Projeções de corte da Selic diminuem com inflação acima do esperado
IPCA-15 subiu 0,84 em fevereiro e 4,10% em 12 meses. Previsão era de, respectivamente, 0,57% e 3,82%. Decisão sobre juros ocorre em março
atualizado
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Com a prévia da inflação acima do esperado pelo mercado, parte dos analistas está menos otimista com a perspectiva de corte da taxa básica de juros, a Selic, hoje fixada no patamar de 15%. Entre as apostas de redução que estavam entre 0,50 e até 0,75 ponto percentual, surgem, agora, projeções de 0,25 ponto percentual.
Uma nova decisão sobre a Selic será definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), em reunião entre os dias 17 e 18 de março. O anúncio do valor da taxa é feito no último dia do encontro.
Na manhã desta sexta, os investidores acompanharam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação. Ele subiu 0,84% em fevereiro e 4,10% no acumulado nos últimos 12 meses.
Os números vieram acima da expectativa dos agentes econômicos. Eles estimavam uma elevação de 0,57% em fevereiro e 3,82% no acumulado dos 12 meses.
Maior cautela
Para Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), os números de fevereiro “surpreenderam negativamente”. “Vieram mais salgados do que o esperado pelo mercado”, diz. “A inflação de serviços e os núcleos (que excluem itens mais voláteis como alimentação e energia) seguem pressionados, o que reduz o espaço para um início mais agressivo do ciclo de cortes de juros.”.
A reação do mercado, nota Spyder, foi imediata. “Os juros futuros subiram ao redor de 15 pontos, o dólar apresentou leve alta e a curva reduziu a precificação de corte para março da Selic.” afirma. “Com esse IPCA-15 mais forte, entendemos que aumenta a probabilidade de uma redução de juros mais cautelosa em março.”
Para a equipe de analistas do Banco Daycoval, apesar do resultado do IPCA-15 ter vindo pior do que o esperado, a projeção para a inflação ao final deste ano foi mantida em 3,8%. “Além disso, o Banco Central iniciará o ciclo de corte de juros em março. Por ora, nossa expectativa é de que a redução seja de 0,25 ponto percentual.”
Mais otimista
Na avaliação de André Valério, economista sênior do banco Inter, a base do índice continua apresentando deterioração. “A média dos núcleos (sem itens mais voláteis) avançou de 0,43% para 0,66%, alcançando o maior valor desde janeiro do ano passado”, diz. “Com isso, a média móvel de três meses chegou a 0,47%, o maior valor desde abril de 2025.”
Essa piora, observa Valério, era esperada. Ele nota que a inflação de serviços acelerou fortemente, de 0,15% para 1,49%. O analista destaca que o dado apresenta um viés negativo, tanto quantitativamente quanto qualitativamente, entretanto, foi bastante influenciado pela sazonalidade.
Para o economista, o resultado não deve influenciar de forma significativa a decisão do Copom em março. “Esperamos que o comitê corte a Selic em 50 pontos base na próxima reunião, mas mantendo um discurso relativamente cauteloso”, diz. “A manutenção do real apreciado, na faixa dos R$5,15, trará tranquilidade adicional para o Comitê iniciar o ciclo de ajustes.”
