas Estimadas em Créditos de Liquidação Duvidosa (PECLD), que passou a considerar o histórico de inadimplência de 36 meses, com taxas de perda maiores para atrasos mais longos.
Revisão de projeções
Com as mudanças, a S&P considera que as demonstrações financeiras passaram a refletir um outro desempenho operacional. Por isso, a agência revisou suas projeções, esperando uma redução na receita dos serviços de água.
Como resultado, a agência projeta uma alavancagem, dada pela relação entre dívida líquida sobre EBITDA, acima de 6 vezes para 2026 e de cerca de 5,5 vezes para 2027. Além disso, considera que a cobertura de juros pelo EBITDA abaixo de 2,0x, além de fluxo de caixa operacional livre “consistentemente negativo nos próximos anos”.
As revisões contábeis, acrescenta a S&P, pressionaram o indicador de dívida líquida sobre EBITDA, que encerrou 2025 em 3,78 vezes. Para a agência, dessa forma, a Aegea apresentará “pouca margem” para cumprir o limite (covenant, no jargão) da alavancagem de 4 vezes, exigido pela maioria de seus contratos de dívida.
Perspectiva negativa
Em relação à perspectiva negativa para a Aegea, a S&P afirmou que ela reflete a “avaliação de que um novo rebaixamento seja possível caso a empresa enfrente pressões de liquidez, sobretudo se não conseguir garantir folga de pelo menos 10% nos seus covenants financeiros”. “Além disso, a companhia possui o desafio de recuperar seu acesso aos mercados de dívida e pode enfrentar maiores custos de financiamento”, diz a agência.
A Aegea é uma holding com sede em São Paulo e atua na operação e gestão de sistemas de água e esgoto para clientes residenciais, comerciais, industriais e do setor público, bem como de ativos de resíduos sólidos. É a maior empresa privada do setor de saneamento brasileiro em termos de base de clientes. A empresa atende a mais de 39 milhões de consumidores, com cerca de 37% de participação no mercado de saneamento.
