Powell pede “liberdade” para bancos competirem e não fala sobre juros

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), vem sendo criticado por Donald Trump

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O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, não fez declarações sobre política monetária e focou seus comentários no sistema bancário durante participação em uma conferência realizada nesta terça-feira (22/7).

O chefe da autoridade monetária, cuja fala vinha sendo aguardada com grande expectativa pelo mercado financeiro, tratou da importância da supervisão e da regulação do setor financeiro. Powell participou da Conferência sobre a Revisão Integrada do Quadro de Capital para Grandes Bancos.

Powell estava impedido de fazer comentários sobre política monetária e macroeconomia por causa do período de silêncio antes da próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, marcada para a semana que vem, nos dias 29 e 30, para definição da taxa de juros nos EUA.

“Precisamos que nossos grandes bancos estejam bem capitalizados e gerenciem bem seus principais riscos. E precisamos que os grandes bancos tenham liberdade para competir entre si, com instituições financeiras não bancárias e com bancos em outras jurisdições para fornecer capital e apoiar o crescimento econômico”, afirmou Powell durante o evento.

Pressão sobre Powell

Em sua última reunião, nos dias 17 e 18 de junho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve anunciou a manutenção dos juros básicos no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano.

Desde o início de seu mandato, em janeiro deste ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, já fez uma série de críticas a Powell e cobrou publicamente a redução dos juros da economia dos EUA, o que ainda não ocorreu desde que o republicano tomou posse.

A elevação da taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Segundo dados divulgados na terça-feira pelo Departamento do Trabalho, a inflação nos EUA ficou em 2,7% em junho, na base anual, ante 2,4% registrados em maio. Na comparação mensal, o índice foi de 0,3%, ante 0,1% em maio.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, é um dos nomes sobre a mesa de Trump para a sucessão de Powell no Fed. Foi o próprio Trump quem mencionou Bessent como um dos cotados para o cargo, na semana passada, em rápida conversa com jornalistas.

“Ele [Bessent] é uma opção. É um nome muito bom. Gosto muito do trabalho que está fazendo”, afirmou Trump aos repórteres, ao ser questionado sobre a possível indicação do secretário do Tesouro para o comando do Fed.

Bessent reforçou as críticas de Trump a Powell e disse que a Casa Branca já iniciou um “processo formal” para encontrar o sucessor de Powell à frente da autoridade monetária.

Além de Scott Bessent, segundo a imprensa especializada dos EUA, entre os favoritos para suceder Jerome Powell na presidência do Fed estão o ex-diretor Kevin Warsh; o chefe do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hasset; e o atual diretor do Fed Christopher Waller.

A diretoria do Federal Reserve é composta por sete integrantes que cumprem mandatos de 4 a 14 anos – todos são indicados pela Presidência dos EUA. A indicação para o cargo de presidente do Fed é definida pela Casa Branca e confirmada por uma votação no Senado norte-americano a cada 4 anos.

Em 2022, Jerome Powell foi indicado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, para um segundo mandato à frente do Fed. Seu mandato à frente do BC norte-americano termina em maio de 2026.

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